Steve Wozniak critica Apple Watch e iPhone 6 Plus: "veio três anos atrasado"

Por Redação | 11.11.2014 às 12:15

Steve Wozniak deixou a Apple em 1987, mas continua sendo uma figura presente no dia a dia da companhia. Ele não participa da gerência nem trabalha mais para ela, mas ainda assim continua sendo contatado pela imprensa para dar seus pitacos sobre os produtos da companhia e se diz um fã da Maçã. E, agora, ele fez críticas ao iPhone 6 que, segundo ele, chegou ao mercado com três anos de atraso.

Em entrevista à CNN Money durante a inauguração de um centro de inovação da Capital One no estado americano do Texas, Woz afirmou que a empresa poderia ter conquistado uma parcela muito maior do mercado caso tivesse lançado o iPhone 6 Plus em 2011. A ideia, aqui, era bater diretamente com a Samsung, que já começava a investir em aparelhos com displays gigantes e acabou conquistando uma bela fatia do público justamente por causa disso.

A presença do sistema operacional Android e sua utilização em celulares de baixo custo já é a grande responsável por dar uma parcela de 24% do mercado para a marca coreana, contra 12% da Apple. Para Woz, a Maçã perdeu mais uma bela fatia do segmento por demorar demais para lançar o iPhone com tela maior e, agora, corre atrás do prejuízo enquanto enfrenta uma série de problemas como o “bendgate” e atualizações de software desastradas.

Além disso, o cofundador da Maçã disse ter tido uma experiência bastante negativa com os smartwatches, uma categoria de produtos com a qual ele disse ter estado bastante empolgado inicialmente. Ele conta ter sido um dos primeiros a colocar um iPod Nano no pulso e que, assim que os primeiros produtos de outros fabricantes começaram a chegar ao mercado, adquiriu alguns deles. Pouco depois, porém, se desfez de todos por não ter tido uma experiência lá muito boa.

Ele não entrou em detalhes sobre o que exatamente motivou isso, mas disse que mesmo com um relógio inteligente em seu pulso, acabava sempre voltando ao celular para realizar a maioria das ações, justamente devido ao tamanho da tela. Para ele, o Apple Watch pode acabar não sendo muito mais do que um “pulseira de exercícios de luxo”, mas pondera que suas diferenciações podem ser suficientes para que ele caia no gosto do público.

Relíquia do passado

Ao final da entrevista, veio aquela pergunta de sempre. Questionado sobre o que faria de diferente se ainda estivesse na Apple, Woz disse acreditar que não existe mais espaço para engenheiros visionários no mercado atual, com os gadgets se tornando tão complexos e com elementos tão especializados que é impossível construir qualquer coisa de dentro de uma garagem, como fazia nos tempos de outrora.

Para ele, os usuários de hoje querem algo cada vez menor e mais potente, o que tornou muito difícil a construção quase artesanal de eletrônicos. Woz diz que, se estivesse começando hoje, jamais chegaria aonde chegou e que, por isso mesmo, prefere estar na vanguarda do mercado, experimentando soluções e agindo como investidor. Foi o que ele fez com a Siri, por exemplo, sendo um dos principais acionistas da SIRI International, a fabricante do sistema, antes mesmo da Apple adquiri-la.