Vocalista do Nine Inch Nails está trabalhando com Apple em serviço de streaming

Por Redação | 03 de Novembro de 2014 às 12h26

Dr. Dre e Jimmy Iovine não são as únicas celebridades do mundo da música a assumirem cargos executivos na Apple. Com a compra da Beats Electronics, a Maçã também incluiu Trent Reznor em seus rincões. O músico e vocalista da banda Nine Inch Nails, que também é responsável pela trilha sonora de filmes como “A Rede Social” e “Millenium”, atuava como diretor criativo da companhia de equipamentos musicais e, agora, passa a ocupar um cargo semelhante na Maçã. “É tudo o que eu sempre quis”, disse ele, em entrevista à Billboard.

Ele permanece trabalhando da mesma forma que antes. Mais especificamente, ele é o responsável pelos serviços de streaming e entrega de conteúdo digital para os clientes da Beats. Ou seja, acabou se tornando peça fundamental em um dos grandes motivos por trás da aquisição, que é justamente a entrada da Apple no mercado de música online e a saída gradativa do segmento de venda de faixas por meio da iTunes Store. Foi o motivo que levou a empresa de Cupertino a pagar US$ 3 bilhões pela Beats, em uma das maiores aquisições já feitas no mercado de tecnologia.

Para Reznor, trata-se de causar impacto na vida das pessoas. Segundo ele, o trabalho nestes primeiros meses de Apple tem sido bastante desafiador e bem longe daquilo a que ele estava acostumado, o que acaba sendo uma coisa boa. Por outro lado, ele lamenta que a atuação na Apple vá tirar um pouco de seu tempo para trabalhar com música, mas acredita que seja uma troca que valha a pena, já que pode estar potencialmente mudando a forma com a qual as pessoas se relacionam com a mídia.

Na entrevista, ele passa longe dos objetivos da Apple com a aquisição da Beats e de que maneira o serviço de streaming da empresa vai funcionar, mas diz que esse segmento ainda não atingiu seu verdadeiro potencial: o de resolver todos os problemas dos fãs em relação à escuta de suas faixas preferidas. Para Reznor, o mercado ainda não chegou à fórmula ideal para isso, mas ele trabalha para que isso seja atingido no futuro.

Isso se refere, principalmente, às dinâmicas que são aplicadas hoje em dia. Para o músico, existe toda uma nova geração de crianças e adolescentes consumindo música pelo YouTube, por exemplo, e sofrendo enquanto são obrigadas a assistir anúncios obrigatoriamente. Se tais comerciais já são um problema, o que dizer sobre a compra propriamente dita de faixas? É um mercado que não está mais de acordo com os anseios de hoje e, para Reznor, “ninguém vai pagar nem um dólar por isso”.

Por outro lado, generosidade demais também acaba reduzindo o valor das canções. É o caso, por exemplo, do recente fiasco com o álbum Songs of Innocence, do U2, liberado gratuitamente pela Apple e baixado automaticamente nos dispositivos de muitos usuários, sejam eles fãs da banda, ou não. “Essa falta de pensamento levou muita gente a se sentir invadida”, diz.

É um imbróglio para o qual Reznor não indica a solução, mas não sabemos ao certo se ele já a possui, ou, então, está trabalhando para possui-la. Seja como for, a Apple está em uma boa posição para obter essa resposta, já que não apenas possui a base de usuários como também algumas das mentes mais especializadas desse segmento. Fica, como sempre, a expectativa pelo que ela vai aprontar.

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