Processo pode resultar na quebra de sigilo bancário de Mark Zuckerberg

Por Redação | 12.03.2015 às 17:11

Um processo que está sendo movido na justiça dos Estados Unidos tem como origem uma tentativa de Mark Zuckerberg de proteger a própria privacidade. Ironicamente, porém, a ação pode acabar resultando na quebra de sigilo bancário do fundador do Facebook, caso a corte acate o pedido dos advogados de Mircea Voskerician, um agente imobiliário do Vale do Silício, que acusa o executivo de não cumprir acordos firmados para compra de um imóvel.

A questão se relaciona a uma casa vizinha à residência de Zuckerberg, que seria derrubada pelo especulador para construção de uma mansão de 891 m² e vista direta para o quarto do criador do Facebook, além do jardim e outros cômodos da residência dele. A ideia, claro, levou o executivo a negociar a compra da propriedade, como já havia feito com outros lotes ao redor, de forma a evitar invasões de privacidade desse tipo. E foi aí que tudo começou.

Além de um valor de mais de US$ 6 milhões, Voskerician teria pedido a Zuckerberg que o apresentasse a gente de peso no Vale do Silício, para possíveis parcerias em um projeto de “moradias sustentáveis”. O executivo, claro, não acatou ao pedido, que nunca teria sido feito por escrito, e sim, em conversas entre os dois. Daí veio o processo que, agora, caminha na justiça, com o especulador afirmando ter feito “descontos” em troca das portas que seriam abertas a ele.

A ação começou em fevereiro e, nas últimas semanas, aconteceu mais uma rodada de depoimentos envolvendo Zuckerberg, Voskerician e agentes imobiliários ligados aos dois. Um deles, por exemplo, teria afirmado que o criador do Facebook lida com seus negócios “como uma criança”, que não sabe assumir as próprias responsabilidades.

Mais do que isso, os novos documentos revelam que, na verdade, Voskerician afirma que a ideia de emprestar contatos e influência dentro do Vale do Silício teria vindo do próprio Zuckerberg, já que ele não poderia pagar o valor de US$ 4,3 milhões de uma outra proposta de compra, recebida de partes não reveladas. É daí que vem o pedido de quebra de sigilo, para que a corte conheça exatamente a fortuna do executivo e saiba dizer até que ponto ele estaria agindo de má-fé com tal proposta.

O ponto central do processo é um depoimento sob juramento de John Forsyth James, um agente imobiliário que trabalha para Voskerician e teria sido testemunha de toda a negociação. Segundo ele, gente graúda de empresas como Google e Apple, além do próprio Facebook, estariam entre os possíveis apresentados.

Do outro lado, a defesa de Zuckerberg alega que toda a negociação veio em tom de ameaça, justamente a de construir uma mansão que invadiria a privacidade do milionário e sua família. Nos documentos, afirma-se que Voskerician pressionou o executivo o máximo possível, além de tentar envergonhá-lo publicamente com outros membros da comunidade como mais uma maneira de fazê-lo aceitar os termos do negócio.

O New York Times, que foi o responsável por publicar sobre as novas revelações, porém, não comenta quais seriam os caminhos possíveis e se uma resolução pacífica de todo o conflito poderia ser alcançada. O processo corre em segredo de justiça, com os detalhes sendo revelados a ritmo de conta-gotas. Nem o Facebook ou os envolvidos diretamente na ação comentaram sobre ele à imprensa.