Project Ara ganhará loja própria para venda de módulos e componentes

Por Redação | 23 de Outubro de 2014 às 18h04
photo_camera Divulgação

Se o cronograma do Google estiver certo, em pouco mais de dois meses os usuários poderão adquirir os primeiros smartphones modulares do Project Ara. Ainda não se sabe como serão esses aparelhos, ou se haverá mais de um modelo disponível, mas a gigante das buscas quer ter certeza de que os clientes farão boas escolhas. Por isso, a companhia lançará uma loja própria que incluirá módulos, componentes, análises e recomendações de outros consumidores.

A informação foi revelada por Paul Eremenko, líder da equipe por trás do Project Ara, em uma entrevista recente na Universidade de Purdue, nos Estados Unidos. Segundo o executivo, a loja será vinculada aos serviços da Google Play Store, assim como já acontece na comercialização de outros produtos, como tablets, smartphones, capas para celular e diversos acessórios da linha Android. Além disso, o kit de desenvolvimento do Ara será vendido para que as pessoas possam criar módulos com novas funcionalidades.

"Seguindo o modelo do Android, nós estamos criando uma plataforma aberta e gratuita. O Ara MDK [Module Developers Kit] é livre, sem custos e disponível a todos, então qualquer pessoa pode criar um módulo de acordo com as especificações do desenvolvedor, colocá-lo na loja de componentes do Ara, que é uma seção da Google Play Store, e vendê-lo diretamente aos consumidores", explicou.

A entrevista completa de Eremenko pode ser assistida abaixo (em inglês):

Em julho deste ano, o Google abriu um período de inscrições de desenvolvedores interessados em adquirir um kit de desenvolvimento (MDK) dos celulares do Project Ara. Na época, apenas usuários que pudessem se comprometer com o projeto foram selecionados, uma vez que a empresa levou em consideração a experiência profissional dos devs. O kit enviado aos escolhidos foi o mesmo exibido na conferência Google I/O, em junho.

O MDK do Project Ara já revelou pelo menos três tamanhos distintos de smartphones modulares: mini, médio e grande, cada um com configurações diferentes. Eles medem aproximadamente 100 (mini), 120 (médio) e 140 (grande) milímetros de comprimento e 40 (mini), 60 (médio) e 80 (grande) milímetros de largura. Outra característica é que o modelo mini possui uma proporção de 2x5 espaços para módulos, o modelo médio tem 3x6 espaços e o grande 4x7 espaços.

Celular de montar

Basicamente, o Ara permite ao usuário trocar os componentes do aparelho em vez de comprar um novo quando ele achar necessário. Por exemplo, se a câmera apresentar um problema, basta trocar o bloco que corresponde ao acessório por um novo, assim como adicionar conectividade 4G, melhorar o hardware, processador, tela e outras partes já presentes em um smartphone. Ou seja, a ideia é que o consumidor gaste menos dinheiro para renovar seu dispositivo móvel e tenha mais flexibilidade na hora de escolher quais componentes se encaixam melhor no gadget.

A comunicação entre um módulo e outro acontecerá através de um endoesqueleto equipado com a UniPRO, uma interface de alta velocidade desenvolvida para interligar circuitos integrados. A ferramenta foi adaptada para o Ara permitindo que os componentes comuniquem entre si via ligações ponto-a-ponto, já que as peças são fixadas no aparelho por meio de eletroímãs permanentes. Dessa forma, o produto dispensará o uso de pressão ou qualquer tipo de dobradiça para conectá-los.

Inicialmente, o tal endoesqueleto terá oito slots traseiros para o encaixe de módulos menores, dois slots frontais para receber o display e alguns conjuntos de botões. Ao longo do tempo, as fabricantes interessadas em investir no Project Ara poderão criar novos módulos e aumentar ainda mais a gama de personalização do usuário.

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