Wesley Barbosa, primeiro funcionário estrangeiro do Baidu, deixa a empresa

Por Rafael Romer | 12.09.2013 às 18:11 - atualizado em 14.09.2013 às 15:55

O brasileiro Wesley Barbosa deixou oficialmente o gigante chinês das buscas Baidu na última sexta-feira de agosto (30). Até então no cargo de Business Controller, Barbosa foi o primeiro funcionário estrangeiro da empresa, recrutado em 2011, quando ainda morava na China.

Pelo Baidu, o alagoano Barbosa chegou em São Paulo no ano passado, depois de três anos e meio morando no país oriental, para preparar o terreno para a chegada do Baidu ao Brasil e estabelecer relações com parceiros estratégicos. Antes de entrar no Baidu, Wesley teve passagens por empresas como a Elex-Tech, responsável pelo game social Colheita Feliz, e pela chinesa Happy Elements, também do mesmo setor de atuação. "Foram muitas reuniões para apresentar o Baidu, lembro que muitas empresas, da área de tecnologia inclusive, como web e mobile, não o conheciam", explica. "O propósito de fato era trazer o Baidu para o Brasil o mais rápido possível", afirmou em entrevista ao Canaltech Corporate. "O meu trabalho era em volta dos projetos que estavam sendo lançados, e do meu ponto de vista eu senti que o trabalho que me motivou a entrar no Baidu estava feito".

Atualmente o Baidu possui três produtos no país, todos gratuitos: o diretório de links Hao123; o PC Faster, aplicativo para gerenciamento de desempenho de sistemas operacionais; e o Spark Browser, navegador que integra redes sociais. Atualmente o Brasil já é o quinto país mais importante para o Hao123, representando 1,9% do total de acessos do site. Segundo o rankeamento promovido pelo Alexa, a página é a 68ª mais acessada no Brasil.

Wesley afirma que até o final de 2013 o Baidu deve trazer mais produtos para o mercado nacional, entre eles o serviço de buscas – que já está em testes por aqui. O serviço de busca do Baidu é atualmente o segundo maior do mundo, atrás apenas do Google, além de ser o mais utilizado da China.

Apesar de reconhecer que a empresa ainda sofra um pouco com o preconceito que existe no Brasil contra produtos chineses, o executivo afirma acreditar no potencial de inovação e na presença do buscador do Baidu por aqui, mesmo ele sendo o último a chegar no país na disputa pelo mercado de buscadores. "As empresas maiores se esquecem de alguns mercados menores, como o próprio mercado que o Hao123 está pegando hoje. O Baidu tem essa visão de comer esses percentuais esquecidos. Hoje 10% do mercado de search vem dos portais, se uma empresa se aproximar dos portais e transformar seu search em um mecanismo de busca desses portais, da noite para o dia vai ter mordido 10% do mercado. O Baidu é uma empresa que está atenta a isso", afirma.

Desde que chegou ao Brasil, a equipe do Baidu já se expandiu e conta hoje com cerca de dez pessoas, inclusive brasileiros. Há previsão de contratação de profissionais para começar a monetizar as plataformas da marca no país, segundo Barbosa. De acordo com ele, a monetização de produtos deve acontecer "a médio prazo", mas quais plataformas e quando isso deve ocorrer são detalhes estratégicos que não podem ser divulgados.

Na avaliação de Barbosa, o Baidu já enfrentou o desafio inicial de entrar no país e agora está em um momento de planejamento e "talhamento" para otimizar a operação e "inércia" de novos projetos, o que motivou em parte sua saída. "O Baidu está em uma fase meio que esperando as coisas acontecerem", explica. Outro motivo para a saída foi a "falta de visão chinesa sobre a meritocracia" – que costuma privilegiar funcionários que vêm da China em posições estratégicas. "Eles têm uma cultura completamente diferente da nossa, comportamental, voltada para resultados, que muitas vezes deixa de lado as relações humanas", explica. "Uma das coisas que eu mais ganhei é liderança, como aguentar uma cobrança extrema e focada em números e resultados".

Agora, fora do Baidu, Barbosa fechou um acordo para prestar consultoria para uma empresa de aplicativos da Coreia do Sul que também está entrando no Brasil, mas não revela o nome. Além disso, o executivo também tem propostas para trabalhar com empresas norte-americanas e do Brasil. "Eu já passei por empresas de três continentes diferentes, mas preciso de uma experiência mais profunda de marca. É isso que estou buscando agora, ancorar em alguma empresa e me aprofundar nessa experiência", afirma.