Samsung pede desculpas e diz que indenizará famílias de funcionários mortos

Por Redação | 14.05.2014 às 14:00

A Samsung fez um pedido de desculpas oficial nesta quarta-feira (14) pelas mortes de alguns de seus funcionários que podem ter sido ocasionadas pelo contato direto com produtos químicos pesados em abientes de trabalho da empresa.

"Vários trabalhadores em nossas instalações de produção sofreram de leucemia e outras doenças incuráveis, que também levaram a algumas mortes" disse o CEO da Samsung Eletronics, Kwon Oh-Hyun. "Poderíamos ter sido mais diligentes no alívio do sofrimento dos ex-funcionários e seus respectivos familiares. Faremos a compensação adequada para aqueles que foram afetados e suas famílias".

O escândalo estourou com o lançamento do documentário Another Promise, que segue a trajetória de um pai em busca de respostas para a morte da filha que desenvolveu um tipo raro de leucemia após começar a trabalhar na empresa. O documentário, lançado no mês passado e produzido por ativistas sul-coreanos, mostra ainda outros 56 casos de leucemia e outras doenças contraídas após a exposição dos funcionários aos produtos químicos.

Apesar do estopim há um ano, a Samsung está envolvida em polêmicas referente a salubridade dos seus ambientes de trabalho desde 2011. Naquele ano, um tribunal administrativo de Seul disse que havia uma grande probabilidade de Hwang Yu-Mi, que morreu de leucemia em 2007, ter contraído a doença depois de entrar em contato com produtos químicos perigosos em uma fábrica da empresa.

"Nós deveríamos ter resolvido a questão mais cedo. Estamos com o coração profundamente partido por não conseguirmos fazê-lo e expressamos nosso profundo pedido de desculpas", acrescentou o diretor-presidente da companhia.

O pronunciamento oficial da Samsung vem em resposta a pressão do SHARPS, grupo formado por sindicatos e ativistas dos direitos humanos para lutar por melhores condições de trabalho na companhia. Segundo o grupo, pelo menos 26 trabalhadores contraíram doenças de sangue em instalações da Samsung em Gi-heung and On-Yang e pelo menos 10 já teriam morrido.

O SHARPS alega que as medidas de segurança, incluindo as roupas de proteção usadas pelos trabalhadores, são projetados para proteger os produtos e não os trabalhadores, que estão expostos a produtos químicos e raios nocivos.