Por dentro do Google: saiba como funciona o sistema de mapas da empresa

Por Redação | 25 de Março de 2015 às 16h07

Os mapas estão aí para ajudar todo mundo há um bom tempo, e desde os anos 90 vêm evoluindo dos amassados pôsteres sujos jogados no guarda-luvas do carro até os atuais dispositivos com informações audiovisuais e comandos vocais. E como é que esses dados são todos coletados, analisados e cruzados para que funcionem perfeitamente em tempo real? A reportagem da Wired visitou o Google em seu quartel general, em Mountain View, para saber mais sobre esse processo, que é muito mais complexo do que parece.

A equipe do Google Maps coleta constantemente muito conteúdo, que é refinado com a ajuda de uma combinação de algoritmos e trabalho manual, um processo que os funcionários conhecem como Ground Truth ("Verdade Terrestre", na tradução livre).

O projeto foi lançado em 2008 e foi mantido em segredo até alguns anos atrás. E continua crescendo, agora com abrangência em 51 países e com os cálculos matemáticos desempenhando um papel crucial na extração de informações de satélite, dados aéreos e imagens do serviço Street View.

GOOGLE MAPS

O Street View, lançado em 2007, inicialmente foi concebido para apenas melhorar a experiência do usuário com o Google Maps, para que ele visualizasse melhor seu destino, segundo o vice-presidente do setor no Google, Brian McCledon. "Mas logo percebemos que uma das melhores maneiras de fazer mapas é ter um registro fotográfico das ruas do mundo, remetendo às próprias imagens para fazer as usuais correções", disse o executivo.

Como os dados do Street View cresceram exponencialmente, a equipe notou que o projeto poderia ir além de apenas pontuar e checar conteúdo. Segundo Manik Gupta, gerente de produtos para o Google Maps, o serviço oferece aos veículos mais de 7 milhões de milhas em rotas, incluindo 99% de ruas públicas - isso somente nos Estados Unidos. "Estamos construindo novas camadas de dados com algoritmos a partir das informações que temos extraído", explica.

Esses algoritmos emprestam métodos computacionais e o "modus operandi" de como uma máquina aprende. Números pintados em meios-fios, nomes de estabelecimentos, placas de trânsito e de alerta sobre limites de velocidade, entre outros pontos de interesse, também passaram a ser analisados de forma autômata. No entanto, tudo com um "aval humano", já que muita coisa depende da interpretação que cálculos ainda não podem fazer.

GOOGLE MAPS

Restrições de direção e onde o motorista pode virar numa intersecção são complicadas para a navegação e mais difíceis para os algoritmos captarem. Às vezes, algumas setas que indicam onde o usuário pode virar estão pintadas na rua, outras estão sobre sua cabeça. E elas podem estar ali em diferentes tamanhos e cores. "Marcadores de pista são os mais difíceis de serem captados, porque não são consistentes. Mas estamos chegando muito perto de resolver isso", adiantou McCledon.

Os sinais de rua também são complicados para a equipe. Os motoristas até podem seguir facilmente pelas direções verbalizadas pelo app se o que eles ouvem coincide com o que veem, mas às vezes a ortografia ou a abreviatura utilizada em placas variam. "Combinar o que está escrito nas placas é algo atualmente difícil e um importante problema", aponta McCledon.

Outros algoritmos são capazes de extrair base e altura de construções a partir de satélites e imagens aéreas. A maioria dos edifícios estadunidenses estão atualmente presentes no Google Maps. Para marcos históricos, como o Space Needle de Seattle, técnicas de visualização computadorizada podem extrair modelos detalhados em 3D. O Google afirmou que a recente aquisição da Skybox, empresa de imagens de satélite em alta resolução, ajuda justamente na melhoria e precisão de seus mapas.

GOOGLE MAPS

Como dito antes, os satélites e os algoritmos podem facilitar muito na captação dos dados, mas é o material humano que ainda faz a diferença. O Google conta com uma verdadeira armada de operadores humanos — não foram divulgados exatamente quantos fazem parte do Google Maps — para checar e corrigir manualmente os mapas, com auxílio de um software interno denominado Atlas.

Poucas pessoas fora do Google já viram o Atlas em funcionamento e, durante a visita da Wired, o experiente operador Nick Volmar fez uma demonstração do programa. O que ele vê é um híbrido da visualização de satélite do Google Maps, só que com linhas coloridas e alguns símbolos estranhos ao olhar comum.

As estradas, por exemplo, são codificadas por cores de acordo com a direção da viagem. Setas verdes e vermelhas indicam que curvas são possíveis a partir de um determinado cruzamento. Ao clicar em determinadas caixas de operação na tela, para alternar em camadas ativadas e desativadas, Volmar mostrou que também é possível enxergar sinais de trânsito capturados a partir de imagens do Street View.

O operador do Atlas mostrou como pode corrigir uma estrada que está fora de alinhamento em relação a sua correspondente imagem de satélite, clicando e arrastando-a para o lugar correto. Esse processo até pareceu simples e divertido se comparado ao editor Open Street Map, contudo, tanto Volmar como os outros funcionários precisam verificar dezenas de milhares de problemas, como o citado, diariamente. São muitos relatos de erros enviados pelos usuários ao Google Maps, e eles precisam ser corrigidos com urgência.

GOOGLE MAPS

Além de operadores como Volmar, o Google recebe ajuda cartográfica de cidadãos comuns por meio de seu programa MapMaker, lançado em 2011 e agora presente em mais de 220 países. O principal objetivo é melhorar o estudo em países em desenvolvimento e outras áreas onde os mapas de origem não são precisos ou simplesmente estão indisponíveis. "Recrutamos usuários para adicionar informações de mapeamento e quais são as localidades importantes para eles. Fornecemos uma boa ferramenta e imagens de satélites para que as pessoas pudessem fazer anotações", explica Gupta.

A ideia é que as pessoas também possam colaborar com dados sobre acessos onde o Street View não pode ir, a exemplo de praças, trilhas e outros locais. McCledon mapeou sua caminhada em Windy Hill, um ponto popular nas proximidades de Mountain View. "Eu posso usar o GPS para fazer meu caminho até aquela colina e acrescentar trilhas mais precisas", complementou.

GOOGLE MAPS

Ao observar a demonstração feita por Volmar com o Atlas, foi fácil notar a profundidade dos mapas, algo que ninguém enxerga ao abrir o Google Maps num dispositivo. Há muito mais dados abaixo da superfície, não somente sobre os desenhos das pistas, mas também sobre a lógica como uma rodovia se conecta com a outra. As informações não são apenas sobre as construções, e, cada vez mais, a respeito do que está dentro delas. E a boa notícia é que tudo isso está ficando mais profundo, de uma forma mais prática e interessante para os usuários.

Fonte: Wired.

Fonte: http://www.wired.com/2014/12/google-maps-ground-truth/

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