Treinamento é coisa do passado

Por Colaborador externo | 06.11.2014 às 08:00

Por Alex Eduardo Braga*

No ambiente corporativo, todos nós já passamos por algum tipo de treinamento, seja ele para adquirir a prática necessária, para executar uma nova função ou para aprimorarmos um conhecimento já existente. Boa parte de nós já percebeu aquilo que em breve deverá se tornar óbvio para a maioria: treinamento está virando uma coisa do passado.

A intenção não é desmerecer uma mais nobres qualidades que o ser humano possui, que é a capacidade de compartilhar o seu conhecimento. O treinamento está se tornando uma coisa do passado, sim, quando refere-se as extenuantes rotinas de repetição manual ou mental, as quais muitos enfrentam para deter aptidão e conhecimento para executar alguma atividade. Este tipo de treinamento provou ser muito eficaz no passado, quando as corporações precisavam apenas treinar mão-de-obra para suas operações.

Como todos sabem, em alguns setores de nossa economia, apenas a mão-de-obra por si só já não é mais suficiente para prover as soluções necessárias em uma organização. Em contrapartida, a automatização em larga escala suprimiu uma parcela considerável da mão-de-obra tradicional, direcionando assim o foco das atividades de muitas pessoas para as tarefas de planejamento e controle.

Nos dois exemplos acima, há uma lacuna na qual os treinamentos de antigamente não são mais capazes de preencher, pois independente do nível de repetição ou abstração necessário em uma atividade, a simples execução mecânica de tarefas manuais ou mentais não fornece mais o diferencial para que uma organização consiga atingir a excelência em seus objetivos.

Mais do que simplesmente instruir um novo ou antigo colaborador de uma empresa, é imprescindível começar a entender que hoje se faz necessário não apenas treinar as pessoas, mas sim doutriná-las. Antes o treinamento tinha como foco dar apenas a instrução necessária para que uma pessoa pudesse executar as suas funções. Hoje, além de ensinar as pessoas a executar as suas tarefas dentro da organização, temos que compartilhar com ela crenças e valores não só de natureza corporativa, mas também humanos e sociais, para que, além de apenas um simples diferencial, o trabalho de cada um possa também ter um significado singular em nossas vidas e em nossa comunidade.

A partir do momento que entendemos que uma organização é composta de pessoas e deve ter como propósito principal servir a outras pessoas, de forma que não sejam apenas através das relações de comércio, compreendemos que a maioria dos consumidores não deseja mais apenas um produto ou serviço, mas sim que está em busca destas mesmas crenças e valores na qual devemos decidir, escolher, acreditar e compartilhar com outros colaboradores.

O que comprova este novo cenário é a proporção cada vez maior de instituições públicas e privadas que estão assumindo compromissos sociais e a sua constante preocupação com os indicadores de desempenho de seu atendimento como, por exemplo, o Reclame Aqui. De forma a envolver os seus próprios colaboradores neste conceito de relacionamento, o treinamento deixa de ser apenas uma maneira de ensinar tarefas para se tornar também uma forma de propagar atitudes, dentro e fora da empresa.

*Alex Eduardo Braga é analista de suporte da Store Automação, companhia de Tecnologia da Informação especializada no setor logístico