Por que Telemedicina é a bola da vez

Por Colaborador externo | 31 de Julho de 2014 às 11h25

Por Djalma Luiz Rodrigues*

Não é à toa que o conceito de Telemedicina está hoje tão em pauta. Diante de cenários complexos, marcados por orçamentos escassos, distâncias continentais, carência de profissionais, a comunidade da saúde enxerga uma luz para melhorar a oferta de serviços relacionados aos cuidados e a assistência aos pacientes. Se o advento da tecnologia da informação mudou tantos paradigmas em diferentes áreas de atuação, do campo do conhecimento ao dos negócios, por que não revolucionar também a saúde? Usando as tecnologias de informação e de comunicação para o intercâmbio de informações os profissionais de saúde contam com uma arma poderosa para ofertar seus serviços, podendo melhorar as condições de pesquisa e produção nos laboratórios, reduzir risco de doenças e outros agravos, assim como ampliar a recuperação dos pacientes. Além dos benefícios mais óbvios, os recursos de telemedicina ajudam ainda na educação continuada de profissionais de saúde, bem como facilitam a própria gestão da saúde. Sempre visando o bem estar e a saúde das pessoas e de suas comunidades.

No âmbito dos equipamentos médicos, fabricantes de ponta em muitos países, inclusive aqui no Brasil onde algumas indústrias apostam sempre em inovação, já há um nítido engajamento aos conceitos de eHealth e Telemedicina. Muitos produtos estão surgindo com estas características, empregando tecnologia brasileira de qualidade e de primeiro mundo. Reforçando a oferta de equipamentos avançados, com recursos eletrônicos embarcados, a indústria nacional tem condições e vem equiparando-se a poucos players internacionais que já dispõem de soluções com este tipo de tecnologia.

Venho participando ativamente deste momento da indústria que é, na verdade, a oportunidade de contribuir para uma nova era do atendimento em saúde. Em nossa empresa de equipamentos para neonatologia e laboratórios estamos trabalhando intensamente na integração das tecnologias de telemetria, monitoramento, transmissão e gerenciamento de informações. Nos equipamentos para laboratórios, por exemplo, estabelecemos controles em variáveis como temperatura e umidade para monitoramento remoto e registro de informações. A mesma tecnologia que envolve ainda acesso remoto, internet e armazenamento em nuvem, será em breve utilizada em outras linhas de nossos produtos, até que todos os equipamentos que fabricarmos sejam controlados e monitorados remotamente. Este tipo de recurso permite inclusive, reduzir custos já que a manutenção pode vir a ser executada à distância, evitando o deslocamento de pessoas e ganhando tempo. Em um exemplo recente, no Hospital da Clinicas em Botucatu (SP), monitoramos 6 equipamentos da cadeia de frio e um deles apresentou um desvio de segurança, automaticamente detectado pelo sistema. Com uma intervenção imediata da manutenção o caso foi rapidamente solucionado, evitando possíveis perdas de insumos primordiais para manter o serviço de saúde prestado à população. Este caso ilustra bem como as inovações devem sempre estar voltadas para solução dos clientes, procurando a sua satisfação e fidelização através da telemedicina.

Enfim, este é um momento em que o engajamento e o esforço de todos os participantes da cadeia da saúde podem ser decisivos para elevar a qualidade e democratizar o cuidado aos doentes e a cura de patologias em escala. Dos governos esperamos principalmente que ousem em suas políticas e, sobretudo, valorizem e favoreçam a inovação da indústria na hora de comprar equipamentos para os hospitais públicos. É a hora de decidir pela qualidade da saúde e não apenas pelo preço.

*Djalma Luiz Rodrigues é diretor executivo da Fanem

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