Pirataria: HP combate a falsificação de cartuchos com campanha pesada

Por Fernanda Morales | 04.12.2012 às 09:15 - atualizado em 06.12.2012 às 14:08
photo_camera Info Wester

A pirataria está presente em diversos setores de nossa economia, incluindo áreas como tecnologia e medicina, mas o combate dessa ação, que envolve um complexo mecanismo, não tem se mostrado muito simples para os governos e também para muitas empresas. O mercado de cartuchos de tinta e toners para impressoras tem sido um dos principais alvos afetados por essa prática ilegal.

A Hewlett-Packard é uma das maiores fornecedoras de suprimentos para impressão, bem como de impressoras, e tem enfrentado de perto problemas referentes à falsificação de cartuchos. Com base na perda de US$ 3 bilhões (R$ 6 bilhões) ao ano com a pirataria, a empresa iniciou e expandiu recentemente um programa antipirataria que visa alertar os consumidores, empresas e revendedores sobre os riscos do consumo de produtos ilegais.

"Em função da seriedade desse tema e sua abrangência, porque ele tem implicações tanto comerciais como sociais, a gente não consegue desenvolver um programa pautado apenas em um pilar, por exemplo, da prevenção via produto. No produto nós temos algumas coisas como os selos de segurança, algumas características na embalagem e agora também esta possibilidade que permite que qualquer usuário, que tem um smartphone, possa fazer a leitura dos QR Codes. Eles apontam o smartphone para o selo com o código e, automaticamente, o leitor diz se o produto é original ou não", afirmou Marcio Furrier, gerente de desenvolvimento de negócios e suprimentos da HP Brasil.

Além das características de segurança na própria embalagem, o programa da HP também atua em outras frentes. O segundo pilar é voltado para a educação dos consumidores, onde junto com a Câmara Americana de Comércio a empresa realiza palestras em escolas, tanto com os alunos como com os professores, sobre o impacto que a falsificação pode ter sobre a sociedade.

QR Code cartucho HP

Os consumidores que não tiverem um smartphone poderão realizar a consulta de veracidade através do site da HP

Outra área de atuação do projeto é no treinamento dos canais oficiais da HP, ou seja, seus principais revendedores, já que são eles as principais fontes de denúncia. E por último, está o pilar da investigação, com a HP recolhendo as denúncias e dados sobre lotes supostamente falsificados e os encaminhado para as autoridades, como a Polícia Federal e a Receita Federal.

Para reforçar esse pilar, a companhia mantém um grupo extenso de investigadores em diversos países. "Normalmente são agentes que têm bastante experiência nesse setor, tanto de falsificação como de contrabando; pessoas que já tiveram alguma experiência policial ou de investigação anterior e eles trabalham totalmente a par da nossa estrutura comercial. Até por uma questão de segurança, nós não nos envolvemos com as investigações propriamente ditas. Nós, eventualmente, encaminhamos denúncias aos investigadores através do nosso site", explicou Furrier.

Tipos de cartuchos

Como identificar um produto falsificado? Marcio Furrier afirmou que algumas características podem ser determinantes na classificação de uma mercadoria ou equipamento falsificado. O produto irá tentar imitar da maneira mais fiel possível a embalagem, os selos de segurança, o faturamento na loja também será feito em nome do original e dentro da embalagem, os consumidores encontrarão um cartucho recarregado com as piores tintas possíveis, que não são as originais.

"Nós temos os cartuchos originais, também conhecidos como OEM (Original Equipment Manufacturer), cuja característica é essa: levar a mesma marca do fabricante da impressora. Tem uma segunda categoria que são os clones - cartuchos normalmente provenientes da China, que de alguma maneira tentam emular as características do cartucho original. O terceiro tipo é o cartucho recarregado, que nada mais é do que um cartucho que foi utilizado várias vezes, que foi recolhido por essa indústria de recarga e a tinta ou o toner foram trocados por outra tinta que não a original, e foi devolvido para o consumo. E temos os remanufaturados, que são cartuchos recarregados onde se trocaram algumas peças por desgaste. Aqui nós estamos falando de outras opções de mercado e não de um problema legal, a não ser que esses cartuchos ofendam alguma patente", disse o executivo.

