Uso de materiais tóxicos leva ONG a lançar campanha contra a Apple

Por Redação | 17 de Março de 2014 às 11h19

A ONG Green America, dos Estados Unidos, lançou essa semana uma campanha contra a Apple pedindo por melhores condições de trabalho em suas fábricas. Segundo o manifesto, cerca de 1,5 milhão de trabalhadores das fábricas da empresa na China lidam diariamente com químicos tóxicos sem nenhum treinamento ou proteção adequados. A campanha clama por um boicote e pede que consumidores mandem uma carta ao CEO da empresa, Tim Cook, denunciando as irregularidades.

"Nós pedimos à Apple que lidere o caminho na proteção da segurança e saúde do trabalhador", diz o site da campanha. São três demandas principais na campanha intitulada "Bad Apple": fim do uso de químicos que prejudicam a saúde dos trabalhadores das fábricas, tratamento médico adequado e fim do abuso de trabalhadores.

De acordo com o blog da campanha, a Apple foi escolhida entre as demais fabricantes de eletrônico porque tem um código de conduta que diz que não se deve entrar em contato com químicos sem treinamento e proteção necessários. Apesar disso, diversas irregularidades foram relatados em fábricas que fabricam e fornecem os produtos da companhia. O documento ainda cita casos de leucemia por exposição ao benzeno, danos nervosos por exposição ao n-hexano e problemas de pele por contato com químicos ácidos sem proteção.

"A Apple é uma das pioneiras na indústria dos smartphones e é auto-proclamada líder em responsabilidade social corporativa. Como uma companhia global massiva, a Apple tem o poder de melhorar as condições de trabalho no setor de manufatura de eletrônicos através da influência que exerce sobre seus fornecedores e competidores", diz o blog da Green America.

No mesmo dia do lançamento do boicote, a Apple veiculou um comunicado no site Computer World. Nele, a empresa afirma liderar a indústria na campanha pela remoção de materiais tóxicos e foi umas das primeiras a eliminar o uso de chumbo, mercúrio, retardantes de chama bromados e PVC de seus produtos. A empresa destacou que cobra de seus fornecedores que sigam os padrões norte-americanos de segurança e que, no ano passado, conduziram "quase duzentas inspeções em fábricas focadas em químicos perigosos para garantir que essas instalações estejam de acordo com nossos rigorosos padrões". Em reposta ao comunicado da Apple, a Green America lembrou que benzeno e n-hexano ainda são usados nas fábricas da empresa e estão prejudicando a saúde dos trabalhadores.

Além da Green America, a campanha "Bad Apple" conta com o apoio do jornal norte-americano The Nation e das ONGs China Labour Watch e Estudantes e Intelectuais Contra o Mal-Comportamento Corporativo, ambas provenientes da China.

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