Steve Jobs era contra entrada da Apple no mercado de TVs

Por Redação | 17 de Março de 2014 às 12h29

Ao longo dos últimos dez anos a Apple foi reconhecida por revolucionar os mercados por onde passa. Foi assim com a indústria dos celulares, dos players de música e dos tablets. Mas se depender da vontade de Steve Jobs, o mundo da televisão não estará entre as indústrias sacudidas pelas inovações oriundas de Cupertino.

Pelo menos, é isso o que afirma a jornalista Yukari Iwatani Kane, ex-The New York Times, que está lançando um livro sobre o legado deixado pelo co-fundador da companhia. Em “Haunted Empire: Apple After Steve Jobs”, ela conta que o criador da Maçã considerava o mercado de televisões um mau negócio e que não existia plano algum de trabalhar com televisores inteligentes.

A declaração teria sido feita em 2010, durante a última reunião do Top 100 da qual Jobs participou. O evento acontece todos os anos e reúne a diretoria da Apple e seus principais executivos em um resort para apresentação de produtos e discussão de planos para o futuro. Os encontros, claro, têm caráter extremamente confidencial e os participantes não podem enviar emails, publicar mensagens em redes sociais nem conversar sobre o que acontece lá com pessoas que não estiveram presentes.

E foi há quatro anos, durante a apresentação do iPad 2 funcionários de alto escalão, que Steve Jobs realizou uma sessão de perguntas e respostas na qual os funcionários eram incentivados a perguntar qualquer coisa, “por mais estúpida que fosse”. O assunto televisão veio à tona e recebeu uma negativa rápida do fundador da Apple, que afirmou que esse mercado gera baixas margens de lucro e traz pouco espaço para inovação pelo fato de durarem mais de uma década sem serem substituídas.

Olhar para o futuro

Kane conta ainda que Jobs ficou extremamente irritado ao perceber que os executivos estavam mais interessados na Smart Cover, a capa magnética introduzida junto à segunda geração do tablet, do que no novo aparelho em si. A bronca, porém, foi um dos poucos momentos em que ele lembrava o “velho Steve”. Na maioria do tempo, ele parecia extremamente fraco e debilitado pela doença que acabou lhe tirando a vida.

Ainda assim, Jobs foi capaz de entregar uma ideia do que seriam os próximos passos da empresa que deixaria poucos meses depois. Apesar de ter derrubado a ideia de um televisor criado pela empresa, ele falou sobre a Apple TV e disse que, enquanto a companhia não contasse com todo o conteúdo necessário, ela continuaria sendo um “hobby” e um produto de segundo escalão.

Além disso, ele falou sobre o ainda recém-nascido mercado da Internet das Coisas e demonstrou um interesse em introduzir dispositivos conectados na casa das pessoas. E isso aconteceria, justamente, pela Apple TV e também pelos tablets da marca, mas de uma maneira que não foi detalhada por Jobs.

Kane afirma que, para muitos dos executivos presentes naquele Top 100, a mensagem sobre o mercado de TVs era mais do que o distanciamento de um mercado, e sim um aviso para que o alto escalão da empresa continuasse dando atenção para o que realmente importava. Como a Apple é uma empresa reconhecida por introduzir novidades constantemente, sempre há a expectativa que ela lance novos produtos e isso pode acabar tirando o foco das soluções atuais e de sucesso.

Contradição

Steve Jobs

O site Business Insider, no entanto, lembra que o que está escrito no livro de Kane vai contra as declarações do próprio Steve Jobs a Walter Isaacson, seu biógrafo oficial. No livro que carrega o nome da personalidade, constam planos sobre a criação de um aparelho de televisão integrado com todos os dispositivos da empresa e também ao iCloud, uma solução que o fundador da Apple via como fácil de usar.

Especialistas esperam que a Apple experimente uma mudança de foco nos próximos anos e passe a mirar mais o mercado de entretenimento. Em 2011, o especialista Gene Munster, que tece comentários sobre a companhia, afirmou que a Apple estaria prestes a lançar um televisor revolucionário, com design sem bordas e outros elementos e funções que melhoram a imersão do espectador.

Até o momento, porém, não existem nem mesmo boatos sobre um dispositivo desse tipo. Comenta-se bastante, porém, um aumento de foco na Apple TV, que ganharia novas opções de conteúdo exclusivo e poderia, finalmente, se tornar um dos principais produtos da companhia, competindo com outras soluções do ramo e, principalmente, o Chromecast, da rival Google.

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