Terno e gravata são aposentados e dão lugar à bermuda no ambiente corporativo

Por Redação | 12.02.2014 às 13:45
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No que promete ser um dos verões mais quentes da história do país, algumas empresas adotaram uma medida que beneficia muita gente que costuma trabalhar de terno e gravata. E, querendo ou não, também abrem um capítulo à parte na história do mundo corporativo: o uso das bermudas dentro do ambiente de trabalho. Saiu na EXAME.

A TOTVS é uma dessas companhias. No final de janeiro, a companhia deixou de lado o dress code e liberou as bermudas. No dia a dia, "o que não pode é o exagero", afirma Cristiano Brasil, diretor de Recursos Humanos da empresa, que também aderiu ao traje.

Noel Portugal, diretor de sales e marketing da Emphasys, também aprova o uso da bermuda, e deixa uma calça reservada no armário para usar apenas em situações de emergência, como uma reunião de última hora ou visita a um cliente. Já seu colega Marcelo Leite Barros, agile coach da empresa, fez o inverso: foi à corporação com o traje mais conservador para participar de reuniões com clientes e, no período da tarde, vestiu uma bermuda.

No grupo Newcomm, a nova norma vale só até o dia 30 de março para algumas áreas e agências, como é o caso do back office. Contudo, a diretora administrativa e RH do grupo, Elise Passamani, afirma que o prazo pode ser revisto. "Não vejo muito problema se todo mundo tiver bom senso e usar uma bermuda adequada para o ambiente de trabalho", afirma.

Mas houve quem relutasse em fazer uso da bermuda. É o caso de Lusa Silvestre, redator da McCann, que declara que não iria "de jeito nenhum" de shorts ao trabalho, mas hoje já aderiu ao movimento duas vezes por semana. "Se você é um diretor de marketing e vai visitar o cliente de bermuda não é muito aceitável. Tudo é uma questão de adequação ao ambiente", diz.

A regra em todas as empresas é a mesma: o dress code do cliente, parceiro ou fornecedor é o que vale - no caso, se o funcionário precisar entrar em contato pessoalmente com algum deles. Também vale lembrar que as bermudas estão permitidas, mas chinelos, shorts de academia, camisetas regatas ou de time devem ficar fora do expediente.

No Rio de Janeiro, a prefeitura da cidade também autorizou a substituição da calça pelos shorts - afinal, as temperaturas na capital carioca têm ultrapassado quase todos os dias a casa dos 40º C. O decreto, assinado em 18 de dezembro, deve valer até o próximo 31 de março. A ideia de aposentar o uso das roupas sociais na estação mais quente do ano surgiu em 2003, quando o então prefeito do Rio César Maia liberou o uso de bermudas para servidores municipais, motoristas de ônibus, táxis, vans e kombis. Desde então, a emenda tem sido reeditada todos os anos e vale durante o verão inteiro.

E as bermudas no ambiente corporativo serviram de gancho para a ideia de um trio de publicitários cariocas, que criaram um site e uma fan page no Facebook para lançar o movimento Bermuda Sim. A campanha teve início em 12 de janeiro e tem como objetivo incentivar os chefes a liberar a peça no trabalho, principalmente agora nos dias mais quentes e abafados.

Não demorou para a ideia se espalhar e bater recordes nas últimas semanas. De acordo com Vitor Damasceno, um dos criadores da plataforma, 18 mil e-mails foram enviados para os cabeças de várias corporações em quase um mês e pelo menos 500 companhias aceitaram o desafio, entre elas escritórios de advocacia que anunciaram um breve descanso para a gravata e o paletó.

Mesmo com a adesão das bermudas, algumas empresas ainda não acham vantajoso liberar a peça no ambiente de trabalho. Foi o caso do ilustrador André Amaral Silva, funcionário do governo do Estado do Rio: depois de passar dois anos em um local sem ar condicionado e até tentado buscar uma solução com os seus superiores, o rapaz decidiu ir trabalhar de saia. No mesmo dia em que publicou uma foto da atitude no Facebook, a imagem alcançou mais de 7 mil curtidas e mais de 4 mil compartilhamentos.

Bermuda no trabalho