Supercomputador IBM Watson quer ajudar médicos a diagnosticar pacientes

Por Redação | 17 de Outubro de 2013 às 13h30

O IBM Watson é um supercomputador que já deu algumas demonstrações de inteligência artificial bem impressionantes, como derrotar um concorrente humano no programa de perguntas e respostas Jeopardy. Foi uma vitória não só do computador, mas também da IBM e para toda a tecnologia de inteligência artificial. Mas a IBM pode levar o Watson a uma nova e bem mais importante vitória no "mundo real".

No último ano, o time responsável pelo Watson colocou no computador algumas habilidades que podem torná-lo o parceiro ideal para a medicina. Ele agora é capaz de escanear livros de exames para aprender os princípios básicos de diagnósticos e analisar os confusos dados em data centers de saúde.

Watson

IBM Watson no programa de TV Jeopardy

Mas a ambição da IBM é ainda maior: o Watson pode ajudar a compensar a falta de médicos nos hospitais norte-americanos. O país enfrenta problemas que devem apenas piorar ao longo dos próximos anos e resultar em filas enormes de pacientes nos hospitais.

Estima-se que, até 2020, faltem cerca de 45 mil médicos nos hospitais do país. Com o número de pacientes por médico aumentando, fica difícil para que eles tenham tempo de organizar todas as informações. Por isso, o uso da tecnologia se torna importante para otimizar o processo de diagnósticos dos pacientes. Existem muitos dados e poucos médicos para analisá-los.

O objetivo é fazer o Watson analisar o histórico dos pacientes e apontar dados importantes para os médicos. O Watson pode ajudar a resumir e organizar os dados gravados, dando aos médicos um resumo do histórico do paciente. Em teoria, isso pode ajudá-los a tratar mais pacientes, de maneira mais eficaz, rastreando as informações diretamente até a sua fonte.

Nos EUA, os históricos dos pacientes são cada vez mais digitalizados. Com um supercomputador como o Watson, capaz de rastrear todos esses dados, a ajuda já pode ser muito bem vinda. Na Cleveland Clinic, nos EUA, ele está sendo testado como um projeto beta, ao longo dos próximos três anos. Por enquanto, como está em testes, o Watson só é acionado depois dos médicos realizarem um diagnóstico prévio.

Eis o que disse o Dr. Neil Mehta, que está chefiando o projeto do Watson na clínica de Cleveland:

"Eu já tive alguns pacientes nos quais o Watson encontrou coisas que eu havia deixado passar. Ele não funciona todas as vezes, mas está ficando cada vez melhor".

Sim, o Watson deve ficar cada vez melhor, já que ele é capaz de aprender com o tempo. Um exemplo é de um paciente que sofre com sintomas semelhantes à apneia do sono. Anos antes, esse paciente fez um teste de gasometria arterial que teria confirmado o diagnóstico, mas os resultados dos testes estavam escondidos em uma seção difícil de encontrar do seu histórico médico. Sem o Watson, o Dr. Mehta afirma que ele nunca teria encontrado o resultado.

Próximos passos e obstáculos

Ainda assim, o projeto não para por aí. A ideia é que no futuro o computador seja capaz de realizar diagnósticos sozinho. Criando um mapa conceitual e analisando exames médicos, ele poderia analisar fatos médicos e resultados de testes e criar teorias que poderiam explicar os sintomas do paciente.

Segundo Mike Barborak, engenheiro de linguagem natural da IBM Research, no entanto, esse é um passo para uma máquina mais inteligente. Há dificuldade, como prontuários que não fornecem dados completos ou termos usados por médicos que apenas humanos entenderiam, mas as máquinas teriam dificuldade. Em outras palavras, o maior obstáculo é na verdade a maneira como os humanos se organizam e inserem os dados e não exatamente a compreensão do computador.

Há ainda um outro obstáculo que vai além da tecnologia em si: os próprios médicos. Para muitos deles, inserir dados no meio digital é apenas mais um tipo de burocracia que desvia a atenção do objetivo principal da medicina.

E para que sistemas como o do Watson realmente funcionem, será preciso que os médicos comprem a ideia e participem. Sem a ajuda deles, sem os dados, o Watson não pode fazer praticamente nada. Mas ao menos, vale a pena tentar.

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