Para diretora de inovação da FIAP, principal barreira de empreender é executar

Por Rafael Romer | 01 de Outubro de 2013 às 11h10
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Empreender já é um desejo que ganha cada vez mais espaço entre jovens brasileiros. Histórias de sucesso de diversas startups e companhias nacionais inspiram diversos estudantes a levar seus negócios adiante, mas uma série de barreiras ainda se coloca entre a ideia e a execução. "A principal barreira é como executar", avalia a Diretora de Inovação da FIAP, Nathalie Trutmann. "Eu vejo que uma grande barreira ainda é ter conhecimento amplo de todas as ferramentas que a gente tem hoje em dia".

A falta de conhecimento dos meios e ferramentas para transformar um negócio em realidade ainda leva ao fim prematuro de muitas boas ideias. Para ela, jovens empreendedores se empolgam com uma ideia nova e atingem um pico de motivação muito rapidamente, mas acabam perdendo o estímulo com a mesma velocidade quando começam a enfrentar as primeiras dificuldades. Para evitar que isso aconteça, a empreendedora sugere que o jovem se mantenha neste meio e invista no networking. "Todo mundo passa pelos mesmos passos na jornada de criar algo novo, então se você vê que não é o único que está sentindo isso, fica mais fácil superar esses obstáculos", sugere.

Outra coisa importante é evitar ficar paralisado pela expectativa de que as coisas possam dar errado. Atualmente, o ideal é que as empresas e ideias falhem logo para que possam contornar os problemas e se colocarem de volta nos trilhos, como sugere Nathalie. "Vamos errar mais, melhor e estar preparados psicologicamente", brinca. "No primeiro erro, um monte de gente desiste".

Nascida na Guatemala, Nathalie lançou em março deste ano o livro “Manual para Jovens Sonhadores”, no qual explica como jovens empreendedores devem trabalhar para transformar seus sonhos de empreendimento em realidade. No Brasil há mais de dez anos, ela reconhece que o país coloca uma série de dificuldades extras para empreendedores, como os impostos e a burocracia, mas acredita que um ecossistema positivo de empreendimentos existe por aqui.

Na sua avaliação, os problemas já começam no próprio modelo educacional que possuímos atualmente, que ainda é muito tradicional e prejudica as pessoas que têm como objetivo inovar. "O conteúdo continua sendo muito linear, mas a gente não vive em um mundo linear", explica. Para Nathalie, nós já conseguimos modificar o espaço do ensino, mas um novo modelo ainda é necessário para quebrar nosso pensamento linear e nos preparar para um mundo recheado de interconexões e referências múltiplas. "Essa forma nossa de pensar não consegue acompanhar todas essas mudanças e esse crescimento. A gente precisa pensar de uma maneira diferente para poder navegar e criar dentro desse novo contexto".

Além de criticar o modelo atual de ensino, a empreendedora explica que é importante que qualquer jovem que deseje inovar deixe o ambiente seguro do conhecido e se aventure para conhecer pessoas que pensem de maneira diferente. Ela compara nosso comportamento emocional ao mesmo pensamento "primitivo" de homens das cavernas – assim como eles, nós tendemos a ficar dentro de nossas tribos para nos proteger, e com medo do estranho. "É muito pouco que a gente se abre para o diferente. Esse comportamento é contraproducente para a inovação", afirma. "Nossa inovação está diretamente conectada ao número de pontes com o exterior, com mundos diferentes".

Nathalie é atualmente Diretora de Inovação da FIAP e uma das rensponsáveis pela criação dos dois espaços de co-working da faculdade em São Paulo: um na Avenida Paulista e outro na Vila Olímpia. Gratuitos e abertos para qualquer um que quiser frequentar, os espaços são considerados uma experiência pioneira no Brasil e contam com diversas palestras com figuras importantes do empreendedorismo mundial, além de proporcionar networking entre as pessoas que passam por lá. "Por que o Vale do Silício é hoje o que é? Porque todo mundo está o tempo todo compartilhando ideias. Tem muito de não guardar para si, as pessoas lá já entendem que só uma ideia não vale nada. Quando mais compartilhar, melhor para o ecossistema como um todo".

O espaço também tira proveito da parceira entre a FIAP e a Singularity University, também coordenada por Trutmann. Na última quarta-feira (27), foram abertas oficialmente as escrições para a edição 2014 do desafio Call To Inovation. O evento, que é promovido anualmente pela FIAP, vai premiar o melhor projeto para mobilidade urbana em São Paulo com uma bolsa de estudos integral na Singularity University durante 10 semanas.

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