São Paulo recebe pavilhão de inovações tecnológicas de Portugal

Por Rafael Romer | 30 de Julho de 2014 às 13h39
photo_camera Rafael Romer/Canaltech

O Transamerica Expo Center recebe, nesta quarta-feira (30), o Pavilhão Amanhã, evento gratuíto e aberto ao público que exibe tecnologias desenvolvidas por empresas portuguesas.

O evento é promovido pela Login PT, plataforma de negócios da Associação Nacional de Empresas de Tecnologia da Informação e Eletrônica de Portugal (ANETIE), e reúne oito empresas do país em diferentes estágios de desenvolvimento.

Além de mostrar as tecnologias desenvolvidas no país e auxiliar as empresas na busca por novas parcerias de mercado, um dos principais objetivos da iniciativa é tentar desmistificar a imagem de Portugal como um país produtor apenas de matérias-primas.

"Durante algum tempo a imagem de Portugal, e aqui no Brasil essa imagem é muito persistente, associava-se a um país que tem pouco valor a se acrescentar", afirmou o presidente da ANETIE, Armindo Monteiro, em entrevista ao Canaltech. "Mas queremos mostrar o que é Portugal hoje do ponto de vista da tecnologia. Que o país tem hoje um valor agregado que há apenas duas décadas não tinha".

Segundo o executivo, o país passa por um processo de transformação de sua base produtiva por dois motivos principais: vocação e por necessidade.

Por ser um país pequeno, com uma população de pouco mais de 10 milhões de habitantes, muitas empresas portuguesas já costumam nascer com a mentalidade de expandirem seus serviços ou produtos para fora do país como forma de vender mais.

Já a necessidade, por outro lado, se deu principalmente pela pressão cada vez maior exercida nas empresas por realidades como o aumento do salário mínimo no país, que impactava muito as empresas de setores primários, com pequenas margens de lucro. "Qualquer acrescimo nos valores da produção colocavam em perigo a própria empresa", conta.

Ao mesmo tempo, a situação foi agravada pelo avanço da competição de países como China, Índia e Paquistão, que ofereciam custos de produção muito menores para produtos primários. "Se você faz uma commodity, qualquer país que faz um pouco mais barato já acaba com sua produção. Então nós quisemos fugir dessa competição do preço".

Mas para sair da produção de produtos primários em direção à tecnologia, o país precisou de investimentos em educação para a formação de uma mão-de-obra especializada, além da criação de um sentimento empreendedor no país, que veio através do empresariado.

Nesse contexto, a ANETIE promove parcerias com instituições como o Fundo Europeu de Desenvolvimento Regional, da União Europeia, e com o próprio Governo de Portugal para preparar empresas do país, fortalecer o ecossistema de empreendimento e financiamento, e a alavancar iniciativas de Portugal para outras regiões.

"Se cada uma dessas empresas tentasse fazer sua presença internacional sozinha, seria muito complicado", explica Monteiro. "Nós temos que cooperar, se não criarmos sinergia, não chegamos lá".

Antes de chegar a São Paulo, o Pavilhão Amanhã passou pelo Rio de Janeiro entre os dias 16 e 18 deste mês, além de cidades em Portugal, na Espanha e na Polônia. As próximas paradas são em Luanda (Angola), Maputo (Moçambique), Macau e Berlim (Alemanha).

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