Samsung tem planos para Tizen no Brasil e investe em programadores

Por Rafael Romer | 29 de Agosto de 2014 às 17h30
photo_camera Rafael Romer/Canaltech

* Em Manaus, AM

Nesta semana, a Samsung inaugurou a segunda unidade do Ocean, seu espaço de capacitação e treinamento em software, em Manaus. A iniciativa, que só existe no Brasil e na Coreia do Sul, foi implantada no país em abril deste ano, quando a empresa abriu o primeiro escritório do Ocean, em São Paulo.

Em São Paulo, o Ocean está localizado em um dos principais distritos de negócios da cidade, na Avenida Faria Lima. Já o Ocean Manaus funcionará em um espaço construído dentro do campus de engenharia da Universidade do Estado do Amazonas (UEA), e deve alimentar principalmente os estudantes locais com cursos de desenvolvimento de software e ferramentas e plataformas da Samsung. Apesar das diferenças sociais e econômicas entre as duas cidades, as grades de cursos oferecidos em ambas unidades do Ocean serão semelhantes.

Por estar mais próximo de estudantes na capital amazonense, a expectativa é que a iniciativa manauara traga mais jovens interessados. No Ocean Manaus, por exemplo, serão oferecidos cursos de extensão universitária através da parceria com a UEA (Universidade do Estado do Amazonas) - o que em São Paulo ainda não há previsão para ocorrer.

Mas Manaus também deverá desempenhar um papel ainda mais importante para a empresa com a iniciativa: o foco no sistema operacional Tizen será grande. Ao Canaltech, executivos da empresa informaram que a Samsung tem como objetivo preparar um ecossistema de desenvolvedores capacitados para trabalhar com o sistema Tizen nos próximos anos no Brasil, e que o software deve se tornar cada vez mais importante para a empresa.

Baseado em Linux, o OS deverá ser embarcado em cada vez mais dispositivos da empresa no mundo, com foco em plataformas wearable, como smartwatches e smartbands, e até em plataformas para utensílios domésticos, carros e televisores conectados – que devem ganhar mais espaço dentro de nossas casas com o avanço da tendência da Internet das Coisas (IoE) nos próximos anos.

Na última quarta-feira (28) a empresa já parece ter dado um grande passo nessa direção. Dias antes do início da IFA 2014, uma das maiores feiras anuais do setor de tecnologia, em Berlim, a empresa anunciou um novo smartwatch que independe de conectividade com smartphones ou tablets, o Galaxy Gear S, carregado com o sistema Tizen.

Mas os planos vão além: de acordo com Fábio Croitor, diretor do Media Solution Center da Samsung para a América Latina, a empresa está investindo pesadamente no sistema neste ano, com o lançamento de câmeras e relógios com o OS, e tem planos de expandir para tablets e smartphones. "Não tem nada programado [para o Brasil], mas no futuro provavelmente vai acontecer. É uma tendência", disse.

No entanto, para que o sistema operacional caia no gosto do freguês, é preciso prover uma boa loja de aplicativos compatíveis. Por isso, a empresa aposta na formação de uma comunidade local de desenvolvedores para o Tizen - e aí onde entra o Ocean. "O momento agora é de formação de uma comunidade de desenvolvedores de uma tecnolgia nova que a Samsung vai investir cada vez mais", afirmou Croitor.

Com pouco mais de dois meses de atividade e 30 turmas já formadas, o principal atrativo do Ocean Manaus até agora foi o curso de introdução ao desenvolvimento de jogos digitais, que teve 465 participantes - mais da metade do total de 938 interessados no projeto. Em segundo e terceiro lugares, respectivamente, estão os cursos de desenvolvimento de aplicativos Android e SDK Samsung. O curso de Tizen foi menos buscado, com apenas 144 participantes.

Nos próximos meses, no entanto, a empresa deve se esforçar para mudar isso, dando mais ênfase aos cursos da plataforma. "A estratégia no Ocean é aumentar e cada vez mais intensificar esses treinamentos em Tizen. Mantendo Android, que é a base, mas, se não igual, o mais próximo que a gente conseguir", explicou o diretor de Pesquisa e Desenvolvimento da Samsung para a América Latina, Eduardo Conejo.

Além disso, a empresa já está realizando uma série de eventos para aproximar alguns desenvolvedores talentosos da empresa e do sistema. Em São Paulo, a empresa já promoveu em julho deste ano um desafio de Tizen para estudantes selecionados dentro do Ocean, que desenvolverem novas ferramentas para o sistema. A empresa deverá realizar ainda uma Hackathon para desenvolvimento com o sitema ainda neste ano, que deverá acontecer simultaneamente em São Paulo e Manaus.

De acordo com a empresa, o objetivo principal ainda não é recrutamento de novos talentos para o time da Samsung, mas não descarta a possibilidade de que isso possa acontecer com participantes dos eventos e de cursos do Ocean que criarem soluções interessantes.

O passo seguinte é: tendo essa base já criada, evoluir em cima disso. "Isso a gente está imaginando para o começo do ano que vem, com algumas iniciativas bem mais focadas em Tizen", explicou Conejo, sem dar mais detalhes.

Ainda é cedo para afirmar que a Samsung poderá se distanciar completamente do Android e do Google, trocando o OS por outro sistema sob o qual tem mais controles. Mesmo os executivos da empresa ainda defendem que as iniciativas não significam um afastamento do sistema, mas as ações definitivamente mostram um reposicionamento que já está acontecendo. "O Android hoje domina o mercado, mas a possibilidade de algo novo, que converse com diferentes produtos, gera uma atração muito grande", comentou.

*O repórter viajou para Manaus a convite da Samsung.

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