Saiba mais sobre a LinkIt, plataforma desenvolvida para dispositivos vestíveis

Por Stephanie Hering | 17.06.2014 às 10:43
photo_camera Divulgação

No último dia 3, durante a Computex, a MediaTek anunciou a LinkIt, uma plataforma de desenvolvimento com foco nos dispositivos vestíveis e na Internet das Coisas (ou em inglês, "Internet of Things", IoT). A novidade foi anunciada junto do MediaTek Labs, uma espécie de "laboratório" no qual a empresa pretende agregar, em breve, outros sistemas para desenvolvimento não só de wearables.

A MediaTek já tem um papel muito importante na área de comunicação, já que é uma das principais fabricantes de chipsets para smartphones e tablets. De acordo com a fabricante, atualmente 500 milhões de dispositivos utilizam chipsets da MediaTek, sendo que destes, 220 milhões estão em smartphones.

Além disso, a companhia tem como foco o mercado "super-mid" (intermediário), com o objetivo de que a classe média tenha poder aquisitivo para adquirir um dispositivo que a capacite a criar todos os dias, seguindo seu conceito de "Everyday Genius", isto é, "gênio de todo dia".

Para Sérgio Abramoff, gerente sênior de vendas e marketing da MediaTek na América Latina, o anúncio mostra mais um produto que condiz com a linha de pensamento da fabricante. "Internet das Coisas e vestíveis são só novas tendências, algo que está começando agora e que está alinhado com o que a MediaTek já vem fazendo", afirma. Segundo o Gartner, 26 a 30 bilhões de dispositivos deverão estar conectados à IoT até 2020. Além disso, estima-se que a receita gerada seja superior a US$ 300 bilhões.

Ao adotar a LinkIt, o chipset que será utilizado é o Aster, menor modelo da MediaTek. O chip mede exatos 5,4x6,2mm e para efeito de comparação, chega a ser menor que um grão de café. Ele ainda conta com processador de 1 core e suporte à rede 2G. De acordo com a empresa, o kit de desenvolvimento de software (SDK) estará disponível para Arduino e VisualStudio, e, no quarto trimestre de 2014, chegará também para Eclipse.

Aplicações

Seguindo seu foco super-mid, a MediaTek espera que, ao desenvolver um software com a LinkIt e o Aster, os dispositivos atinjam soluções mais baratas, já que além de tudo, o chipset é indicado para aplicações mais básicas. Com sua alimentação de energia própria e modo stand-alone graças ao 2G, é possível enviar informações pela nuvem.

"O Aster funcionará super bem em, por exemplo, uma roupa inteligente que faça o monitoramento de um jogador, armazenando dados obtidos por sensores como batimento cardíaco ou temperatura. Ao serem combinadas com um programa, as informações podem influenciar nas escolhas sobre substituição ou posicionamento", explica.

Aster: menor que um grão de café (Foto: Divulgação)

Aster

Ainda segundo o executivo, o Aster também pode ser usado em smartwatches e pulseiras inteligentes, fazendo conexões com smartphones e tablets por meio de seu Bluetooth integrado. "Como o Aster é um produto simples, ele deve ajudar a 'massificar' esses novos vestíveis. Nossa ideia é permitir a criação de aparelhos que não sejam caros e sejam totalmente acessíveis".

Contudo, empresas e desenvolvedores que busquem chips mais sofisticados ou código aberto também serão contemplados. "Até o final do ano, lançaremos outros produtos desta linha que já são, em quesito de recursos, mais inteligentes. Além disso, eles também poderão trabalhar com o Android. Assim, a MediaTek vai ter dois lados: um focado nos dispositivos mais simples, que não seguem sistema operacional aberto mas permitem solucionar problemas simples e agregam um custo pequeno; e o outro, para aparelhos mais complexos e com Android", revela Sergio.

Parcerias

Outra novidade divulgada na Computex foram as parcerias com empresas que utilizarão o LinkIt para criar soluções. A primeira delas é a Gameloft, desenvolvedora de jogos que promete criar títulos para smartwatches. Como mostrado na feira e em vídeo, ao que tudo indica, a ideia é que o relógio funcione de forma semelhante a um controle com sensor, como no console Wii. O smartwatch da Gameloft ainda contaria com opções de um menu normal, isto é, pausar, gravar ou acessar uma home.

Aos 0:51 do vídeo, é possível ver a demonstração da Gameloft

Questionado sobre alguns entraves que o conceito pode sofrer, Abramoff acredita que eles são inerentes ao desenvolvimento de algo novo, mas que podem ser superados. "Estamos falando de algo que está começando agora, diferente de um smartphone que já está no mercado há anos. Como qualquer outra coisa que está nascendo, essa ideia ainda tem muitos desafios para percorrer. Consumo de bateria, performance, conectividade, interatividade... são todos obstáculos que essa tecnologia vai enfrentar. Smartphones e tablets também tiveram esses entraves e, com o tempo, souberam superá-los", opinou.

Segundo Sergio, uma alternativa para desenvolvedoras de jogos é também transportar jogos de feature phones para relógios inteligentes com o Aster.

A segunda companhia parceira da MediaTek é o Baidu, que deve funcionar como rede social para conectar o usuário com outros dispositivos e mostrar sua localização. Além do Baidu e Gameloft, Counter Computer e Acer também fazem parte da lista de parceiros.

Privacidade

Na era do Big Data, analistas já se preocupam com a privacidade de dados armazenados por dispositivos vestíveis. Pensando nisso, a MediaTek adotou o conceito da Acer de Build Your Own Cloud ("Construa sua Própria Nuvem") e afirma que, ao criar um dispositivo usando a LinkIt, o aparelho armazenará dados não na nuvem pública, mas sim em uma nuvem privada.

"Com o LinkIt, os dados não vão para a nuvem, vão para a sua nuvem. E, sendo a sua nuvem, significa que os dados ficam armazenados num servidor que é somente seu, com o tamanho que você quiser", conta Abramoff.

Disponibilidade

Apesar de ter sido anunciada na Computex, a plataforma LinkIt ainda não está disponível para o mercado. No momento, desenvolvedores e companhias interessadas podem somente se inscrever pelo e-mail labs-registration@mediatek.com.

Segundo Sergio, a LinkIt deverá ser lançada oficialmente ainda no segundo semestre deste ano. "A plataforma ainda está sendo amadurecida. Como ela vai estar aberta para o mundo inteiro, ela só pode ser disponibilizada quando estiver sólida. Por isso ainda não foi lançada", justificou.