Tim Cook na mira do The New York Times: jornal critica futuro da companhia

Por Redação | 17.06.2014 às 13:50

"Quando pequeno, ainda nos anos 70, numa pequena cidade do Alabama, Estados Unidos, Tim Cook viu uma cena que mudaria sua vida para sempre: uma cruz em chamas sobre uma casa de negros fora ateada justamente por um diácono de uma igreja local." É assim que começa um perfil polêmico construído pelo jornal The New York Times, sobre o novo chefão da Apple. A matéria, que não tem a participação de Cook – ele recusou-se a dar entrevista – desenha um pouco do atual panorama da Maçã pós Steve Jobs.

O episódio descrito acima teria movido Cook a, desde então, prestar mais atenção nos direitos humanos, ainda que discretamente. Conhecido por atuar bem nos bastidores, o executivo, de 53 anos, vem conseguindo uma "vitória silenciosa" em alguns pontos, mas, por outro lado, o comportamento, que pra muitos chega a soar como certa "passividade" ou "relapso", tem assustado um pouco os investidores.

De acordo com o The New York Times, mesmo com o aumento de receita dos US$ 65 bilhões de 2010 para os US$ 171 bilhões de 2013, há a incerteza de que ele continuará com fôlego para manter ou aumentar esses números daqui pra frente. Mesmo em 2013, houve pouco crescimento em relação a anos anteriores – 9% – e o preço das ações caiu quase pela metade entre 2012 e meados de 2013.

As críticas começam a pipocar por todos os lados, especialmente entre os grandes investidores, que ainda procuram pela genialidade de Steve Jobs em Tim Cook, como se um iWatch ou uma iTV fossem suficientes para trazer novamente a "magia" à Apple.

Para o chefe de mercado da Oracle Investiment Research, Laurence Balter, por exemplo, falta justamente um grande projeto para a Apple se apoiar, como o iPod, o iPhone ou até mesmo os iMacs foram no passado. "Tudo o que ouvimos de Cook é 'existem alguns grandes produtos a explorar'."

O responsável pelo sempre elogiado design da Apple, Jonathan Ive, afirma que falta a Cook a constante inovação das visões de Jobs. "Honestamente, acho que nada mudou." Uma das coisas que mais preocuparam, além de design pouco inovador e produtos headliners capazes de surpreender crítica e público, foi até mesmo uma mudança de postura na companhia.

Ao invés de introduzir software e hardware em conjunto, como de praxe, a Apple mostrou no recente Worldwide Developers Conference uma plataforma para saúde, o HealthKit, sem um aparelho ou dispositivo capaz de exibir todas as funções da novidade.

Além disso, muita gente vem há três anos esperando por novidades exclusivas da Apple e o que os seguidores mais fervorosos viram, ao invés disso, foram anúncios de desenvolvimento de apps para então rivais, como o Android.

Comparações

Para muitos desenvolvedores, Steve Jobs está para John Lennon como Tim Cook está para Ringo Starr. Em outras palavras, seria dizer que, apesar de genioso, Jobs sempre representou a força criativa e espiritual da Apple, enquanto Cook manteve os pés no chão, é o "lado racional" da empresa.

O comportamento de Cook, no entanto, tem soado "racional" demais para vários setores, que sentem a falta da criatividade e até mesmo da "chatice" de Jobs. "Isso precisa ser mágico! Volte, isso não é mágico o suficiente!" é o que Jobs costumava dizer a Francisco Tomalsky, engenheiro da Apple.

Segundo os funcionários, Jobs trabalhava muito perto de quem efetivamente fabricava os aparelhos, o que, apesar de tornar o dia-a-dia mais árduo, também trazia resultados finais mais impactantes.

"Steve estabeleceu um padrão de valores e preocupações e tons que são resistentes ao tempo", complementa o chefe de Design da companhia, Jonathan Ive.

Respostas

Como resposta, Cook tem realizado manobras financeiras que ajudaram a manter a fé dos acionistas e tem aproximado a Apple do mercado chinês. Também tem apostado em novidades como a Beats, comprada por US$ 3 bilhões das mãos dos músicos Dr. Dre e Jimmy Iovine.

Além disso, mesmo silencioso, Cook vem fazendo o que todo mundo diz que pretende mas que poucos efetivamente vêm realizando: fabricar aparelhos com pensamento mais global e a preços mais justos.

Foi dele a ideia de fazer um tablet menor e a preço mais acessível, o iPad Mini. Assim como foi ele quem determinou que o iPhone viesse em duas versões, o iPhone 5S e o iPhone 5C. Cook também valorizou o mercado estadunidense ao construir a fábrica de iMacs no Arizona e vem usando energia 100% renovável em data centers.

Enfim, Cook tem suas vantagens e desvantagens, como qualquer líder. Sua posição entre uma das maiores companhias do mundo certamente destacam suas falhas, assim como suas virtudes. Contudo, há uma comparação injusta a algo que é imutável: Cook não é Jobs.

E você, o que acha da gestão de Cook até o momento?

Fonte: http://www.nytimes.com/2014/06/15/technology/tim-cook-making-apple-his-own.html?_r=1