O que aconteceria se os astronautas de Marte ficassem doentes?

Por Redação | 21 de Outubro de 2012 às 10h55

Uma pesquisa recente descobriu que os astronautas podem estar sujeitos a contaminações se participarem de missões espaciais prolongadas, em microgravidade. Os resultados do estudo indicam que tais fatores predispoem a proliferação de bactérias.

A microgravidade não apenas enfraquece o sistema imunológico dos astronautas, mas também aumenta os fatores de virulência e resistência de alguns microorganismos, diz o especialista em doenças infecciosas Dr. Leonard Mermel, da Universidade Brown e do Hospital de Rhode Island.

Astronautas Atlantis

E em um ambiente sem gravidade, os germes lançados por tosses e espirros não obedecem os princípios que conhecemos aqui na Terra, isto é, eles não são atraídos para o chão. Tais microorganismos continuam flutuando por toda a nave. Isso significa que as chances de serem inalados por outros astronautas são grandes, e, além disso, estes pequenos agentes causadores de doenças podem, perfeitamente, se instalar em vários tipos de superfícies.

"Então você suprime a resposta imunológica humana e aumenta a capacidade dos micróbios de causar infecção, e junta estes dois fatores a um terceiro, um ambiente confinado onde partículas transportadas por via aérea podem permanecer no ar por um período prolongado de tempo", diz o doutor.

Infelizmente, o ar em uma nave espacial deve ser recirculado de tempos em tempos, o que significa que os astronautas não podem usar desinfetantes hospitalares nem produtos de higiene para as mãos, porque podem emitir vapores nocivos.

Mas de acordo com Mermel, ainda há algumas medidas que podem ser tomadas para reduzir o risco. A NASA já implementou a maioria delas, como vacinação de astronautas contra vários tipos de doenças, incluindo a gripe. E já está preparando novas vacinas contra doenças mais graves, como a tuberculose.

A comida é irradiada seletivamente e os astronautas precisam usar lenços desinfetantes, máscaras cirúrgicas e respiradores. E ainda carregam vários antibióticos a bordo.

Entretanto, Mermel sugere que as vacinas devem ser expandidas para incluir outros germes, como o Miningococcus e o Pneumococcus. Também é necessário realizar uma triagem mais ampla antes do voo. Os astronautas poderiam ser triados em busca de todas as variações de Staphylococcus aureus, incluindo algumas formas resistentes a antibióticos, e suas fezes deveriam ser examinadas em busca de Salmonella.

É preciso encontrar uma maneira de filtrar o ar de maneira que não excedesse os orçamentos de energia. Se isso fosse possível, seria um grande objetivo, senão o principal, a ser alcançado pela NASA nessas missões, diz o médico.

Uma das maiores medidas que a NASA deve tomar é saber se deve ou não irradiar mais alimentos para viagens maiores. Enquanto isso parecer ser uma boa solução para exterminar os germes, pode acabar com bactérias benéficas que são necessárias à flora intestinal do ser humano.

"Nós evoluímos para ter estes micróbios no interior de nossos tratos gastrointestinais, nosso sistema imunológico interage com eles e é estimulado por eles, o que faz com que sejam parte de nosso mecanismo homeostático", explica Mermel.

São detalhes e detalhes que podem acabar colocando uma missão inteira a perder. Do ponto de vista médico e salutar, é extremamente necessário que a NASA se coloque de prontidão a resolver tais questões, de maneira a oferecer aos astronautas um ambiente mais propício a seus sistemas imunológicos durante viagens longas pelo espaço.

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