O que muda com a compra da Nokia pela Microsoft?

Por Gabriel Tonobohn | 03.09.2013 às 11:17 - atualizado em 03.09.2013 às 11:40

Assim como quando a Google confirmou a compra da Motorola Mobility, a compra da Nokia pela Microsoft tem levantado uma série de questões sobre o futuro das duas companhias.

O que muda a partir de agora?

Para começar, até o primeiro trimestre de 2014, nada mudará drasticamente nas duas empresas. Isso por que a aquisição só será concretizada no começo do ano que vem (se for aprovada por reguladores e acionistas) e até lá as duas companhias continuam da maneira que estão. Mas é claro que Nokia e Microsoft já começarão desde já seus planos de reestruturação. Microsoft e Nokia terão um grande trabalho pela frente.

Parcerias com outras fabricantes continuarão

Mas se para Nokia e Microsoft os planos até a aquisição ser concretizada são apenas estruturais, muito começou a mudar no mercado a partir do momento do anúncio. Uma das principais questões é sobre como será o relacionamento da Microsoft com outras fabricantes parceiras do Windows Phone.

Sabendo disso, a Microsoft fez questão de se pronunciar rapidamente pelo blog do Windows, afirmando que a missão do grupo é trazer inovações de hardware de seus parceiros para brilharem com a plataforma Windows. Em outras palavras, a Microsoft deve continuar apoiando e incentivando parceiros a lançarem aparelhos com o Windows Phone.

Essa questão não é exatamente nova. Ela já foi levantada quando a própria Microsoft lançou o tablet Microsoft Surface e também quando a Google adquiriu a Motorola. Como vemos, apesar disso, nada mudou muito. Outras fabricantes continuam lançando tablets com Windows 8 e Windows RT e inúmeras empresas lançam smartphones com a plataforma Android.

A Nokia já era de longe a principal parceira do Windows Phone. No último trimestre, 81% das vendas da plataforma saíram da casa finlandesa, segundo dados da IDC. Samsung e HTC também possuem smartphones com o sistema da Microsoft, mas parecem mais interessados nos seus portfólios de dispositivos Android.

Os benefícios da aquisição

Há inúmeros benefícios diretos e indiretos agora que a ex-gigante finlandesa faz parte do time de Redmond. Para a Microsoft, o portfólio de patentes da Nokia é um deles, já que a empresa possui mais de 8.500 patentes registradas, sendo a maioria na área de mobilidade. Vale lembrar que o Google pagou US$ 12 bilhões pela Motorola Mobility em grande parte pelo seu portfólio de patentes, e com isso é possível começar a entender o valor que a propriedade intelectual de uma empresa pode ter neste setor.

Com o time da Nokia trabalhando junto com a Microsoft, o desenvolvimento e a inovação do Windows Phone devem ser acelerados. A Apple já mostrou que pode ser uma boa ideia criar produtos onde o hardware e o software tenham sido desenvolvidos debaixo do mesmo teto, como no iPhone. O Google fez o mesmo com o novo Moto X e agora a Microsoft também terá essa possibilidade.

Além disso, a Microsoft espera que em 2018 o Windows Phone alcance um marketshare de 15% no mercado de smartphones, cerca de 4 vezes mais do que possui hoje. A empresa revelou que a margem de lucro que obtém hoje com cada dispositivo vendido é de cerca de US$ 10, mas com a aquisição da Nokia esse número pode subir para mais de US$ 40.

Já para a Nokia, estar sob o teto da Microsoft pode diminuir a pressão por resultados financeiros e trazer mais tranquilidade para o desenvolvimento de novos produtos, já que a companhia de Steve Ballmer possui alguma "gordura" para queimar.

A empresa de Redmond projeta que a Nokia possa proporcionar US$ 45 bilhões extras em receita bruta ao longo de 2018, com lucro entre US$ 2,3 - 4,5 bilhões. Como se vê, as expectativas são altas, mas Microsoft e Nokia ainda têm um grande desafio pela frente.