Sensores criados por Michael J. Fox podem ajudar a encontrar cura para Parkinson

Por Redação | 14 de Agosto de 2014 às 14h20

Michael J. Fox é um dos ícones do cinema da década de 1980. Famoso principalmente pela trilogia De Volta para o Futuro, o ator tem se ocupado desde 2000 em defender e arrecadar fundos para pesquisas em células-tronco para curar a Doença de Parkinson, da qual sofre desde 1991. Agora, de acordo com informações da BBC, o ator foi mais longe ainda e está testando sensores para monitorar e ajudar os médicos a estudarem os efeitos de diferentes medicações em pessoas que sofrem do mal.

Os dispositivos foram desenvolvidos pela Michael J. Fox Foundation em parceria com a Intel, que desenvolveu protótipos de smartwatches e os testou no começo deste ano em vários pacientes. A ideia teria sido apresentada por Andrew Grove, ex-presidente executivo da Intel, que também foi diagnosticado com Parkinson em 2000.

"Essa oportunidade nos permitirá realizar novos avanços na doença de Parkinson através do entendimento do cotidiano das pessoas que sofrem com ela, como elas respondem aos tratamentos e quais suas necessidades não atendidas", disse Todd Sherer, CEO da fundação de J Fox.

Andrew Grove, ex-CEO da Intel, foi um dos principais responsáveis pela elaboração do projeto ao lado de Michael J Fox. Grove foi diagnosticado com Parkinson em 2000, dois anos depois de renunciar a cadeira de presidente executivo da companhia devido a um câncer de próstata

Andrew Grove, ex-CEO da Intel, foi um dos principais responsáveis pela elaboração do projeto ao lado de Michael J. Fox. Grove foi diagnosticado com Parkinson em 2000, dois anos depois de renunciar a cadeira de presidente executivo da companhia devido a um câncer de próstata (Imagem: Divulgação/Intel)

A ideia é que os relógios inteligentes coletem a maior quantidade de dados possíveis sobre os pacientes e ajudem médicos a compreenderem o dia a dia deles, como lidam com os tratamentos e as medicações. Nos testes iniciais conduzidos no começo do ano, 16 pacientes usaram o gadget e eles recolheram mais de um gigabyte de informação por dia de cada paciente. Os dados foram então enviados aos servidores da Intel através dos smartphones dos pacientes e, devido à enorme quantia, ainda estão sendo processados e analisados pelos cientistas da companhia.

Ao término desta última fase, a Intel pretende desenvolver algoritmos capazes de monitorar e estabelecer alguma relação entre os sintomas e o padrão de sono dos pacientes. Ao fim, um app que permite gravar e relatar o dia a dia e sintomas dos medicamentos será desenvolvido.

"Nós queremos entender o movimento e a fluidez dos tremores", disse Ronald Kassabian, gerente geral da divisão de soluções Big Data da Intel. "Os pesquisadores estão muito ansiosos pela conclusão das análises. A capacidade de ver o que está acontecendo com o paciente minuto a minuto, 24 horas por dia, todos os dias, ver quando ocorreram seus tremores, quais seus hábitos de sono e tudo o mais em tempo real é uma oportunidade gigantesca", declarou.

Embora a notícia seja tão encorajadora quanto outras que já ouvimos sobre como a tecnologia pode ser utilizada em prol da medicina e recuperação de pacientes que sofrem de doenças graves, ela também despertou o ceticismo de especialistas que pedem por cautela nesse momento de euforia. É o caso de Suma Surendranath, que não nega a importância da tecnologia para a medicina, mas que acredita que ainda falta muito para se comprovar sua eficiência.

Os sensores foram acoplados a smartwatches baseados nos modelos da Basis, empresa adquirida pela Intel em março deste ano

Os sensores foram acoplados a smartwatches baseados nos modelos da Basis, empresa adquirida pela Intel em março deste ano (Imagem: Reprodução)

"É crucial que qualquer dispositivo demonstre sua eficiência em testes clínicos robustos e apurados antes de ser disponibilizado para o mundo", disse a especialista da instituição Parkinson's UK. "Novas tecnologias que possam compreender a complexidade dos sintomas de pessoas que sofrem com o mal de Parkinson seriam muito bem vindas pelos profissionais da área", finalizou.

A Michael J Fox Foundation reconhece que o projeto ainda está nos seus primeiros estágios, mas não descarta que sensores do tipo serão populares daqui a "alguns anos e não décadas". Para acelerar todo o processo e garantir a segurança dos pacientes, a Intel já se comprometeu a abrir a plataforma para que outros pesquisadores, cientistas e desenvolvedores contribuam com ela e encriptar todas as informações para que elas trafeguem anonimamente, sem expor a identidade dos pacientes.

Leia também: Chip implantado no corpo pode detectar ataques cardíacos antes que aconteçam

Fique por dentro do mundo da tecnologia!

Inscreva-se em nossa newsletter e receba diariamente as notícias por e-mail.