Pesquisa revela relação entre aumento de fraudes corporativas e economia do país

Por Redação | 11.12.2014 às 15:28

A ICTS, empresa de consultoria, auditoria e serviços em gestão de riscos, divulgou o resultado da pesquisa O Retrato da Fraude Corporativa no Brasil, na qual indica uma relação de causa e efeito entre o número de fraudes em empresas e a situação econômica do Brasil.

Segundo o estudo, o impacto financeiro dos casos de fraude identificadas tem relação inversa com o crescimento econômico do país. Os dados mostram que entre 2010 e 2012, quando o PIB do Brasil era 7,5%, caiu para 2,7% em 2011 e foi para 1% em 2012, o valor médio das fraudes teve um crescimento de 450%, indo de R$ 50 mil para R$ 225 mil no período.

“O crescimento do PIB do país apresentou queda de cerca de 7,5 vezes entre 2010 e 2012. Em contrapartida, o número de casos de fraudes identificadas cresceu cerca de 12 vezes entre 2010 e 2013”, afirmou Renato Anaia, gerente executivo de Investigação e Inteligência Empresarial da ICTS.

O levantamento da ICTS foi realizado com informações coletadas entre 2009 e 2014 a partir de 92 fraudes confessadas investigadas pela empresa.

Anaia considera que a pesquisa revela algumas percepções das pessoas a repeito de fraudes, em que elas não devem cometer “atos de fraudes quando as coisas vão bem, mas ficam mais vulneráveis para adotar este tipo de conduta em momentos de maior pressão econômica ou quando se sentem desmotivadas na empresa”, explica. A ICTS também considera um fator importante que as empresas tendem a reforçar os processos de detecção de fraudes quando há uma maior pressão por resultados.

A pesquisa revelou os tipos mais comuns de fraudes nas empresas brasileiras e 60% delas estão ligadas a atos de corrupção, em que a pessoa aceita ou faz pagamento de suborno. 32% são de apropriação indébita, em que há o furto ou desvio de ativos. E 8% consistem de demonstrações fraudulentas, com manipulação de resultados.

O estudo foi capaz de identificar alguns perfis mais frequentes entre os fraudadores, sendo 85% deles homens e 15% mulheres. O tempo na empresa também influencia – 58% estavam na empresa há mais de cinco anos e 40% entre um e cinco anos. Segundo Anaia, funcionários com mais tempo de casa teriam mais conforto em realizar práticas fraudulentas e corruptoras.

A maior porcentagem de fraudadores está também entre pessoas graduadas, o que corresponde a 76% dos casos, enquanto não graduados somam 24%. No nível de decisão dentro da empresa, 39% das pessoas que cometeram fraudes nos casos analisados eram de nível estratégico, 37% tático e 24% operacional.

O impacto financeiro das fraudes realizadas por pessoas graduadas é três vezes maior do que as realizadas por não graduados. E a predominância de pessoas em nível estratégico entre os fraudadores mostra que essas pessoas se aproveitam do elevado nível de confiança dentro das organizações para cometer estes atos.

A pesquisa mostra que 33% das fraudes analisadas envolvem valores acima de R$ 100 mil, 29% valores entre R$ 10 e 100 mil e 17% até 10 mil. O valor médio das fraudes no Brasil é R$ 295 mil, média acima da registrada nos Estados Unidos, onde o valor médio das fraudes é de US$ 100 (R$ 250 mil).

Geograficamente, as fraudes se concentram na região Sudeste, com 53% dos casos, seguidas do Norte e Nordeste com 26%, Sul com 11% e Centro-Oeste com 10%. Os setores mais afetados pelas fraudes são: construção civil (32%), logística e transporte (19%) e indústria (17%).

A ICTS indica duas formas das empresas tratarem os casos de fraude: prevenção e detecção. A primeira consiste na adoção de programas de conscientização e capacitação dos funcionários, blindagem dos processos e controles efetivos e adoção de ferramentas para detecção e diminuição dos riscos vindos de prestadores de serviços. Já a detecção consiste em desenvolvimento de canais eficientes de denúncias e ouvidoria, gestão de incidentes e crises e monitoramento da comunicação corporativa.

Fonte: http://www.mailingplus.com.br/deliverer_homolog/arq/cli/arq_60_150658.pdfhttp://convergecom.com.br/tiinside/seguranca/news-seguranca/09/12/2014/pesquisa-relaciona-aumento-de-fraudes-nas-empresas-com-o-baixo-crescimento-economico-brasil/#.VIh1-DHF-YU<