Samsung teria enganado investidores e analistas sobre vendas de tablets

Por Redação | 11 de Abril de 2014 às 13h13

Assim como o mercado de smartphones, o segmento de tablets Android vem apresentando crescimento vertiginoso, com opções de fabricantes como Amazon e Samsung ganhando cada vez mais parcelas que antes pertenciam à Apple. Ou não, pelo menos no que toca a fabricante sul-coreana. É o que mostra uma série de documentos confidenciais revelados como parte do processo de patentes entre a empresa e sua principal rival.

Uma matéria publicada pelo site Apple Insider indica que a fabricante mentiu para seus analistas e investidores quanto à saúde de seu segmento de tablets. Enquanto afirmava estar surfando na crista da onda do crescimento do Android com aparelhos como o Galaxy Tab, por exemplo, a companhia amargava vendas na casa das poucas centenas de milhares de unidades.

O total estava abaixo do iPad, da Apple, e do Kindle Fire, da Amazon. O problema é que os números também colocam os tablets da Samsung abaixo do Nook, produzido pela empresa americaa Barnes & Noble e visto mais como um e-reader. Na quarta colocação, a fabricante coreana não apenas lidava com baixas vendas como também com um alto índice de devolução de seus aparelhos.

Mesmo com um ano de vantagem sobre a concorrência Android, a Samsung apenas obteve a marca de 1 milhão de unidades vendidas nos Estados Unidos em 2011. Na época, a Apple já computava 17,4 milhões de iPads vendidos, enquanto a Amazon comemorava a marca de 5 milhões de Kindle Fires adquiridos por clientes. O Nook também celebrava a marca de 1,5 milhão de aparelhos comercializados.

Além disso, a reportagem indica que a diretoria da Samsung falhou em prever o crescimento do mercado de tablets. De acordo com os números revelados nesta semana, a empresa acreditava que 28,3 milhões de equipamentos do tipo seriam vendidos em todo o mundo, enquanto esse total foi ultrapassado globalmente apenas pelo iPad, com 32 milhões. Isso explica a baixa atenção dada aos dispositivos do tipo e os problemas enfrentados por eles nas prateleiras.

Números conflitantes

Relatórios publicados desde então por consultorias e firmas de pesquisa, porém, mostravam exatamente o oposto e teriam sido baseados em números inflados. A IDC, por exemplo, chegou a afirmar em 2011 que a Samsung já era dona de 17% do mercado de tablets, contrariando uma afirmação de Steve Jobs sobre o domínio de 90% do segmento pelo iPad.

Já a Strategy Analitics afirmava que os aparelhos da marca sul-coreana seriam os principais motores do sucesso dos dispositivos com Android, repetindo um movimento que já havia acontecido no mundo dos smartphones. Em ambos os casos, foram referenciados números oficiais, com a Samsung afirmando ter disponibilizado 2 milhões de aparelhos nas lojas.

O Wall Street Journal, porém, teria alertado que esse total indicava o inventário inicial enviado pela empresa e não as vendas efetivas ou nem mesmo a demanda gerada pelos consumidores. O problema se tornou ainda maior quando a Samsung apresentou o mesmo resultado a seus investidores como amostra da saúde de seu segmento de tablets.

Ao final da reportagem, o Apple Insider chama atenção para o fato de, ao contrário de como agem nos mercados de computadores e smartphones, os institutos de pesquisa não mais realizarem pesquisas distintas quanto ao market share nos Estados Unidos e ao redor do mundo. Em vez disso, os números mostram um crescimento na penetração de tablets fabricados por marcas pequenas, categorizadas como “outras” nas pesquisas.

O próprio presidente da Apple, Tim Cook, já chamou atenção para esse fato, citando números de acesso online que indicam 84% do tráfego oriundo de tablets sendo originado a partir de iPads. Para ele, é impossível que tantos aparelhos do tipo estejam sendo vendidos a cada trimestre, mas sem que apareçam na web.

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