Reportagem descobre a verdadeira identidade do criador das Bitcoins

Por Redação | 06.03.2014 às 17:03

Em uma extensa reportagem investigativa, a revista americana Newsweek conseguiu revelar a verdadeira identidade de Satoshi Nakamoto, o criador das Bitcoins. Em matéria de capa, a publicação revela que o responsável pelas criptomoedas mora na cidade de Temple City, nos Estados Unidos, e tem 64 anos de idade.

Apesar de ter uma fortuna estimada de US$ 400 milhões em Bitcoins, Nakamoto vive uma vida humilde em uma pequena casa. Ele se veste de maneira simples e é extremamente cauteloso, chegando a chamar a polícia quando percebeu a chegada da repórter Leah McGrath Goodman em sua residência. Ele se negou a dar entrevistas e disse que, hoje, não está mais envolvido com as criptomoedas.

A apuração da reportagem levou cerca de dois meses e, nesse meio tempo, derrubou muitos dos mitos que envolviam a figura de Nakamoto. Esperava-se que esse fosse um nome falso, usado por algum jovem programador que desejasse esconder sua identidade ou por um grupo de profissionais desse tipo. No fim das contas, essa é realmente a identidade do criador das Bitcoins, um nipo-americano que já está bem longe da adolescência.

Após uma busca nos registros de Seguridade Nacional dos Estados Unidos, Goodman descobriu diversos Satoshis Nakamotos residindo nos Estados Unidos, incluindo um que, pela rede social LinkedIn, afirmava ser o criador das Bitcoins. A localização do verdadeiro responsável, porém, não aconteceu por meio de documentos oficiais, e sim através de um hobby do programador: os trens a vapor em miniatura.

Foi a partir de uma loja frequentada por Nakamoto que a repórter obteve seu contato e começou a interagir com ele. A troca de emails, porém, foi interrompida assim que ela tocou no assunto Bitcoin. Mais tarde, ele também se recusou a responder telefonemas e foi protegido pela família, que também chegou a ser acionada pela jornalista.

Satoshi Nakamoto

Ela, porém, conseguiu falar com um dos irmãos de Nakamoto, Arthur, diretor de certificação de qualidade em uma fábrica de amplificadores chamada Wavestream Corp. e uma coisa ficou clara: Satoshi é um homem recluso e de poucas palavras, que passou boa parte de sua vida trabalhando em projetos confidenciais e jamais admitiria ser o criador das Bitcoins.

A mesma informação foi obtida com Gavin Andresen, que admite ter sido um dos programadores-chefe do projeto Bitcoin. Mesmo trabalhando por meses em contato com Nakamoto, o especialista afirmou que o criador das criptomoedas sempre foi alguém de poucas palavras, que evitava falar de sua vida pessoal.

Os motivos para a criação das moedas virtuais, porém, sempre foram bem claros. Tratam-se de razões políticas. Satoshi Nakamoto, apesar de nunca ter se afirmado como um “anarcocapitalista”, era contra o sistema bancário vigente, onde poucas pessoas “possuem as chaves” e guardam a fortuna de todos. Com as Bitcoins, quebravam-se essas paredes e cada um poderia cuidar de seus próprios fundos como preferisse.

Investigação invasiva

Há um grande motivo para o isolamento de Satoshi Nakamoto. Apesar das Bitcoins serem consideradas o Santo Graal para muitos que também são contra o sistema bancário, as criptomoedas também chamaram a atenção da justiça em diversos países, motivando processos, investigações e até mesmo a prisão de alguns indivíduos.

Além disso, há uma preocupação primordial com a própria segurança. Como Nakamoto possui uma fortuna de US$ 400 milhões em Bitcoins, ele é um grande alvo para ataques hackers e invasões em busca não apenas das moedas, mas também dos códigos originais do projeto, que poderiam ser analisados em busca de falhas ou usados para fins escusos.

É justamente por isso que a reportagem da Newsweek vem sendo criticada por diversos outros veículos de imprensa. Para o Slash Gear, por exemplo, a apuração intrusiva realizada pela revista resultou em quebras profundas na privacidade de Nakamoto, uma vez que sua idade, foto e até mesmo imagens de sua casa foram publicadas.

Além disso, o site critica a maneira usada pela jornalista para obter as informações, entrando em contato com familiares do programador e utilizando métodos pouco transparentes – como a conversa sobre trens em miniatura – para chegar até sua fonte.