Rede social corporativa expande interação entre funcionários da General Electric

Por Rafael Romer | 23 de Agosto de 2013 às 13h38

Presente em cerca de 100 países, a General Electric (GE) é uma multinacional gigante que soma mais de 300 mil funcionários ao redor do globo. Mas o tamanho da empresa gerava algumas dificuldades de comunicação e troca de ideias, que foi superada com uma experiência bem sucedida e inspirada em uma das tendências mais fortes da sociedade contemporânea: uma rede social.

Chamada de GE Colab, a rede social interna da GE nasceu há cerca de um ano e meio com o objetivo de "tornar a companhia menor" e ajudar a facilitar e agilizar a comunicação e interação entre colaboradores. “A ideia é ajudar a ajudar pessoas e conectar informações”, explicou João Lencioni, CIO da GE na América Latina durante um encontro do Comitê de CIOs, organizado pelo WTC Business Club, em São Paulo nesta quinta-feira (22). "Existe muita inteligência dentro das empresas, o difícil é localizar. A plataforma tinha essa idéia, esse foi o mote geral”.

A plataforma GE Colab foi criada em parceria, dentro de um ambiente da Cisco, e lançada após cerca de quatro meses de desenvolvimento. Atualmente, cerca de 285 mil dos funcionários e colaboradores da GE já utilizam a plataforma. O tempo médio de interação por usuário, a cada dia, é de 11 minutos. Além disso, o Colab já é suportado em todos os browsers e tem versões para smartphones e tablets rodando nos principais sistemas operacionais mobile.

Quando lançada, a plataforma chegou ao público em uma versão “beta”, ainda com poucas funções e usabilidades. João explica que parte da importância de ter sido apresentada de forma enxuta é que a GE desejava algo que fosse instintivo de se utilizar e que qualquer colaborador conseguisse acessar. "A gente queria dar uma cara de Facebook para ela”, afirmou Lencioni. O design era particularmente importante para GE pois o Colab não era a primeira ferramenta interna da empresa a tentar promover a comunicação entre pessoas. Ainda ativo, mas em processo de absorção pelo Colab, o GE Conect também tinha a mesma função, mas nunca foi tão popular entre os funcionários por conter muitos menus e interface confusa.

Uma rede social completa

Após o lançamento, rapidamente começaram a chegar os feedbacks de early adopters dentro da GE para que o stream único de informações que o Colab oferecia fosse incrementado. Assim foi criada a função que hoje é talvez a principal do serviço, segundo João: os Canvas. Assim como em outras redes sociais, os Canvas são grupos de discussão entre funcionários, que podem abertos ou fechados. Atualmente já existem mais de 16 mil Canvas diferentes dentro do Colab, com temas corporativos que variam de mobilidade, ERP e realidade aumentada, a assuntos não-corporativos, como grupos de ciclistas. Os Canvas também podem ser customizados pelos próprios criadores, deixando-os visualmente mais chamativos e informativos.

A ideia de implementar grupos dentro do Colab não foi completamente aceita desde o princípio, explica o CIO. Dentro do time responsável pelo desenvolvimento da plataforma através dos feedbacks, alguns acreditavam que a criação de grupos poderia levar ao "fechamento" das informações divulgadas na rede social, o que iria contra a própria concepção do Colab. Mas eventualmente a demanda dos funcionários foi muito grande, e os Canvas acabaram incluídos. Lencioni, por outro lado, diz acreditar que há espaço para ambos dentro do Colab, explicando que até ele próprio participa de um grupo fechado, voltado só para os líderes de TI da GE na América Latina.

Aos poucos, o Colab foi tomando a forma de uma rede social completa, pegando elementos e referências de diversos outros sites do tipo para colocar à disposição dos colaboradores. Hoje já é possível compartilhar vídeos, postar links, e até "curtir" posts de outros usuários dentro do Colab. E, é claro, cada usuário também possui um perfil próprio que, além de informações de currículo, pode conter dados sobre os interesses de cada funcionário.

Foram até incluídos os chamados hovercards, janelinhas que abrem quando o cursor é passado sobre a a foto de uma pessoa, permitindo várias interações entre usuários, como mandar e-mail, abrir uma seção de vídeo, abrir uma janela de mensagens instantânea, ou seguir a pessoa.

As mensagens instantâneas, aliás, são uma das funções mais incentivadas dentro do Colab e tem o objetivo de tentar reduzir o tráfego de e-mails dentro da GE. João, no entanto, afirma que não percebeu uma redução efetiva no último ano e meio. Pelo contrário: uma das principais demandas de usuários foi um mecanismo de notificações que lhes avissasse por e-mail as novidades em grupos ou novos posts de pessoas seguidas. A ideia, no entando, é que uma central de notificação seja instalada dentro do Colab para eventualmente substituir o e-mail e parar de gerar informações redundantes.

Organismo vivo

Desde seu lançamento, o Colab já se tornou parte "essencial" da GE, na avaliação do CIO, e hoje já não poderia mais ser retirada dos usuários. A tendência, segundo ele, é que a rede não pare de crescer e se desenvolver, evoluindo conforme as demandas e feedbacks de usuários foram sendo recebidas pela equipe responsável pelo projeto. “A ferramenta não vai parar nunca. Ela é um organismo vivo", define.

Em vez de procurar setores e correr atrás de respostas, os colaboradores da GE conseguem hoje acelerar o tempo de respostas e de troca de informações dentro da organização, criando posts e discutindo assuntos em questão de minutos. O Colab não é padronizado e pode ser usado em qualquer língua, apesar de ter o inglês como "língua franca". Isso significa que qualquer funcionário pode fazer contato com outros de qualquer outro país onde a GE atua.

Para Lencioni, a plataforma também colaborou para aproximar não só funcionários entre si, mas também com os tomadores de decisão da empresa. É comum que líderes da GE façam postagens semanais em tom bem mais leve do que os tradicionais "memorandos" de e-mail, o que aumenta a frequência de contato dentre empregados e líderes, reforçando ideiais da empresa.

Por receber muito conteúdo de importância para a empresa, o Colab contém uma série de diretrizes de segurança que são informadas aos participantes assim que eles logan pela primeira vez no serviço, como guidelines sobre a importância e valor da informação, assim como separar o pessoal e profissional em suas postagens. Além disso, é impossível postar anonimamente dentro da rede, o que evita problemas com o conteúdo postado. Todos os dados do Colab também ficam dentro dos firewalls da GE.

Questionado sobre como os dados produzidos pelo Colab são utilizados pela GE, João afirma que atualmente não há nenhum plano de Business Analytics amplo, que colete e analise as informações, dentro da rede. Há planos, entretanto, para implantação de análises semânticas que poderão olhar para postagens de usuários e avaliar o que está acontecendo dentro da organização. "O interesse da companhia em começar a olhar esse tipo de coisa acontece. A medida que toda a companhia está ali dentro, é interessante você acompanhar as informações postadas", afirma ao Canaltech. Por hora, esse tipo de pesquisa ainda é realizado pela GE através de outra plataforma anônima da empresa.

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