Smartphones e PIB: aparelhos podem contribuir com US$ 37 bilhões até 2017

Por Redação | 17 de Março de 2015 às 16h30
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Embora muitos dispositivos móveis sejam vendidos a preços bem elevados no Brasil, o número de celulares inteligentes no país só cresceu nos últimos anos. E o aumento desse tipo de aparelho em território nacional já impacta o Produto Interno Bruto (PIB), que representa a soma de todos os bens e serviços finais produzido no país. Prova disso é um estudo realizado pela consultoria Boston Consulting Group (BCG), que constatou que a internet móvel contribuiu com US$ 13 bilhões para o PIB brasileiro em 2013.

Segundo dados do IBGE, há dois anos, o PIB local somou R$ 4,8 trilhões e cresceu 2,3% em relação a 2012. Contudo, desde o ano passado, a economia brasileira mudou de rumo e desacelerou, em razão à forte crise econômica pela qual passa o Brasil atualmente. Algumas projeções no mercado financeiro indicam que, para este ano, haverá uma retração em torno de 1,5% e estagnação em 2016. Só que, mesmo com a economia fraca, especialistas afirmam que o mercado de internet móvel – principalmente os smartphones – não deve perder espaço, e continuará crescendo e contribuindo para o PIB.

A conclusão é do relatório "O crescimento da economia da internet móvel global", divulgado pelo jornal Valor Econômico. Os 13 países analisados no estudo são Brasil, Austrália, Canadá, China, França, Alemanha, Índia, Itália, Japão, Coreia do Sul, Espanha, Reino Unido e Estados Unidos.

De acordo com a Nielsen Ibope, o Brasil tem mais de 51 milhões de smartphones em uso, o equivalente a 37% dos 137 milhões de aparelhos celulares do país. A quantidade de aparelhos em uso é um pouco menor que a de linhas em serviço divulgada pela Agência Nacional de Telecomunicações (Anatel), que contabiliza 280,7 milhões de linhas ativas – muitas pessoas usam mais de um chip em um mesmo aparelho. Até 2017, o número de dispositivos pode chegar a 70 milhões.

Nos 13 países pesquisados pelo BCG, que representam 70% do PIB global, a internet móvel gera US$ 700 bilhões em receitas anuais e cerca de 3 milhões de empregos. Até 2017, as receitas devem chegar a US$ 1,55 trilhão, com alta de 23% a cada 12 meses. A maior contribuição individual virá de aplicativos, conteúdo e serviços, como reflexo de mais compras e publicidade on­line.

Além disso, o rápido crescimento da internet móvel em mercados em desenvolvimento é reflexo das taxas de penetração de smartphones e da expansão da cobertura de redes 3G e 4G, que impulsionam esses apps, conteúdos e serviços. As receitas com internet móvel aumentam mais de 25% ao ano no Brasil e na China.

"Não é exagero dizer que os consumidores de todos os lugares passaram a depender da internet móvel. Seja para comunicação, consumo, comércio ou informação, eles não querem abrir mão das capacidades oferecidas”, diz Wolfgang Bock, um dos autores da pesquisa. O Brasil é citado no estudo como exemplo de como a internet móvel pode influenciar toda a economia. Já para Julio Bezerra, sócio da BCG, "a grande questão é que, para esse ambiente continuar a se desenvolver, a maior penetração de smartphones e a redução de preço [do serviço de telefonia] são pontos-chave".

O estudo aponta que os preços de aparelhos recuaram 25% no mundo entre 2011 e 2013. Até 2017, é esperada queda de mais 19%. As razões incluem menores custos de desenvolvimento e fabricação, a saturação de aparelhos em algumas economias desenvolvidas e ciclos prolongados de modernização. No Brasil, a maior parte da receita com internet móvel (58%) é destinada a plataformas de habilitação, aparelhos móveis e sistemas operacionais.

O acesso por meio de operadoras responde por 19% dos gastos, seguido por aplicativos, conteúdo e serviços (14%) e despesas com rede e infraestrutura operacional (8%). “Isso significa que há muito espaço para o mercado de aplicativos domésticos”, diz Bezerra, da BCG. Os serviços de corridas de taxi estão entre os mais populares entre os apps nacionais.

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