Risco de segurança pode prejudicar compra de parte da IBM pela Lenovo

Por Redação | 04.04.2014 às 17:28

A Lenovo vê a compra do segmento de servidores da IBM como um grande passo para a sua expansão, deixando de depender apenas de computadores pessoais para investir mais nos segmentos empresariais. Medidas tomadas pelo governo dos Estados Unidos para se defender de espionagem estrangeira, porém, podem acabar dificultando todo o processo de aquisição.

O problema acontece devido ao fato de agências oficiais dos EUA, como o Pentágono e o FBI, serem clientes antigos da IBM. Devido à ameaça de hackers chineses e de uma espionagem ostensiva que estaria sendo praticada pelo governo asiático, o Comitê de Investimento Estrangeiro estaria disposto a acompanhar bem de perto a negociação. O órgão atua em investigações sobre o risco de compra de empresas americanas por estrangeiros.

Além disso, empresas chinesas de hardware estariam sendo banidas pelo governo dos Estados Unidos justamente pela possibilidade de tais equipamentos esconderem backdoors e outros dispositivos que possam permitir invasão e espionagem. Essa também seria uma preocupação no caso da Lenovo, de acordo com o que publicou o Bloomberg, e o principal motivo por trás desse impasse maior sobre a negociação.

A compra foi anunciada em janeiro e, na época, a fabricante chinesa disse acreditar que questões de segurança não seriam um problema. Afinal de contas, a Lenovo já havia adquirido, em 2005, o segmento de PCs da IBM como uma maneira de fortalecer o próprio negócio. Na época, porém, não existia uma preocupação do governo americano quanto ao roubo de tecnologias e informações americanas por companhias chinesas.

O foco da investigação governamental seria os sistemas usados por empresas de infraestrutura, como usinas de energia ou do setor químico. Como tais equipamentos funcionam por longos períodos de tempo e recebem poucos upgrades, a necessidade de manutenção é constante e é justamente isso que os Estados Unidos desejam garantir que ocorra de maneira segura.

A Lenovo já afirmou oficialmente que não terá acesso a nenhuma infraestrutura usada pelo governo americano, por exemplo, já que a própria IBM continuará dando suporte a eles mesmo após a compra. Os contratos atuais têm duração de pelo menos cinco anos e devem ser rediscutidos no momento oportuno.

As restrições dos Estados Unidos em relação à atuação de empresas chinesas já fez com que a Huawei deixasse de obter contratos lucrativos junto a companhias americanas. Análises de especialistas, porém, só encontraram backdoors instalados pela própria NSA em equipamentos da fabricante.