Tecnologia na sala de aula: como um sistema educacional pode modernizar escolas

Por Caroline Hecke | 08.05.2014 às 15:26

No mês passado, a McAfee e a Ábaco Research divulgaram uma pesquisa indicando que, no Brasil, jovens e adolescentes usam a tecnologia sem qualquer orientação, já que 75% dos pais assumem estarem tecnologicamente ultrapassado.

Por aqui, a alfabetização digital caminha a passos lentos, diferente do que ocorre em países como os Estados Unidos, por exemplo, em que a tecnologia atual faz parte do dia a dia escolar. Mas algumas empresas e instituições estão dispostas a mudar esse cenário. Uma delas é a Sem Fronteiras.

Sediada em Curitiba, a empresa cria sistemas educacionais digitais completamente interativos com a proposta de inserir a escola em um ambiente virtual, mais próximo da realidade do aluno fora da sala de aula. Com isso, o sistema diminui a evasão e faz com que o aluno se sinta mais a vontade com as aulas e lições apresentadas.

A maior experiência da companhia é com escolas públicas. Segundo Vanessa Bolsi de Araújo, Diretora de Projetos da Sem Fronteiras, esse foco existe desde a abertura da empresa, há 16 anos, o que fez com que a companhia se destacasse por sua inovação na área.

Os números apresentados pela Sem Fronteiras são impressionantes: até hoje, a empresa já atendeu a mais de 90 mil alunos, além de ter preparado mais de 35 mil professores nas rede pública e privada.

Vanessa conta que o sistema é utilizado em instituições urbanas e rurais, o que exige a adequação de conteúdo para cada realidade. Além disso, as aulas devem ser adaptadas conforme os pré-requisitos de cada prefeitura. “Cada Secretaria Municipal de Educação tem suas exigências, por isso temos equipes para atender a todos os públicos”, complementa.

Digitalização da educação

Para que tudo funcione da melhor maneira, o primeiro passo da Sem Fronteiras é a criação de um diagnóstico técnico e a prestação de assistência para que a escola esteja preparada para receber o novo sistema.

Segundo Vanessa, o investimento principal é no próprio software, que pode funcionar em computadores (Linux e Windows), tablets e lousas digitais. Tudo isso para que a escola não tenha que readequar toda a sua estrutura e possa aproveitar os equipamentos já existentes no âmbito escolar.

aula

Imagem: Divulgação/Sem Fronteiras

Viviane ressalta que todo o sistema criado pela Sem Fronteiras exige apenas a instalação de softwares livres, algo que elimina limitações orçamentárias e tecnológicas, uma das principais barreiras para o uso da tecnologia nas escolas.

Inclusão digital do aluno ao professor

Para que o ciclo seja completo, os projetos de inclusão começam pelos professores. Antes de levar o sistema digital às escolas, a empresa faz um treinamento de 40 horas com todos os professores que utilizarão o software.

Esses professores aprendem não só a utilizar o software da empresa, mas também recebem orientações técnicas para a solução de problemas comuns nos equipamentos, já que muitos deles não têm intimidade com a tecnologia. “Essa semana, por exemplo, concluímos o treinamento com uma professora com mais de 80 anos de idade”, complementa Vanessa.

Sem Fronteiras

Imagem: Divulgação/Sem Fronteiras

Para os alunos, a inclusão não tem tanto foco no uso da tecnologia em si, já que é algo bastante intuitivo para as novas gerações, mas sim no uso responsável da web e das redes sociais.

“Com base no plano de aulas, o professor pode estimular discussões sobre a responsabilidade de comentários em redes sociais, por exemplo, para que as crianças entendam que frases ofensivas devem ser evitadas”, diz Vanessa.

Responsabilidade social

Segundo Vivian Yamada, Gerente de Relacionamento da Sem Fronteiras, todos os projetos da empresa têm vida curta para que se mantenham atualizados. Os projetos são entregues para as escolas a cada bimestre, por isso, diversos temas atuais são apresentados nas aulas. Assim, o material escolar não fica com conteúdo defasado.

Dessa forma o sistema permite que o professor utilize a tecnologia para colocar em pauta assuntos atuais. “No ano passado, por exemplo, passamos a falar sobre as manifestações populares que ocorreram no país. A discussão se torna muito maior do que o conteúdo escolar” diz Vanessa. “Queremos que a criança entenda o seu papel social tendo lições de cidadania como instrumento para o conteúdo curricular”, complementa.

voto

Imagem: Divulgação/Sem Fronteiras

As lições trazem personagens que transformam o conteúdo escolar em algo mais lúdico e divertido para a criança. Para Vivian, isso faz com que os alunos absorvam mais aquilo que é apresentado em sala.

O estímulo das crianças já surte efeitos. Vanessa cita o caso recente de uma cantina escolar que teve de adaptar seu cardápio por reivindicações dos alunos. “As crianças passaram pelo módulo de alimentação saudável e começaram a reclamar das opções oferecidas na cantina. A escola teve de passar a oferecer lanches mais saudáveis na hora do intervalo.”

Conteúdo além do plano de aulas

Além dos planos de aulas, os projetos da Sem Fronteiras contam com centenas de ferramentas complementares para que os professores melhorem o conteúdo de sua aula e não percam tempo procurando por elementos adequados para a faixa etária dos alunos.

São disponibilizados infográficos, animações, jogos educacionais, entre outras elementos. Um dos módulos complementares mostra o ciclo da água em animações com personagens lúdicos. Em outro, é possível ver a evolução de uma lagarta até que ela vire uma borboleta. Um editor de HQs permite que o professor crie seu próprio conteúdo usando personagens do dia a dia na sala de aula, seja para as próprias aulas ou para o uso em provas.

transito

Imagem: Divulgação/Sem Fronteiras

Para Vivian, a maior vantagem do sistema da Sem Fronteiras é que o aluno deixa de perceber o conteúdo escolar como algo desinteressante. “Ele não sente que está aprendendo. Em uma aula sobre o Calc (software livre de planilhas, semelhante ao Excel), ele está aprendendo a usar as ferramentas e fazer fórmulas, mas esse conteúdo é apresentado para ele como uma aula sobre o Lar”, diz ela enquanto mostra um módulo que traz o desenho de uma simpática casa e seus moradores.