Tim Cook, da Apple, se reúne com autoridades chinesas para falar de segurança

Por Redação | 22.10.2014 às 15:26

Detonados há um ano, os escândalos de espionagem ostensiva praticados pelo governo dos Estados Unidos parecem ter enfraquecido grandemente as relações entre empresas de tecnologia e as autoridades. Uma possível prova disso é o encontro entre o CEO da Apple, Tim Cook, e o vice premier chinês Ma Kai, que teria acontecido nesta quarta-feira (22) em Pequim e que teve a segurança como principal assunto.

As informações sobre a reunião, claro, não foram reveladas ao público. Mas de acordo com a agência de notícias chinesa Xinhua, um dos principais assuntos teria sido a segurança digital e a privacidade dos usuários de iPhones, iPads e da plataforma iCloud. O objetivo do encontro era a troca de ideias sobre proteção de informações e confidencialidade não apenas dos utilizadores, mas também de segredos comerciais e governamentais.

Além disso, Cook teria abordado com Kai a recente descoberta de que agências de espionagem da China teriam acessado informações dos usuários de iPhone no país asiático. Existem relatos de redirecionamento de tráfego a partir do iCloud e também ataques direcionados à infraestrutura do serviço de computação nas nuvens, que serve como um backup de todas as informações armazenadas nos aparelhos dos clientes da Apple.

De acordo com as informações oficiais publicadas pela empresa, foram detectados ataques “organizados e intermitentes”, destinados a redirecionar o tráfego de alguns usuários a uma cópia do site oficial da Apple. A ideia era obter dados das vítimas e ganhar acesso às contas dessas pessoas no iCloud. Apesar de a própria Apple não ter associado a ação ao governo chinês, especialistas de segurança, segundo o The Verge, teriam apontado a origem dos ataques em prédios governamentais.

A China é um território importante para a Apple, principalmente quando o assunto são seus dispositivos mobile. A Maçã firmou, recentemente, uma série de acordos com operadoras de telefonia do país e trabalha para disponibilizar seus celulares por lá o mais rápido possível, de forma a se aproveitar da gigantesca quantidade de consumidores ávidos por tecnologia no território.

Apesar de toda a discussão sobre segurança e espionagem, as relações entre a China e as empresas de tecnologia parecem ter também seu lado bom. Recentemente, a Universidade Tsinghua, na capital, nomeou não apenas Tim Cook, mas também Mark Zuckerberg, do Facebook, e o próprio vice premier Ma Kai como membros do conselho de seu departamento de Economia e Administração.