Teletrabalho - uma alternativa para a mobilidade urbana em São Paulo

Por Colaborador externo | 12.05.2014 às 17:21

Por Cláudio Gonçalves dos Santos e Alvaro Mello*

O objetivo deste artigo é demonstrar como o Teletrabalho, também conhecido como trabalho a distância, pode contribuir para melhorar a mobilidade urbana e a qualidade de vida em grandes metrópoles como São Paulo, contribuindo para diminuição do trânsito, menos emissão de gases poluentes, aumento de produtividade do trabalho, inclusão social, dentre outros fatores.

Em São Paulo, o tempo médio de deslocamento do trabalhador de casa até o trabalho é de 42 minutos (somente de ida), de acordo com recente estudo elaborado pelo Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada (IPEA). O trabalhador que mora na região Leste e trabalha na zona Sul demora cerca de quatro horas no deslocamento de ida e volta. No dia 27 de julho, a CET registrou 300 km de lentidão no trânsito, em pleno mês de férias.

Os custos com tarifas de transporte público (ônibus, trem e metrô) na cidade de São Paulo são os maiores do mundo, comparando-se ao poder aquisitivo do brasileiro. Desta forma, esta situação acaba também agravando o quadro sócio-econômico-ambiental, quando se constata, por exemplo, que os ônibus urbanos estão sempre superlotados e se deslocando em baixa velocidade, juntamente com os automóveis.

Diante da necessidade de se encontrar soluções para a melhoria da mobilidade urbana nas grandes cidades, redução das emissões de poluentes e melhoria da qualidade de vida da população, propõe-se a utilização do Teletrabalho como estratégia organizacional (pública e privada) sustentável.

O Teletrabalho possibilita muitos benefícios para empresas, governos, comunidades e para os trabalhadores e suas famílias. Sua implementação deve ser feita de forma gradual, respeitando a cultura organizacional, para que os benefícios possam ser alcançados por todos. Projetos de teletrabalho implantados de forma adequada, se tornam bem sucedidos, agregando valor para as empresas e melhorando a qualidade de vida dos funcionários. Alguns benefícios se sobressaem:

1) Aumento de Produtividade: Gestores que adotaram o Teletrabalho têm relatado que seus funcionários são entre 8% e 40% mais produtivos que os colegas que permanecem no sistema tradicional. Um estudo da Organização Internacional do Trabalho (OIT) apontou que as melhorias de produtividade foram de cerca de 11% entre os teletrabalhadores. De acordo com o Instituto C. Grantham para o Estudo da Distribuição do Trabalho, pode-se obter US$ 2 de aumento da produtividade para cada US$ 1 gasto em equipamentos.

2) Economia de espaço: A quantidade de espaço economizado em metro quadrado depende da atividade de cada empresa. Em cenário de preços de aluguel de lajes corporativas crescente, o Teletrabalho se apresenta como uma boa opção para redução de custos e despesas operacionais, além de gastos com investimentos.

3) Recrutamento e retenção: A empresa ou organização que é capaz de oferecer flexibilidade na jornada de trabalho semanal pode reduzir a rotatividade de pessoal em até 20%, de acordo com algumas pesquisas.

4) Absenteísmo: Pessoal ausente custa em média US$ 400 por dia na Austrália, de acordo com o Jornal Australian Post. No Brasil este custo fica em torno de 1,5% a 4,0% sobre a folha de pagamento das empresas, considerando somente custos diretos. Os custos indiretos são superiores em 4 ou 5 vezes. Portanto, a adoção do teletrabalho diminui o absenteísmo e traz economia para a empresa e/ou organização governamental.

5) Moral: Foram relatadas melhorias na moral da equipe em até 75%, em empresas que adotaram o teletrabalho.

6) Carbono Neutro: Empresas que adotam o Teletrabalho deixam de emitir gases poluentes, influindo positivamente na imagem institucional e contribuindo para sua responsabilidade social e ambiental, agregando, portanto, valor ao negócio.

7) Serviço: Os clientes relatam respostas mais rápidas e melhores aos serviços dos funcionários que participam do teletrabalho, resultando em melhor relacionamento com seus públicos.

8) Economia Financeira: Redução de gastos com ar-condicionado, iluminação, telefonia, estacionamento, aluguel, alimentação, dentre outros.

9) Economia de tempo: Se o teletrabalhador consegue fazer seu trabalho em menos tempo, sobra mais tempo para a família, para compras, esporte e outras atividades.

10) Redução de Despesas: As famílias economizam em combustível, manutenção de veículos, roupas e alimentação fora de casa.

11) Inclusão social: trabalhadores com deficiência, idosos e aposentados podem voltar ao mercado de trabalho, melhorando sua qualidade de vida.

O Teletrabalho é um componente crítico de uma economia verdadeiramente sustentável. Não só é ambientalmente saudável, mas aumenta a produtividade local e os ganhos de todos os residentes. Em estudo do governo americano no estuário de Puget Sound, estado de Washington, a implantação do teletrabalho reduziu o consumo de energia em 10%. Em artigo publicado no Washington Post, em 2004, Laurie Schintler, professor de Políticas Públicas da George Mason University, estima que o tráfego em Washington, DC poderia cair 10% para cada 3% de pessoas que adotem o teletrabalho. Os custos com prestação de serviços e com a Infra-estrutura urbana nas grandes cidades poderiam ser reduzidos. Vários outros benefícios podem ser conquistados, nas esferas pública e privada.

Tais possibilidades exigem uma reflexão por parte de empresas e governos, para uma contribuição positiva para melhoria da qualidade de vida nos grandes centros urbanos. Os problemas que os grandes centros urbanos como São Paulo enfrentam requerem soluções inovadoras e rápidas para o bem comum. A copa do mundo de 2014 e as Olimpíadas de 2016 estão chegando. O que os gestores públicos estão fazendo para melhorar a mobilidade urbana?

* Cláudio Gonçalves dos Santos é economista, mestre em Finanças e professor da Escola Trevisan de Negócios. Álvaro Mello é doutor em administração de empresas.