Plataforma de mobilidade é alternativa fácil e rentável para resultados rápidos

Por Denis Del Bianco | 18 de Março de 2014 às 18h32

O conceito de mobilidade está presente em sete das dez tendências de Tecnologia da Informação (TI) para 2014 apontadas em estudo recente do Gartner. Os ganhos da adoção da mobilidade no mundo corporativo estão associados à realização em campo de atividades que tipicamente seriam feitas no escritório, à eliminação de retrabalho, e à disponibilidade de informação, que passa a estar acessível para tomada de decisão praticamente em tempo real.

Os segmentos com maiores benefícios na adoção de soluções de mobilidade são, tipicamente, aqueles com grande contingente de funcionários que não estão em escritórios. É o caso de empresas com grande força de vendas, com operações logísticas distribuídas e/ou operação descentralizada. Produtos de consumo, construção civil, saúde, educação e agronegócio são alguns exemplos.

O potencial de redução de custos já foi percebido, e a maior parte das empresas de médio ou grande porte já conduziu pelo menos uma avaliação das possibilidades de adoção de soluções móveis. A dúvida está em como embarcar nessa iniciativa.

Algumas empresas decidiram apostar no desenvolvimento de aplicativos para uso nos sistemas operacionais (SOs) mais populares, principalmente Android e IOS (Apple). Esse modelo tem as vantagens e desvantagens em um novo desenvolvimento. O resultado final pode ser excelente e muito ajustado às necessidades do negócio, desde que a empresa defina a sua estratégia para mobilidade e seja eficiente no desenvolvimento, integração e lançamento dos aplicativos, o que requer dedicação considerável de recursos.

Além disso, é necessário ter uma visão de evolução tecnológica no médio prazo para preservar os investimentos realizados. Isso é importante porque, a cada nova versão dos SOs dos smartphones, tipicamente é preciso uma atualização do aplicativo, o que implica em investimentos cíclicos em desenvolvimento. Adicionalmente, também surgem novos SOs, caso do Windows Phone, que vem crescendo aceleradamente em participação de mercado, enquanto outros declinam, como Symbian e Windows Mobile. Esse movimento impacta na disponibilidade de equipamentos e pode levar à necessidade de reescrever as aplicações por falta de aparelhos que funcionem com aquele SO – empresas usuárias do Windows Mobile já começam a sentir esse efeito.

E se nas grandes empresas, com orçamentos maiores, essa atualização constante já é desafiadora, o cenário para as pequenas e médias, que tem menor espaço para errar nos investimentos, é ainda mais complexo. A melhor alternativa disponível hoje no mercado para lidar com essa realidade, tanto para grandes quanto para pequenas empresas, é a utilização de plataformas de mobilidade.

O conceito de Mobile Enterprise Application Platform (MEAP) foi introduzido em 2008 pelo Gartner para definir uma plataforma de desenvolvimento, implantação e manutenção de aplicativos para dispositivos móveis. As plataformas de mobilidade atuam como um colchão para as variações tecnológicas, mantendo as aplicações funcionando mesmo quando há troca de versão ou de tecnologia. A plataforma é adaptada pelo provedor para se adequar às alterações dos SOs e mantém os aplicativos funcionando, sem necessidade de reinvestimento pela empresa.

Uma plataforma de mobilidade também permite o desenvolvimento de aplicativos por recursos com menor conhecimento técnico, reduzindo custos e prazos de desenvolvimento. Além disso, unifica o esforço de desenvolvimento, já que os aplicativos funcionam nos diferentes dispositivos e SOs suportados pela plataforma.

Ainda assim, dependendo do negócio da empresa, pode ser estratégico manter aplicativos nativos (isto é, desenvolvidos diretamente nos SOs dos smartphones). O Gartner propõe uma “Regra de Três” para auxiliar as empresas na decisão de aderir ou não, a uma plataforma de mobilidade. De acordo com essa regra, se for necessário suportar ao menos três aplicativos de mobilidade, conviver com ao menos três sistemas operacionais ou integrar os aplicativos com ao menos três fontes de dados, faz sentido adotar uma plataforma de mobilidade.

A utilização de plataformas de mobilidade está se consolidando agora no mercado como uma realidade e as vantagens de se utilizar esse tipo de solução apontam uma tendência de evolução nesse caminho. Dessa forma, vale a pena buscar entender com mais detalhe as plataformas de mobilidade disponíveis no mercado e começar a usufruir agora dos benefícios que essa tecnologia pode trazer para sua empresa.

denis del bianco
Denis Del Bianco, colunista do Canaltech e diretor corporativo da TOTVS|Consulting, possui mais de 14 anos de experiência em consultoria. É formado em Ciências da Computação pela Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ), pós-graduado em Gestão de Negócios pelo Instituto Brasileiro de Mercado de Capitais (IBMEC) e tem certificação PMP (Project Management Professional). Há cinco anos, ingressou na TOTVS para estruturar a divisão de Consultoria, da qual é o líder desde 2010.

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