Rede Globo: os bastidores do desenvolvimento do app da Copa do Mundo

Por Igor Lopes | 23 de Novembro de 2014 às 18h36

Se você acompanhou a Copa do Mundo com afinco, deve ter baixado o app da Globo feito para a competição. Com ele, era possível não só obter informações complementares à transmissão, como também interagir com os narradores por meio de enquetes e mensagens. Era possível, ainda, conversar em um chat e até fazer parte de um bolão virtual com outros usuários, e os ganhadores eram convidados a participar ao vivo da programação da emissora. Vídeos específicos para a segunda tela, em diversos ângulos, também eram disponibilizados.

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App da Copa: chat, estatísticas em tempo real e bolão entre usuários (Foto: Reprodução/Google Play)

Falando assim (e ainda mais sabendo do tamanho da Globo, dos investimentos que ela faz em seus produtos e da preocupação que a emissora tem em oferecer serviços impecáveis), dá para pensar que a estrutura e a equipe disponibilizadas para a execução desse projeto foram imensas, certo? Bom... nem tanto. Tudo foi desenvolvido por apenas seis profissionais técnicos, e demorou apenas seis meses para sair do papel para o mundo real.

O projeto ainda contou com o agravante de ser o primeiro do tipo a ser desenvolvido internamente pela Globo. "Nada podia dar errado! O nervosismo era grande, ainda mais por se tratar de algo dessa magnitude", conta Fabio Castro, desenvolvedor responsável pelo app da Copa, em palestra durante a AWS re:Invent, em Las Vegas, no início do mês. De acordo com ele, o sucesso só foi possível porque toda a estrutura estava na nuvem. Além disso, a AWS, fornecedora da infra, disponibilizou um arquiteto de soluções que prestou suporte full time para a empresa ao longo do projeto. Nesse sentido, o fato de contar com os serviços da AWS foi fundamental, uma vez que a provedora de infra oferece, também, várias soluções "de prateleira", já prontas para executar rotinas comuns a vários clientes. Isso significa que a equipe local de TI não precisa desenvolver, por conta própria, várias etapas do trabalho. Basta escolher aquelas que serão úteis durante o processo e utilizá-las, sem nenhuma dificuldade.

A Globo não divulga números de acesso, mas não é difícil imaginar que o bombardeio de requisições ao serviço foi astronômico toda vez que o Galvão Bueno chamou, no ar, a participação do público. Para garantir que o serviço não seria derrubado, a AWS promoveu uma simulação prévia que atacou a estrutura e estressou cada ítem da arquitetura. Com as informações prévias, foi possível afinar o código e a infra para que ela pudesse sustentar os mais de 1 milhão de usuários que baixaram o app, sem que o serviço saísse do ar uma só vez ao longo da competição.

Todo o conteúdo relacionado ao app foi hospedado na nuvem da AWS - desde o software em si até o CMS utilizado pela equipe de conteúdo, que abastecia a segunda tela com vídeos e enquetes exclusivos.

O resultado foi comemorado não só pelos desenvolvedores e pela emissora, mas também pelo público. Na Google Play, o app foi avaliado por mais de 200 mil pessoas com uma média de 4 estrelas. Liliane Cruvinel foi uma das telespectadoras que "viciaram" na oferta da segunda tela. Ela foi a ganhadora do bolão virtual, uma verdadeira "Mãe Dinah" do app. "Quanto mais usava o app, mais ficava atenta ao jogo. Enquanto o jogo não terminava, enquanto não via o último ponto, não tinha a certeza de que eu ia ganhar. Eu torcia pelo jogo e também por mim [no bolão do app]", comenta a usuária em um vídeo de divulgação do case, exibido durante a palestra.

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App da Copa: usuários podiam palpitar sobre o placar dos jogos, e um ranking era formado entre os que mais acertavam (Foto: Reprodução/Google Play)

"Keep it Simple"

Tanto para a AWS quanto para a Globo, o segredo para o sucesso é fazer as coisas da maneira mais simples possível. "Dentro da AWS, há uma 'regra' de que qualquer equipe de trabalho deve ser alimentada com no máximo duas pizzas. Se você precisar encomendar uma terceira pizza, é sinal de que a turma está ficando grande demais", brinca Jeff Barr, evangelista da empresa. Essa regra foi seguida pela Globo que, com uma equipe reduzida e recursos pouco generosos para os padrões da emissora, conseguiu executar um ótimo trabalho.

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