Tim Cook vai à Casa Branca discutir a criptografia dos produtos da Apple

Por Redação | 10 de Fevereiro de 2015 às 14h44

Nesta sexta-feira (13), o CEO da Apple, Tim Cook, é esperado para se pronunciar em uma cúpula de segurança na Casa Branca. Tal ocasião faz parte de um debate importante sobre o uso de criptografia das empresas de tecnologia, em especial a Apple, onde o executivo deve falar sobre o motivo dos dispositivos da Apple esconderem tão facilmente informações de criminosos.

Certamente, Cook terá uma ótima explicação para isso. Mas essa questão é de grande importância para o governo americano e vai para o centro de questões sobre vigilância doméstica, privacidade do consumidor e segurança nacional. Em agosto de 2013, vários líderes de empresas de tecnologia, incluindo Tim Cook, foram à Casa Branca para discutir a privacidade dos cidadãos, depois da repercussão sobre o caso de espionagem envolvendo os EUA.

Nos últimos meses, Apple e outras empresas têm endurecido sua posição sobre a criptografia, introduzindo em seus novos aparelhos um forte nível de segurança por padrão, que dificilmente pode ser decifrada mesmo que a lei esteja a favor da coleta de dados de um determinado usuário. Essa certamente é uma boa atitude para os consumidores que poderão ter maior privacidade ao utilizarem seus aparelhos. No entanto, isso não é nada interessante para agências do governo, como a NSA, que precisa de informações de espionagem para manter o controle de suas operações.

Uma outra situação ruim levada pela implantação de uma forte criptografia nos dispositivos é a dificuldade de capturar terroristas e outros criminosos perigosos. A criptografia praticamente inviabiliza a busca por informações e rastreamento de potenciai suspeitos, permitindo que eles se comuniquem em segredo. Um oficial da polícia americana afirmou que o iPhone se tornará o "telefone favorito dos pedófilos".

É compreensível a preocupação das agências de segurança com a criptografia presente de maneira generalizada nos novos aparelhos do mercado. Elas estão perdendo o acesso a fontes de informações que antes possuíam com facilidade. Por outro lado, os defensores da criptografia argumentam que ela é importante para não enfraquecer a segurança dos dispositivos e, consequentemente, expor os dados dos usuários.

O primeiro-ministro britânico, David Cameron, também indicou que pretende proibir a forte proteção criptográfica se ele for o vencedor das eleições, em maio de 2015. "Queremos permitir que exista um meio de comunicação entre duas pessoas, mesmo com um mandado assinado, que não seja possível de ser lido?", perguntou o primeiro-ministro. "Minha resposta a esta pergunta é não, não devemos".

O site The Hill relata que um representante do Departamento de Justiça dos EUA disse que "as crianças morreriam como resultados da incapacidade dos investigadores de acessarem os dispositivos da Apple".

Com tais argumentos contra ao sistema de criptografia adotado pela Apple e outras empresas, Tim Cook terá seus comentários acompanhado de perto na Casa Branca. Em uma carta aberta no site da Apple, Cook já afirmou que a empresa "nunca trabalhou com qualquer órgão do governo de qualquer país para criar um backdoor em algum dos nossos produtos ou serviços. Também nunca permitimos acesso aos nossos servidores".

Após o vazamento de fotos íntimas de celebridades no ano passado, Cook se pronunciou em uma entrevista afirmando que "a imprensa publicou que as pessoas tinham backdoors para os servidores da empresa". O CEO negou o fato dizendo que "nada disso é verdade. Nós nunca permitimos que isso acontecesse."

Segundo o site Apple Insider, o presidente Barack Obama irá falar sobre sua mais recente ação de cibersegurança na conferência da Casa Branca. Ele apela para "uma maior cooperação entre as empresas de tecnologia dos Estados Unidos e do Departamento Nacional de Cibersegurança".

Fonte: http://www.businessinsider.com/tim-cook-white-house-cybersecurity-summit-stanford-encryption-2015-2

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