Em visita ao Brasil, CEO da IBM ressalta o valor da informação para as empresas

Por Rafael Romer | 05 de Novembro de 2013 às 07h35

A CEO da IBM, Ginni Rometty, afirmou nesta segunda-feira (04) que a informação é o principal recurso natural deste século a ser coletado por países e empresas. “Ela será o que o vapor foi para o século 18, a eletricidade para o século 19 e os hidrocarbonetos para o século 20. Entretanto, há uma diferença: ela é ilimitada, mas precisa ser refinada”, disse.

Para ela, as empresas que entenderem essa idéia e passarem a agir de acordo com a tendência serão aquelas que inovarão e promoverão os maiores crescimentos de negócio. "Empreender em nosso tempo é muito menos que coordenação de eficiência e está mais para saber usar a informação para criar produtos e serviços que não existiam antes". Para isso, no entanto, será necessária uma série de regulações e novos modelos de processos construídos de forma colaborativa, voltados para adereçar problemas de segurança e privacidade – que já despontam como as grandes questões deste século.

Ginni falou, na manhã desta segunda, para um público de cerca de 4 mil executivos, durante a realização do HSM Expo Management 2013, em São Paulo. A executiva, que é a primeira mulher a assumir a presidência da multinacional do setor de tecnologia IBM, em janeiro do ano passado, afirmou que geramos atualmente cerca de 2,5 bilhões de gigabytes de dados todos os dias na rede e que 80% do total de informação que temos hoje foi criado nos últimos dois anos. Essa transformação, segundo ela, é disruptiva e já está mudando completamente a maneira como empresas funcionam. "As empresas sempre vão fazer a mesma coisa: entregar seus ativos. Mas o que muda é como elas farão isso", afirma.

De acordo com ela, há três principais características desta nova realidade da tecnologia que está transformando empresas: a primeira, e mais importante, é que cada vez mais as decisões tomadas dentro das empresas serão baseadas na informação e em ferramentas de análise preditiva. "Todas as decisões que tomamos vão ficar mais complexas", explica. "Então, o primeiro diferenciador de uma empresa será sua capacidade de tomar decisões baseadas em analytics. E quando ela o fizer, isso será uma vantagem competitiva", explica.

O segundo ponto é a infusão de inteligência em tudo que a empresa faz e na maneira como ela faz. A executiva afirma que a tendência é que cada vez mais dispositivos, sensores e ferramentas de inteligência estarão integrados ao nosso dia-a-dia, baseada na tendência da chamada Internet das Coisas (Internet of Things), o que forçará as empresas a integrarem todos esses dados a suas redes para ofertar produtos e serviços melhores a seus clientes.

E por fim, a mudança do foco na entrega de ativos e produtos não mais para setores de mercado, mas diretamente para o consumidor, em uma estratégia de marketing que cada vez mais deve se focar no one-to-one. "Esse é o fim da 'média' para todos nós", sugere Ginni. "A nova geração dos millennials se importa muito com responsabilidade social e esta é a maneira de se engajar com eles", explica.

Segundo a CEO, o mundo também entra agora em uma nova era da chamada "tecnologia cognitiva", que já se torna uma das principais áreas de pesquisa e desenvolvimento na IBM. Em 2011, a empresa apresentou ao mundo o supercomputador Watson, capaz de entender a linguagem falada e participar de games de perguntas e respostas televisionado lado a lado com oponentes humanos. Watson é resultado dos avanços na área de computadores capazes de receber informações e aprender com elas, e não somente realizar tarefas pré-programadas – o que acontece atualmente. Segundo Ginni, o supercomputador continua em laboratório dentro da IBM e sua próxima versão será capaz de debater temas com pessoas em tempo real.

A companhia, que completou 102 anos de existência em junho deste ano, também deve continuar a expandir seu foco na transformação da tecnolgia da informação para empresas, em setores como cloud e informação. E esta mudança também é algo que a executiva observa em diversas empresas aqui no Brasil – que coincidentemente foi o primeiro país no qual a IBM operou fora dos Estados Unidos, há 96 anos. "As empresas daqui estão fazendo um ótimo trabalho na tomada de decisões de longo prazo, isso é uma coisa difícil de se fazer, culturalmente falando", afirmou. "E também vejo o Brasil fazendo um ótimo trabalho de intersecção entre estratégia de negócios e responsabilidade social. Isso é uma coisa rara quando se olha o mundo", conclui.

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