Samsung suspende relações com fornecedor que empregou mão de obra infantil

Por Redação | 14 de Julho de 2014 às 12h00

Reafirmando seu compromisso de levar a sério denúncias sobre irregularidades trabalhistas em suas fornecedoras, a Samsung anunciou a suspensão dos trabalhos com a Shinyang Electronics, acusada de empregar mão de obra infantil. De acordo com denúncia feita na semana passada pelo jornal The New York Times, pelo menos três meninas, com idades entre 14 e 15 anos, foram encontradas trabalhando para a empresa.

Após a publicação do relatório, que foi divulgado pela organização ativista China Labor Watch, a Samsung disse que investigaria o caso. Agora, na madrugada desta segunda-feira (14), anunciou a suspensão das atividades em conjunto com a Shinyang, dizendo que fará o mesmo com outras fornecedoras suspeitas ou acusadas de violações do tipo. A fábrica produz capas plásticas e componentes internos para celulares da marca e fica em Dongguan, na China.

A empresa disse que a suspensão é temporária, enquanto uma auditoria é realizada e mais provas são descobertas. A decisão foi tomada de acordo com uma política de tolerância zero, aplicada pela Samsung em seus fornecedores e parceiros comerciais no que diz respeito às leis trabalhistas e condições oferecidas aos funcionários.

O relatório do China Labor Watch cita que as três jovens que participaram de reportagem do The New York Times não seriam as únicas menores trabalhando para a fornecedora da Samsung. Além disso, a denúncia cita horas extras excessivas, falta de segurança, péssimas condições de trabalho e jornadas de 11 horas por dia, sete vezes por semana. São características que vão contra as leis chinesas, mas ainda assim, são cada vez mais comuns no país asiático.

A Samsung está ciente desse tipo de situação e, segundo o site CNET, já teria realizado três auditorias internas na usina da Shinyang. Em todas as investigações, porém, não teria encontrado nenhuma evidência de trabalho infantil. O China Labor Watch discorda e afirma que provas de um “processo ilegal de contratação” teriam sido localizadas pela empresa, mas não se sabe que tipo de atitudes foram tomadas em relação a isso.

Seja como for, a fabricante coreana disse que, se confirmadas as denúncias de existência de trabalho infantil, cortará permanentemente as relações com a Shinyang. O mesmo vale para qualquer outro fornecedor, seja devido a acusações como estas ou outras vistas com igual gravidade pela companhia, como a ausência de condições de segurança ou horas extras excessivas ou não pagas.

Essa não é a primeira vez que a Samsung acaba na mira de instituições ou governos devido às condições de trabalho em suas fábricas. Até mesmo o Brasil, em 2013, já investigou a empresa devido a supostas violações de leis trabalhistas, e o mesmo vale para plantas da companhia em outros países. A China, principalmente, é um problema, já que a marca coreana parece não ter tanto controle assim do que acontece por lá.

Único caminho

As garotas entrevistadas pelo jornal americano admitiram terem usado documentos falsos para conseguir o trabalho, afirmando já terem feito isso antes e conhecer outros jovens que também fazem o mesmo. Essa seria a única alternativa para conseguir sair das condições financeiras complicadas da população chinesa, extremamente pobre em um país cuja economia prospera mais a cada mês.

Elas disseram, inclusive, já ter feito a mesma coisa antes, para arrumar empregos em outras fábricas chinesas. As três falaram ao New York Times sob condição de sigilo, de forma a não serem identificadas nem perderem o emprego.

As leis chinesas proíbem a contratação de menores de 16 anos para o trabalho em fábricas, mas muitas empresas, como a própria Samsung, acham que até mesmo essa idade é baixa demais e instruem seus fornecedores a contratarem apenas maiores de 18. E é esse o motivo que leva muita gente a utilizar documentos falsificados e a buscar agências de recrutamento, que fariam o “trabalho sujo” para as grandes empresas sem envolvê-las diretamente.

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