Windows 10: como a Microsoft pretende ganhar dinheiro com serviços gratuitos?

Por Redação | 25 de Março de 2015 às 13h15

A Microsoft tem apresentado grandes novidades nos últimos meses relacionadas aos seus principais produtos. Licenças gratuitas do Windows e do Windows Phone para fabricantes de PC e dispositivos móveis, aplicativos gratuitos do Office para iOS e Android e outros serviços agora estão muito mais acessíveis aos usuários e empresas.

É fato que a Microsoft tem tentado deixar o seu conservadorismo de lado e buscado alternativas de fazer dinheiro com base no que o mercado requer atualmente. Mas diante das novas estratégias de disponibilizar seus principais serviços gratuitamente, surge a questão: como a Microsoft vai ganhar dinheiro?

Durante muitos anos, a principal fonte de receita da companhia de Redmond veio do licenciamento de software como o Windows e o Office para OEMs e empresas. Pode-se dizer que a Microsoft é o que é hoje devido a estratégia bem sucedida de dominação do mercado de PCs ao redor do mundo. No entanto, o mercado tem mudado e as plataformas móveis tem alterado o cenário para as empresas de tecnologia.

Durante a Microsoft Convergence, Chris Caposella, diretor de marketing da companhia, revelou os planos da Microsoft de adotar o modelo freemium para os seus principais serviços. Segundo ele, essa estratégia consiste basicamente em quatro pilares: adquirir, engajar, mobilizar e monetizar.

Para a companhia, a melhor forma de levar os novos produtos para mais pessoas é justamente oferecer gratuitamente seus serviços aos usuários. Depois disso, segundo os planos da Microsoft, a ideia é fazer com que o usuário fique engajado nestes serviços, podendo alavancar outras partes do seu ecossistema para fazer com que os consumidores continuem utilizando aquela plataforma. Quem gostar de usufruir dos novos produtos da Microsoft serão mobilizados e em última instância pagarão para continuar usando os serviços da empresa ou ter acesso a outras funcionalidades restritas a assinantes, como é o caso do Office 365.

Windows 10

A estratégia pode parecer simples, mas isso é algo que a Microsoft não está acostumada. Outras empresas de tecnologia, como o Google, tÊm tido bom sucesso em oferecer serviços gratuitos em troca dos dados dos usuários ou anúncios. No entanto, a abordagem da Microsoft depende da disposição dos usuários em gastar seu dinheiro para poder usar os serviços da empresa.

Caposella também ressaltou que é importante manter um ecossistema bastante harmônico, pois além de trazer uma experiência muito melhor para os consumidores, ajudará a empresa a concentrar seus esforços no que realmente importa. "Se você observar o que a Apple anuncia na TV, pelo menos nos Estados Unidos, é tudo iPhone e iPad, e ainda assim você vê todas as linhas que ligam seu ecossistema. Então, eles podem concentrar seus dólares de marketing em um número muito pequeno de coisas, ser muito disciplinado, porque um produto naturalmente leva ao próximo produto sem qualquer campanha ou publicidade", argumentou.

Segundo Caposella, essa é uma técnica que a Microsoft passou a adotar recentemente. O executivo citou o Surface Pro 3 e sua integração com o OneNote como um exemplo de sucesso neste sentido. "Tivemos que convencer a equipe do Windows a trabalhar com os times do Surface e do OneNote", declarou. O resultado é que houve um grande aumento no uso do serviço de notas da Microsoft.

Sobre o Bing, Caposella disse que a Cortana será uma grande aliada na briga contra o Google. "Se você usar a Cortana, na verdade você está se tornando um usuário Bing". As mesmas técnicas estão sendo implementadas em serviços como o Outlook.com e o Skype. "Nós sabemos que os consumidores estão escolhendo um ecossistema mais do que nunca", admitiu.

Levando isso em conta, a Microsoft sabe que ainda tem um longo caminho para fazer com que seus produtos trabalhem mais próximos. O Windows 10 certamente virá para integrar muitos programas da entidade de uma maneira inédita para a empresa. No entanto, ele não é o salvador da marca. É necessário estabelecer uma melhor integração dos aplicativos e serviços da Microsoft para então poder rivalizar contra os fortes ecossistemas do Google e da Apple.

Via The Verge

Fonte: http://www.theverge.com/2015/3/16/8227847/how-microsoft-makes-money

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