Sem professor: na Etiópia, crianças aprendem a ler e escrever com um tablet

Por Redação | 29 de Outubro de 2012 às 17h30

Mais de 100 milhões de crianças na faixa escolar ao redor do mundo não possuem acesso a educação e, pensando em tornar o estudo mais acessível, a organização One Laptop Per Child criou um projeto pioneiro na Etiópia. Em duas vilas do país, crianças na idade da alfabetização estão recebendo tablets equipados com programas educativos para aprenderem a ler e escrever sozinhas.

O programa planeja mostrar que crianças analfabetas e que nunca tiveram contato com a língua escrita podem aprender sozinhas a ler e escrever. O tablet, por sua vez, é equipado com uma série de jogos com alfabeto, e-books, músicas, filmes, pinturas entre outros.

Os aparelhos são tablets Motorola Zoom, equipados com painéis solares para efetuar a recarga de sua bateria, e os funcionários da OLPC ensinaram os adultos dos vilarejos a utilizar o aparelho. Uma vez por semana, um funcionário da organização vai até a vila recolher os cartões de memória do aparelho para saber como eles foram utilizados no período.

Nicholas Negroponte One Laptop Per Children

Reprodução: Technology Review

Após alguns meses, os organizadores do projeto começaram a obter os primeiros resultados positivos, com as crianças se mantendo interessadas nos aparelhos e apresentando ganho de novos conhecimentos. Um dos meninos participantes, que esteve interagindo com jogos de letras sobre animais ao longo dos meses, em pouco tempo já conseguia escrever a palavra 'leão'.

"Eu pensei que as crianças, primeiro, iriam brincar com as caixas dos aparelhos. Mas, dentro de quatro minutos, uma criança não só abriu a caixa, como encontrou o interruptor on-off e ligou o aparelho. Em cinco dias, cada criança estava usando 47 aplicativos por dia. Em duas semanas, eles estavam cantando a canção do alfabeto na aldeia e, em cinco meses, eles já tinham hackeado o Android", afirmou ao Technology Review Nicholas Negroponte, fundador da OLPC. "Algum idiota (sic) em nossa equipe ou no Media Lab tinha desativado a câmera, e eles não só descobriram a câmera como hackearam o Android para usá-la".

O chefe do departamento de informática da organização, Ed McNierney, afirmou que eles haviam instalado um software padrão para todos os tablets - que evitava o acesso a algumas funções -, mas com o passar dos dias e o uso das crianças, cada aparelho acabou ganhando uma configuração diferente.

Negroponte afirmou que para se ter uma ideia completa do efeito do projeto sobre o aprendizado das crianças com uso de tablets, eles deverão analisar o sistema ainda por mais um ou dois anos, permitindo assim que a OLPC chegue a resultados aceitáveis para a comunidade científica.

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