Que os outros nos copiem!

Por Henrique Setton | 29 de Maio de 2014 às 11h54

É isso mesmo, meu caro leitor! Surpreenda-se, mas a cultura americana também tem seus tons arrogantes. Recebemos, há alguns meses, aqui na Universidade de Stanford, Peter Thiel, um homem bastante controverso e cheio de polêmicas. É mais fácil relacioná-lo com alguns de seus feitos do que lembrar de seu nome.

Em resumo, Peter é conhecido por ter sido um dos primeiros investidores do Facebook – empresa que dispensa apresentações – e por ter fundado a Paypal – empresa de pagamentos online. Ele carrega um histórico de grandes acertos (de grandes fracassos, se você, leitor, relembrar meu último artigo – "E que venham os fracassos!") e de grande acúmulo de riqueza. Justamente por isso, ele se tornou um grande investidor.

Em sua curta palestra, ele fez questão de evidenciar o quão polêmicas suas idéias e opiniões são. Mas ele não fez isso de uma forma qualquer. Muito pelo contrário. Ele escancarou-as em dois principais blocos de assuntos, que eu faço questão de dividí-los com você a seguir.

O primeiro, que eu denominei de “Pare de Estudar”, por si só já seria suficiente. Lembra-se do filme “A Rede Social“? Pois então, a proposta dele é justamente essa. Ou, em outras palavras, se você se dá bem, pare de estudar! A plateia um tanto surpresa tenta entender. Para não a deixar com tanta expectativa, muito eloquentemente, ele explica que desenvolveu um projeto pelo qual oferece USD 100 mil aos alunos que deixarem as salas de aula para seguirem seu ideal e desenvolverem com e para ele projetos um tanto quanto ambiciosos. Um assunto controverso, ainda mais quando apresentado para alunos nem tão maduros que sonham em ser o próximo Mark Zuckerberg dentro da própria Faculdade, não é? E isso é que é fantástico: aqui você pode falar o que pensa!

Mas não desviemos do assunto. A questão é que a oferta é muito atraente, mas ele se “esqueceu” de ler as letras miúdas. Não eram todos os presentes que se enquadravam no perfil modelado por Peter. Será que a platéia inteira entendeu isso?

Outro assunto bastante interessante apresentado, intitulado por mim de “Que os outros nos copiem”, refere-se aos países emergentes. Em sua opinião nada eclética, os Estados Unidos e talvez um ou outro país da Europa, como a França, seriam o cérebro criativo do mundo ainda em franca liderança. Nesse momento indigesto, uma pergunta de um dos ouvintes foi feita: “e os países emergentes como China, Brasil, Índia e Rússia?”. A resposta foi dada em uma velocidade tão rápida que nem parecia que poderia haver dúvidas por parte do palestrante: “esses não apresentam competição. São meros copiadores e replicadores de modelos”.

Como brasileiro que sou, não pude deixar de sentir meu sangue ferver, mas logo passou e tudo ficou claro. Apesar de extremamente enfático, ele não estava de toda forma errado. Realmente, temos copiado uma série de modelos que tiveram sucesso nos Estados Unidos. A febre das compras coletivas, como o Peixe Urbano e o Groupon, é apenas um exemplo. Outro, já do lado europeu, seria a alemã Rocket, bastante conhecida por copiar sites e modelos de negócio que dão certo pelo mundo e adaptá-los às realidades locais. Por outro lado, isso também escancara que, para os americanos, estamos a milhas de distância.

Até o próximo!

Fique por dentro do mundo da tecnologia!

Inscreva-se em nossa newsletter e receba diariamente as notícias por e-mail.