Telefônica fecha acordo e adquire GVT por R$ 22 bilhões

Por Redação | 19 de Setembro de 2014 às 11h21

Após muita negociação, a Vivendi finalmente concluiu o acordo de venda da operadora brasileira GVT para a Telefônica, da Espanha. Por US$ 9,29 bilhões, o negócio transforma a companhia na maior empresa de telecomunicações do Brasil, englobando internet banda larga, telefonia fixa, celulares e outros serviços.

Todo o processo ainda depende de aprovação regulatória no Brasil, mas a ideia é que a união passe sem problema algum pelas autoridades nacionais. A Vivendi irá receber sua parte na negociação em forma de € 4,66 bilhões em dinheiro e 7,4% de participação na Telefônica Brasil, o grupo que será formado após a união entre todas as operadoras. Além disso, a companhia francesa vai receber uma parcela de 8,3% de capital votante na Telecom Italia, empresa com a qual o grupo espanhol vinha tendo uma relação conturbada já há alguns anos.

Aqui, há benefícios para ambos os lados. Para a Telefônica, além de ampliar sua participação no Brasil, a ideia é melhorar a oferta de serviços integrados que forneçam aos clientes o acesso à internet banda larga ao lado de opções como telefonia fixa e TV a cabo. Os combos, como são chamados, têm feito bastante sucesso por aqui e são responsáveis por movimentar as receitas das companhias do setor.

Por outro lado, a venda é parte importante do processo de reestruturação da Vivendi, que já há alguns anos vem vendendo empresas ou diluindo sua participação em outras para pagar dívidas. O foco da companhia, agora, está em produtos de conteúdo e mídia e, justamente por isso, ela está abrindo mão de boa parte de seus negócios relacionados a telecomunicações e videogames.

É justamente no ensejo desse novo posicionamento que a nova participação na Telecom Italia pode se tornar importante, já que pode abrir caminho para parcerias com empresas de televisão a cabo e streaming na Europa. Agora, a empresa espera a conclusão da venda, que deve acontecer em meados de 2015, para começar a investir nesse tipo de negócio fora do Brasil.

Crescimento em união

Mais do que isso, a união com a Telefônica acaba com um dos principais problemas vistos pelo executivo Amos Genish, presidente da GVT. Em entrevista à Exame, ele disse que o Brasil já tem operadoras de comunicação demais e que esse cenário envolveria cada vez mais custos em infraestrutura e serviços, que poderiam dificultar a expansão das companhias por aqui.

Apesar da junção, ele afirma que as duas companhias permanecerão funcionando de forma independente pelo menos por algum tempo, principalmente por terem bases bem diferentes. O que Genish chamou de “cultura baseada em desempenho” foi o que manteve a GVT como um negócio lucrativo aos olhos da Vivendi e, agora, motivou as negociações bem-sucedidas com a empresa espanhola.

Foi justamente essa prática, que ele considera diferenciada, que levou à triplicação de valor de mercado da GVT. Em 2009, quando a Vivendi comprou a GVT, o valor pago foi de cerca de R$ 7,7 bilhões. Agora, esse total ultrapassa os R$ 22 bilhões, o que, para Genish, se trata de um resultado direto do bom trabalho que vem sendo feito junto aos clientes, responsáveis por um contínuo aumento nas receitas e no cumprimento com folga de todas as metas e perspectivas.

Na visão do executivo, o grande foco é a união no foco de investimento, já que o grupo poderá aplicar de uma única vez em infraestrutura, vendendo serviços unificados e trabalhando sob o mesmo teto. Além disso, a força do grupo pode reduzir os custos de licenciamento principalmente no segmento de TV a cabo, no qual Genish cita HBO e Globo – controladora de canais como Telecine, Multishow e outros – como os principais focos de negociação.

Para o futuro próximo, Genish prevê mais fusões e vendas de empresas. Os olhares, agora, se voltam principalmente para a TIM. Segundo a Telecom Italia, a empresa não está à venda, mas a situação da companhia se torna cada vez mais difícil sem uma aliança com operadoras de internet e telefonia fixa no Brasil. A pluralidade do mercado fez com que as receitas de todas as companhias caíssem, enquanto surgem mais e mais opções que usam a internet e não as chamadas, que seriam a grande fonte de dinheiro.

Além da TIM, ele cita também a DirecTV e a Nextel como outras duas companhias que estariam na mesma situação. É por isso que o executivo tem motivos para sorrir quando se trata do negócio. Na visão dele, é impossível prosperar com um negócio baseado em um único segmento e quem quiser crescer deve apostar na união de produtos como banda larga, celular e TV por assinatura, justamente o que a GVT está fazendo agora ao lado da Telefônica.

Com tudo isso, ele considera estar em um bom patamar para continuar mantendo o bom serviço prestado. A grande empresa criada estaria preparada até mesmo para a chegada de um novo player, como Vodafone ou AT&T, permanecendo em uma posição forte para manter a concorrência, bons preços para os assinantes e, acima de tudo, os altos lucros que tanto agradam acionistas e executivos.

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