Startup brasileira quer transformar compra do seu próximo apartamento em game

Por Rafael Romer | 23.01.2013 às 19:00

A ideia era simples, mas inovadora: uma plataforma que juntasse a interatividade dos games com um apelo publicitário. O esboço surgiu das mãos do publicitário Daniel Bergoce, 32 anos, durante o curso de desenvolvimento de games da Escola de Artes, Jogos e Animação SAGA, há cerca de 10 meses. “Eu estava pensando em alguma coisa que agregasse games e publicidade, que são os chamados advergames”, conta Daniel.

Com a ideia em mãos, ele se juntou ao estudante e colega de curso, Aron Caetano, 19 anos, e depois ao programador Juan Caballero, 28 anos, que conheceu na edição de 2011 da Campus Party e, aos poucos, o projeto foi tomando forma.

Com Aron e Juan na programação e Daniel na modelagem, parte artística e marketing, surgiu a startup PlayDreams, criada há três meses, e que já foi chamada para apresentar o projeto finalizado na Campus Party 2013, que acontece na semana que vem, em São Paulo.

Chamada de Maquete Virtual Interativa, a plataforma utiliza a engine de games UNIT 3D, encontrada em jogos como o independente Slender: The Eight Pages, que fez sucesso no ano passado, e permite que o usuário navegue por dentro de uma planta de apartamento como se estivesse dentro de um jogo em primeira pessoa.

É possível interagir e passar por cada cômodo da planta, utilizando o mouse e as teclas WASD — comandos bem conhecidos por quem está acostumado com jogos no PC. O usuário também pode interagir e customizar cada um dos objetos da casa: é possível, por exemplo, acender e apagar as luzes, trocar o papel de parede, a cor do tapete, a cor ou modelo do sofá, ou até ligar e desligar a televisão.

A ideia de aplicar a ferramenta no setor imobiliário surgiu pela falta de interatividade com que os clientes se deparam na hora da compra de um apartamento. “Você não fica só na coisa engessada das fotos e dos vídeos, em que você é conduzido para onde as pessoas querem, não para onde você quer. Hoje as pessoas buscam liberdade para fazer o que querem”, afirma Daniel. “Depois que você tem essa imersão, o resto fica obsoleto”.

O projeto prevê também espaço para o chamado e-comerce, onde marcas poderão colocar seus próprios produtos dentro da maquete, com links que possam levar o usuário diretamente à página de compra. Todas customizações que o usuário fizer na maquete que observar também poderão ser compartilhadas no Facebook. “A partir do momento em que você entra ambiente, começa a troca de experiências. É bom para a pessoa e para a marca”, explica.

A grande inovação da ferramenta é rodar o tamanho reduzido dos projetos, que, em média, possuem apenas 8 MB. O processo também permite que o usuário acesse as maquetes diretamente na nuvem, através de um site ou de aplicativos no Facebook, de forma que a interação possa ser feita através de qualquer dispositivo — mesmo celulares ou smartTVs com baixa capacidade de processamento.

O movimento da equipe já levou a ferramenta para os Estados Undios e chamou a atenção de empresas do setor de construção e do varejo, interessados em colocar seus produtos nas maquetes. Também mostraram interesse pela ferramenta algumas montadoras de automóveis — o que levou o grupo a desenvolver novas maquetes em formato de carro, que permitem que o usuário veja o veículo do ponto de vista do motorista, abre ou feche as portas e até ligue o motor do modelo.

Na busca de um anjo investidor que tope financiar o projeto, o grupo esbarrou na NVIDIA, que deve trazer um serviço de armazenamento de dados em nuvem em breve para o Brasil, o que seria ideal para o suporte da tecnologia. A produtora de placas de vídeo chegou a demonstrar interesse no projeto, mas nenhuma parceria concreta foi anunciada. Na próxima semana, o grupo deve se reunir com representantes da marca para apresentar o projeto.

Para quem curtir a ideia, a startup já deve começar suas contratações em breve. “Vamos precisar de mais gente, sem dúvida nenhuma”, brinca Daniel, que espera fechar os primeiros contratos ainda neste mês.