Transição gera resultados negativos para o setor de dispositivos da Nokia

Por Redação | 29 de Abril de 2014 às 17h02

A transição do negócio de dispositivos da Nokia para as mãos da Microsoft gerou um resultado incrivelmente negativo para a marca finlandesa, conforme foi revelado por relatório financeiro divulgado nesta terça-feira (29). De acordo com a companhia, as perdas durante os três primeiros meses de 2014 foram de US$ 452 milhões apenas nesse setor, cuja venda foi concluída na semana passada.

O resultado marca uma queda de 30% nas vendas de dispositivos, um resultado esperado em um período que a empresa passou mais focada em seus negócios internos do que na divulgação de novos aparelhos. O foco agora é completar a passagem de seus aparelhos, tecnologias, fábricas e executivos para as mãos da Microsoft, enquanto a Nokia realiza um processo de reestruturação para se adequar à sua nova forma.

A demora na conclusão do negócio também foi citada como responsável por uma queda no faturamento total da empresa, que no primeiro trimestre de 2014 chegou a US$ 9,5 bilhões. Caso ela tivesse sido concluída antes disso, o aumento nessa receita seria na casa de US$ 7,5 milhões, um grande fluxo de dinheiro para que a companhia pudesse seguir suas operações daqui em diante.

A demora na conclusão da negociação, porém, carregou uma pequena boa notícia, pelo menos para a Nokia. A expectativa da empresa é que o valor final da compra de seu setor de dispositivos seja cerca de US$ 230 milhões maior que o acordado inicialmente, devido a ajustes relacionados à análise de capital e ganhos em dinheiro realizados durante o primeiro trimestre. Essa soma adicional, segundo o relatório, será paga ainda durante este segundo semestre.

Sendo assim, o valor total da transação entre Nokia e Microsoft deve chegar a US$ 7,7 bilhões. Por esse preço, a empresa de Redmond passa a possuir toda a divisão de dispositivos da finlandesa, trazendo para si a fabricação de celulares com o sistema operacional Windows Phone e controle sobre todas as etapas desse processo, desde o desenvolvimento da plataforma até a chegada dos aparelhos às lojas.

Durante o trimestre, a Nokia também notou um declínio na venda de celulares comuns, na mesma medida em que houve um aumento no que a empresa chama de “smart devices” – um título que compreende todos os smartphones da companhia, incluindo aqueles que rodam outros sistemas operacionais que não o Windows Phone.

Não se sabe ao certo a extensão do sucesso dos recentes aparelhos da Nokia com Android, por exemplo, já que a fabricante não revelou números associados a cada uma de suas plataformas. Mas, como cita o TechCrunch, há menção à queda nas vendas de aparelhos com o sistema operacional da Microsoft em relação ao último trimestre de 2013, quando 8,2 milhões de celulares com Windows Phone foram comercializados.

Preparada para seguir

Enquanto a divisão de dispositivos foi o foco de atenção negativa, o exato contrário pode ser dito sobre o segmento de redes da Nokia. O setor, que será um dos maiores da empresa após a negociação com a Microsoft, registrou sozinho um aumento de 10% nos lucros e 9,3% nas vendas em relação ao mesmo período do ano passado. Os ganhos aqui foram de US$ 270 milhões.

Os resultados também foram positivos no setor HERE, responsável pelos serviços de mapa e geolocalização. Aqui, houve aumento de 13% nas vendas, motivadas principalmente por novos clientes do mercado automotivo, que adotaram a solução em veículos recém-chegados ao mercado.

Por fim, o setor de Tecnologias, onde estão separadas as patentes e inovações registradas pela Nokia, também teve lucro. Acordos feitos com a HTC, por exemplo, geraram ganhos de US$ 118 milhões durante os três primeiros meses de 2014, um total que deve continuar crescendo pelos próximos meses enquanto a marca finlandesa vê ideias próprias sendo licenciadas por outras fabricantes de smartphones.

Rajeev Suri

São boas notícias para o executivo Rajeev Suri, que assume agora como presidente da companhia após uma gestão considerada bem-sucedida no segmento de redes, justamente o que apresentou melhores margens no primeiro trimestre. É ele o responsável pela finalização do planejamento estratégico da companhia e posterior comando enquanto ela deixa de ser conhecida como uma das principais fabricantes de celulares do mercado.

Em sua última declaração como CEO interino da Nokia, Risto Siilasmaa afirmou que a empresa encontra-se sobre bases sólidas para seguir em frente e deposita toda sua confiança em Suri, que já mostrou seu bom trabalho na divisão de redes. Ele deixou claro, porém, que mesmo com a diminuição de seus negócios, o objetivo da empresa continua o mesmo: fazer diferença positiva na vida das pessoas.

A revelação dos resultados fez bem às ações da Nokia, que passaram a operar com alta de 6% após a divulgação do relatório.

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