Stefanini aposta em consultoria e internacionalização para escapar de crise

Por Rafael Romer | 17.12.2014 às 08:00

Na avaliação da provedora de soluções de negócios brasileira Stefanini, 2015 deverá ser um ano "desafiador". Com a desaceleração da economia brasileira e em um cenário no qual os índices de investimento em tecnologias devam ser mais baixos em relação aos últimos anos, a empresa aposta em duas estratégias para manter um crescimento, ao menos, igual ao que observou neste ano - 11% em relação a 2013 e um faturamento de R$ 2,35 bilhões.

No Brasil, a estratégia deverá girar ao redor do braço de consultoria de negócios que a empresa mantém hoje, a Stefanini Business Consulting. A área atua em dez verticais de negócios, com serviços de análise de mercados para setores da indústria, varejo, saúde, meios de pagamento, seguros, governo, telecomunicações e serviços.

A aposta é que o momento de retração econômica leve a um foco das empresas na eficiência operacional, o que poderá se converter em oportunidades de negócios para a Stefanini como provedora de soluções, mas também para sua área de consultoria.

"Hoje o Brasil passa por uma crise bastante forte e há a questão de que o Brasil ficou caro. Quando você fica caro, você tem que aumentar sua eficiência, mexer em toda a sua estrutura, cadeia produtiva e de produção para que você consiga voltar a ser competitivo", afirmou Marco Stefanini, CEO Global do Grupo Stefanini. "Nós entendemos que tecnologia é fundamental para atingir essa produtividade, isso é uma oportunidade de negócio em um cenário mais desfavorável".

A segunda estratégia da companhia deve ser na continuidade da internacionalização da empresa. Hoje ela já atua em 34 países e tem uma receita dividida em 60% nos negócios brasileiros e 40% no exterior. A expectativa é que a receita passe a ser 50%/50% até 2018. Para isso, a empresa mantém algumas bases estratégicas de operação, focadas na entrega de seus serviços em alguns mercados no exterior.

Um dos principais é a Romênia, país do leste europeu que hoje é a maior operação da empresa, com mil funcionários, e funciona como base de delivery de serviços para outros países com mercados mais consolidados no continente. Com operação em 14 países, a região europeia permanece estratégica para a empresa e foi a que mais cresceu (20%) neste ano.

Por ter uma língua de origem latina e uma população de tamanho médio em relação a outros países da região, a Romênia hoje abriga três centros da Stefanini - na capital Bucareste e em outras duas cidades. Mesmo com um mercado interno pequeno para a empresa, a Romênia serve como plataforma de negócios para outros mercados da região - países como a Alemanha e França, nos setores de farmacêutica, manufatura e serviços profissionais.

Um cenário semelhante é a a manutenção da operação nas Filipinas, que hoje funciona como um centro de distribuição de serviços para a empresa na Ásia.

Ao contrário do mercado europeu, mais maduro de um ponto de vista de adoção de serviços de Ti, a Ásia ainda se apresenta como uma região a ser explorada e na qual os investimentos em hardware e software ainda são mais fortes. A aposta da companhia, no entanto, é que nos próximos cinco anos o setor de serviços em TI se desenvolva mais e alavanque um crescimento maior em países como China, Índia, Tailândia e Austrália.

"A Ásia ainda não é essencial para a empresa em um ponto de vista de curto prazo, mas de longo, sim", explicou Marcos. "Estamos desenvolvendo uma série de trabalhos imaginando daqui cinco ou dez anos, além de ser um bom sourcing e ter boas oportunidades de negócios".

Até o final de 2015, a operação filipina deverá passar dos atuais 800 funcionários para 1,2 mil. Neste ano, a empresa também começou sua operação na Malásia, onde atua com delivery de ofertas em seis idiomas e espera ter 300 profissionais em três anos.

A expansão internacional prevê ainda a retomada da estratégia de aquisições da empresa, que foi suspensa em 2014. Sem citar nomes, o CEO indica que a expectativa é buscar companhias que não só agreguem novas soluções e ofertas ao portfólio da empresa, mas também presença e escala em mercados do exterior.