Sistema de pagamento móvel iZettle chega ao Brasil

Por Rafael Romer | 27 de Agosto de 2013 às 19h46

Foi lançado no Brasil nesta terça-feira (27) o sistema de pagamentos móveis para transações com cartões de crédito e débito com seus celulares e tablets, iZettle. Criado em 2010 na Suécia, o serviço chega ao Brasil em parceria com o banco Santander e é voltado principalmente para pequenos negócios que queiram agilizar e expandir suas vendas. "Parte disso tem a ver com a democratização do pagamento com cartões, torná-lo disponível por um custo baixo e de um jeito fácil", afirmou ao Canaltech Corporate o cofundador e presidente do Conselho de Administração da iZettle do Brasil, Magnus Nilsson, no Brasil para a chegada da empresa. O país é o segundo país fora da Europa a receber o serviço, depois do México.

O serviço consiste em uma peça para leitura de cartões (Chip&Signature), capaz de ler cartões com chip e autenticar transações através de assinatura do usuário, e um aplicativo, que já está disponível para tablets e smartphones dos sistemas operacionais Android e iOS através das respectivas lojas de apps.

O processo de transação com o iZettle é bem simples e leva pouco mais de um minuto. Basta que o leitor de cartão esteja conectado à saída de áudio do celular ou tablet do vendedor, já com o aplicativo instalado. No app, o negociante poderá selecionar quais os itens desejados pelo consumidor, previamente cadastrados com foto e preço, e finalizar a compra.

O cartão é então inserido no leitor e a assinatura, registrada diretamente no app. Em seguida, o vendedor pode enviar a nota fiscal para o consumidor via e-mail ou imprimi-la na hora, caso possua uma impressora com conectividade bluetooth. No Brasil, será cobrada uma taxa de 5,75% por transação que utilizar o sistema - pouco superior à de 2,75%, praticada em paises como a Suécia. Os pagamentos são repassados para o comerciantes após cinco dias, período bem menor do que os 30 dias de soluções tradicionais. Por enquanto, o sistema funcionará com as bandeiras MasterCard e Visa. A bandeira American Express, aceito em todos os outros oito mercados nos quais a iZettle atua, também deve ser aceita no Brasil, mas ainda não há expectativa de quando.

Os comerciantes interessados devem se inscrever no site da iZettle para registrar seu negócio. A aquisição do dispositivo de leitura de cartão custará R$ 99 no Brasil, um preço similar ao praticado em outros países, segundo o fundador. Até o final de setembro, negociantes que se cadastrarem no iZettle receberão o dispositivo gratuitamente. A estimativa da iZettle é de que 10 mil dispositivos já sejam distribuidos no país no primeiro mês.

Apesar de não ter data confirmada, o leitor de cartão com senha (Chip&Pin) da iZettle deve chegar ao Brasil ainda neste ano, de acordo com Nilsson. Focado em comerciantes um pouco maiores, diferentes do dispositivo de entrada que aceita apenas assinatura, o Chip&Pin permitirá também a validação de transações de crédito e débito através de senha. O cofundador cogita até que a empresa possa produzir ambos dispositivos no Brasil. "Há definitivamente incentivos para produzir localmente", afirma.

O iZettle também possui um sistema próprio de business analytics que permite ao comerciante armazenar todos os dados de transações e vendas que forem feitas no sistema. A ferramenta, também disponibilizada em português, permite analisar vendas através de gráficos de receitas, produtos mais vendidos, transações, volume médio de pagamentos e até informações sobre os clientes mais leais.

Segundo Magnus, há no Brasil atualmente pouco mais de 4 milhões de estabelecimentos nos quais se pode pagar com cartão. Ao mesmo tempo, a penetração de smartphones cresce cada vez mais, atingindo a marca de 44% da população no ano passado, segundo o Ibope.

A idéia da iZettle é tentar criar uma ponte entre essas duas realidades, aumentando o número de pagamentos por cartão através de dispositivos móveis. "Quando nós olhamos para o Brasil, acreditamos que é um país extremamento bem posicionado para o que estamos fazendo, que é tentar dar poder a pequenos negócios e vendedores para se desenvolverem", explica o cofundador. "É um país maduro no ponto de vista de TI e crescendo muito rapidamenta na área que nós queremos alavancar".

A operação no Brasil já conta com a liderança de Anders Norinder, ex-CEO da Volvo América Latina, que deve comandar uma equipe de cerca de 15 pessoas, além do escritório físico da empresa em São Paulo.

Há dois meses o iZettle começou suas operações no México, o primeiro país fora da Europa a receber o serviço. Assim como no Brasil, a empresa chegou aos seus mais recentes mercados (Reino Unido, Espanha e México) em parceria com o banco espanhol Santander. A empresa também opera na Alemanha, Noruega, Finlândia, Dinamarca e Suécia.

Para Nilsson, o fato de ter nascido na Suécia, um país de mercado pequeno e com pouco mais de 10 milhões de habitantes, deu à iZettle uma vontade natural de se expandir globalmente. Questionado sobre quais seriam os próximos passos da empresa na sua expansão para novos mercados, o cofundador reafirma o interesse no mercado latino americano, mas não oficializa nenhuma possível nova investida. "Agora estamos focados em ter certeza que os mercados que entramos funcionem bem", diz. "Deixar a casa em ordem onde estamos é mais importante que entrar em outro mercado".

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