Os cartuchos falsificados são abastecidos com tintas de péssima qualidade e componentes de procedência duvidosa, o que pode acarretar alguns problemas para o consumidor final. "Sobre os problemas técnicos que podem ocorrer, nosso posicionamento é que o problema é imprevisível. Como trata-se de empresas não-idôneas e não constituídas, que por definição tentam 'enganar' o consumidor, não podemos ter segurança nenhuma sobre a qualidade do produto, não teremos garantia sobre o mesmo e no caso de um problema ocorrer, ficamos muitas vezes sem nem mesmo um mecanismo de defesa legal. Os problemas vão desde o cartucho não funcionar, se funcionar pode não oferecer a mesma quantidade de tinta dos demais, são ainda comuns problemas de vazamentos que podem danificar o equipamento, e no menor dos problemas, se o produto funcionar e não prejudicar o equipamento, a qualidade da impressão muito provavelmente não será boa", explicou Wellington Watanabe, CEO da BugBusters e especialista em TI e Inovação.

Como identificar um cartucho falso

Os recursos holográficos, os QR Codes e os números de série presentes nos cartuchos, que também podem ser utilizados para verificar a autenticidade do produto através do site da empresa, são apenas algumas das dicas para evitar que os consumidores comprem cartuchos de tinta e toners falsificados. A HP afirma que os clientes devem sempre duvidar e evitar promoções de suprimentos com preços muito baixos; realizar a compra dos produtos em sites que possuem apenas um e-mail genérico para contato; suspeitar da demora para entregar o produto e procurar comprar sempre nos representantes oficiais da empresa, o que traz mais uma garantia da autenticidade do produto.

No mundo dos cartuchos também há guerra de patentes

Em setembro, a empresa anunciou a conclusão de um processo de quebra de patentes contra a companhia brasileira Rio Branco Ltda., distribuidora dos produtos Maxprint, sobre o uso inadequado da tecnologia de cartuchos Inkjet da HP. A Maxprint concordou que as patentes pertencem à HP para o seu uso exclusivo, que deverá deixar de vender os seus cartuchos que infringiram a propriedade intelectual da empresa norte-americana e irá reembolsar a HP em parte dos custos do processo.

A empresa também lançou recentemente uma nova linha de cartuchos mais baratos, que podem ser encontrados por até R$ 19,99, no mercado brasileiro. "É uma nova plataforma, que nós chamamos de Ink Advantage, e o objetivo dessa plataforma é fazer com que os cartuchos sejam cada vez mais e mais acessíveis. No desenvolvimento dessa plataforma, nós fizemos uma série de pesquisas com o público brasileiro ao longo de três anos para entender quais são as necessidades e o que o público precisa, criando um produto que estivesse mais próximo da nossa realidade de consumo", afirmou Marcio Furrier.

A tecnologia empregada nas tintas as tornaram extremamente caras, fazendo com que um mililitro do suprimento chegasse a custar mais caro do que um grama de ouro no início dos anos 2000. Com isso, o preço final dos cartuchos e toners era alto, o que dificultava a compra deles. Isso, consequentemente, ampliou a indústria da recarga e até da pirataria.

"Com o barateamento dos equipamentos de impressão, é claro que uma boa parte da receita vem da venda de insumos como os cartuchos. Como os preços dos primeiros cartuchos eram exorbitantes, surgiram no mercado muitas empresas com oferta de produtos alternativos (compatíveis) e soluções alternativas (recarga). Essas empresas se especializaram e o medo inicial do consumidor arriscar em soluções alternativas às oferecidas pelos fabricantes de impressoras diminuiu, aumentando a aceitação e o consumo dos produtos não-originais e diminuindo, consequentemente, o lucro dos fabricantes com estes produtos. Naturalmente, com o aumento de ofertas aceitas pelos consumidores, os preços tendem a diminuir", disse Watanabe.