Sony estuda vender divisões de TVs e smartphones

Por Redação | 14 de Janeiro de 2015 às 09h37

Com o início do ano e uma crise de segurança na Sony Pictures já quase deixada para trás, o CEO da Sony, Kaz Hirai, está prestes a lançar um novo plano de recuperação da companhia que envolveria, inclusive, uma possível venda de setores com baixa performance, como os de televisores e telefones celulares. As informações foram publicadas pela agência Reuters e obtidas por fontes ligadas ao assunto, mas não foram confirmadas oficialmente pela empresa.

Além de possíveis vendas e uma saída definitiva dos negócios, a Sony também estaria considerando realizar parcerias ou joint ventures como forma de diminuir os custos e os riscos por trás das operações.

Segundo os relatos, o novo lema da diretoria da companhia seria o de que “nenhum negócio é eterno”. Sendo assim, por mais que a Sony seja reconhecida pelas inovações em determinados setores ou tenha sua alta qualidade reconhecida pelos usuários, ela também precisará levar em conta o faturamento de cada um de seus segmentos, de forma a tomar as decisões de negócios mais acertadas. É um movimento que acontece tanto fora quanto dentro dos corredores da gigante japonesa em conversas com funcionários e outros executivos.

A ideia não deixa de ser ousada e vem recebendo o apoio geral dos executivos da empresa, que veem nos esforços de Hirai uma forma de reverter a situação negativa que a Sony vinha enfrentando há alguns anos. A empresa ainda não está em bons lençóis e a expectativa é que um déficit de US$ 1,9 bilhão seja relatado para o atual ano fiscal, que se encerra em março. Mesmo assim, a situação é bem melhor que a enfrentada há dois anos, por exemplo, antes da entrada do ex-diretor do setor PlayStation para a diretoria geral da companhia.

É o segmento de videogames, aliás, que vem sendo o grande suporte da companhia nestes momentos difíceis. Na CES 2015, Hirai anunciou a marca de 18,5 milhões de unidades do PS4 vendidas em todo o mundo, colocando o aparelho na primeira colocação na geração atual de consoles. Ele também ressaltou o bom desempenho do setor de sensores digitais para câmeras, que embarcam tecnologia da Sony em aparelhos de outras fabricantes.

Sucesso do passado

Tradicionalmente, o próprio Hirai, juntamente com a diretoria da Sony, são avessos a medidas drásticas, principalmente quando elas interferem com negócios antigos da empresa. Um precedente importante, porém, conta fortemente para que a tendência de separação continue. Em 2014, a empresa vendeu sua divisão de notebooks Vaio e abandonou completamente a fabricação e venda de computadores, em um movimento que gerou resultados positivos e ajudou a conter as quedas no faturamento.

A repórteres, o diretor da Sony afirmou que agora a ideia é seguir com cautela em alguns segmentos e que por mais que eles estejam apresentando problemas, ainda são foco de atenção e de grande importância para a empresa. Hirai frisou que os departamentos de eletrônicos e entretenimento continuam sendo de suma importância, mas que algumas mudanças irão acontecer no futuro próximo.

Para analistas ouvidos pela Reuters, no momento a Sony anda em um terreno pantanoso. Apesar da decisão de vender alguns dos seus setores problemáticos poder ser encarada como uma solução, já que gera algum dinheiro e ainda livra a empresa deles, os custos envolvidos nessa reestruturação e mudança de propriedade também podem ser altos demais. Além disso, entra em jogo também a percepção do cliente, que não pode encarar muito bem a saída de uma empresa desse porte de determinados segmentos e rejeitar os produtos da nova proprietária.

Por isso, para os especialistas, parcerias e mudanças drásticas nas estruturas de fabricação e lançamento de produtos seriam as melhores alternativas. Dessa forma, os custos de operação também poderiam ser reduzidos, mas, ao mesmo tempo, a marca Sony, altamente reconhecida, continuaria estampada nos equipamentos e, claro, atraindo clientes de todo o mundo.

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