Os desafios do planejamento de infraestrutura e a solução por meio da tecnologia

Por Colaborador externo | 19 de Junho de 2013 às 07h35

Por Daniel Queiroz*

Os chamados grandes eventos (Copa e Olímpiadas) aumentaram o foco sobre a questão da infraestrutura no Brasil. O Brasil está sendo desafiado a mostrar que pode executar grandes projetos.

Com este cenário o governo federal anunciou em agosto do ano passado o Programa de Investimentos em Logística, focado em diminuir eventuais gargalos de infraestrura. Mas, para executar um plano com tanta complexidade, ainda temos que pensar em alguns desafios.

Devemos levar em consideração que projetos de infraestrutura são grandes, complexos e geralmente envolvem várias empresas. Então o desafio aqui é como todos esses profissionais de diferentes disciplinas podem trabalhar em colaboração.

Quando a colaboração e comunicação não acontecem de maneira efetiva, temos excesso de mudanças no projeto durante a construção. Isso impacta em custos, prazo, e consequentemente gera prejuizo para as companhias envolvidas. Isso sem contar as restrições ambientais cada vez mais severas e como mitigar o impacto de grandes obras no meio ambiente.

Então, a melhor forma de minimizar eventuais problemas é repensar a forma de comunicação entre todas as empresas envolvidas na obra. Geralmente quando pensamos em como as companhias de engenharia informam seus projetos, pensamos no CAD tradicional. Engenheiros e projetistas compartilham suas plantas o tempo todo para seu time interno ou para outros participantes do projeto. Mas essa forma traz algumas limitações já que a função primordial do CAD é a de produzir desenhos, e desenhos não tem conexão uns com os outros. Isso acaba dificultando o projeto na sua fase final, uma vez que fica extremamente dificil coordenar todas as informações (estruturas, redes de tubulações, instalações, etc).

Por conta disso, um novo conceito vem sendo aplicado há cerca de uma década, o BIM (Building Information Modeling).

Ao contrário do que muita gente pensa, BIM não é um software. Trata-se de uma metodologia baseada no uso de modelos 3D para construção. Ou seja, ao invés de apenas criar desenhos que representam o que queremos construir, podemos criar vários modelos 3D e integrar todas as informações em um ambiente multidisciplinar. Na prática, recriamos o projeto virtualmente, mas com uma vizualização fotorealística, o que automaticamente nos dará mais clareza, agilidade e continuidade no projeto.

Além de poder oferecer ao contratante da obra detalhes mais precisos quanto ao custo e prazo, pode-se esclarecer para autoridades e população o andamento da construção, já que qualquer alteração no projeto pode ser sincronizada por meio de colaboração e o modelo da obra pode ser disponibilizado para todos os envolvidos.

Outra vantagem é a possibilidade de simular aspectos essenciais do projeto. Por exemplo, no caso de uma rodovia, pode-se simular o sequenciamento construtivo da mesma. Ou calcular o custo de terraplanagem de determinado empreendimento. No caso de um local sensível a questões ambientais pode-se detalhar interferências e esclarecer questionamentos dos órgãos responsáveis e/ou adaptar o projeto antes de iniciar a construção.

Não é novidade que a questão de infraestrutura no Brasil é sensível, mas uma forma de amenizar desafios e impulsionar o desenvolvimento de projetos é considerar esses dois aspectos primordiais: planejamento e tecnologia.

*Daniel Queiroz é Especialista Técnico da Autodesk Brasil com quase uma década de experiência em projetos de infraestrutura.

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