Resultados abaixo do esperado causam queda nas ações da Oracle

Por Redação | 19.03.2014 às 11:43

Os números da Oracle referentes ao terceiro trimestre do atual ano fiscal, encerrado no último dia 28 de fevereiro, não impressionaram os investidores. Apesar de ter apresentado resultados positivos, a empresa não foi convincente sobre seu contínuo crescimento e, com isso, viu suas ações caírem 4% na Bolsa de Valores de Nova Iorque.

No período, a empresa apresentou crescimento de 8% no faturamento de seu segmento de hardware, totalizando US$ 725 milhões. Esse foi o primeiro resultado positivo desde a aquisição da Sun Microsystems, realizada em 2010. A recuperação, citada como destaque no relatório, não foi vista como tão importante por analistas ouvidos pela Reuters, já que não se trata de um dos principais negócios da Oracle.

O grande negócio da Oracle continua sendo a venda de sistemas que ficam instalados na própria infraestrutura dos clientes. Um fluxo constante de dinheiro é obtido a partir dos serviços de assinatura e suporte, uma prática que cada vez mais é vista como obsoleta e está sendo substituída por soluções conectadas. Os gastos com software local devem crescer apenas 3% em 2014, enquanto a receita de cloud computing deve atingir 18%, de acordo com números do Gartner.

É justamente por isso que, para os investidores, a Oracle está ficando para trás e, agora, tenta “correr atrás do prejuízo”. Entre dezembro de 2013 e fevereiro de 2014, as assinaturas desse tipo de serviço cresceram cerca de 24% e registraram US$ 292 milhões. O resultado, apesar de parecer impressionante, representa somente 3% do total de ganhos da empresa.

De forma a ganhar representatividade nesse segmeto, a Oracle tem realizado aquisições de companhias menores, como a Responsys. A estratégia facilita a transição da companhia, mas, pelo jeito, ainda está longe de ser digna de nota para os investidores, principalmente quando se leva em consideração a concorrência com companhias menores como a Salesforce e a Workday Inc.

Para o CEO Mark Hurd, porém, a Oracle está no caminho certo. Durante a conference call que apresentou os resultados aos acionistas e à imprensa, ele disse acreditar que a reorganização da força de vendas da companhia está permitindo um alinhamento melhor com o mercado. Na visão dele, a empresa está se tornando cada vez melhor no ramo do cloud computing.

Na visão geral, os resultados também foram positivos. O faturamento global da compamhia cresceu 4% (US$ 9,31 bilhões), mas o resultado é um pouco abaixo dos US$ 9,36 bilhões que estavam previstos. O lucro teve aumento de 2% e foi para US$ 2,56 bilhões, enquanto os ganhos por ação subiram 8%.

Previsões para o futuro

Durante a conference call, a CFO Safra Catz também aproveitou para anunciar algumas previsões para o trimestre atual, em uma tentativa de acalmar os ânimos dos investidores. Segundo ela, a empresa continuará a manter seu ritmo de crescimento até maio, com um aumento no faturamento que deve variar de 3% a 7%, com valores entre US$ 11,3 bilhões e US$ 11,7 bilhões.

Para Wall Street, as expectativas são semelhantes. Os acionistas esperam um faturamento de US$ 11,5 bilhões para o atual trimestre e um valor de ações na casa dos US$ 0,96 por cota. São números perfeitamente possíveis e que a Oracle agora pretende ultrapassar de forma a aumentar sua confiança e dos seus investidores.