O papel do Chief Mobility Officer (CMO)

Por Colaborador externo | 08 de Julho de 2014 às 07h00

por David Akka*

Uma coisa certa é que as organizações de todos os tamanhos podem se beneficiar da coordenação central do desenvolvimento e distribuição de aplicativos móveis, mesmo que não seja viável ter uma única pessoa para isso, com o título de CMO (Chief Mobility Officer).

Sem um ponto central, as organizações ficam expostas a ineficiências de custo e riscos de segurança. Uma organização entrevistada pela Forrester confessou que seus aplicativos móveis suportavam mais de 100 versões do sistema operacional BlackBerry. Outra organização desenvolveu um ‘maravilhoso’ aplicativo móvel, sem levar em conta os necessários pontos de integração com sistemas de retaguarda (back office), tornando o aplicativo inútil.

Sem uma estratégia móvel abrangente as empresas correm o risco de terem seus dados sensíveis vazados, e as integrações necessárias com sistemas back-end levando muito tempo, não sendo facilmente adaptáveis ou falhando por completo. E os aplicativos seguros desenvolvidos pela equipe de TI serão abandonados por aplicativos mais amigáveis ao usuário e de domínio público.

Construindo uma infraestrutura para a mobilidade

A fim de estender inteligentemente os processos comerciais a dispositivos móveis, as empresas atualmente não podem decidir-se por qualquer aplicativo. Elas precisam de aplicativos que proporcionem segurança, acesso confiável a quaisquer dados empresariais, com alta disponibilidade, uma experiência nativa de usuário e suporte para funcionamento off-line. Elas precisam suportar o contexto do usuário através de múltiplas plataformas e dispositivos, desde um único esforço de desenvolvimento e com completa integração back-end. A funcionalidade de segurança e gerenciamento precisa ser embutida com encriptação, suporte de gerenciamento de dispositivo móvel (MDM) e autenticação de usuário, permitindo que as organizações monitorem e controlem quem acessa os dados, onde e quando.

Apps móveis como motivador de negócios

Visando promover a mobilidade empresarial, a TI precisa elevar sua posição, de um centro de custo a um habilitador de novas e melhores formas de se trabalhar. Uma função-chave de um CMO é mostrar o valor de negócios que esses aplicativos proporcionam, demonstrando retorno do investimento (ROI) do desenvolvimento e distribuição. Uma forma de fazer isto é introduzir mais aplicativos de uso direto pelo usuário, o que pode acelerar vendas e melhorar o atendimento ao cliente, criando uma ponte entre os sistemas back-end e os clientes.

A gerência de TI pode alavancar o fato de que os funcionários trazem seus próprios aparelhos ao trabalho, desenvolvendo aplicativos móveis que melhorem sua produtividade; transformando-os em campeões de TI.

Experiência do usuário baseada no contexto

Com o aumento continuado de aparelhos móveis nas empresas, os negócios empacam no dilema do “tamanho único” versus a dificuldade de ter de desenvolver separadamente para cada aparelho e sistema operacional.

Assegurar uma boa experiência de usuário não é só personalizar uma página da web para adaptá-la às diferentes dimensões das telas dos aparelhos móveis, mas também envolve o contexto, se o usuário está se deslocando e se a entrada de dados é feita com o dedo e polegar, ou usando um teclado, sentado confortavelmente a frente de um PC. As informações também precisam ser dispostas de forma que sejam usáveis e acionáveis.

Ampla abordagem da segurança

A função do CMO é também desenvolver e implantar uma ampla estratégia de segurança e ter visibilidade de todo o seu ecossistema móvel: o aparelho, o aplicativo e, mais importante, os dados. Não realizando uma abordagem holística da segurança, uma empresa possivelmente escolherá soluções pontuais que não resolvem o problema da segurança integralmente.

Por exemplo, soluções de gerenciamento de dispositivos móveis (MDM), que são frequentemente usadas como solução de segurança, oferecem controle e visibilidade do dispositivo, mas não garantem os dados ou o aplicativo.

Similarmente, os containers (partições onde se pode rodar aplicações e armazenar dados no dispositivo) criam uma área segura no aparelho móvel, no qual os dados da empresa ficarão seguros, mas podem ficar comprometidos pelas ferramentas de vigilância no aparelho, da mesma forma que com malwares no desktop. Os containers também vão na contramão da tendência de integrar aplicativos empresariais, colocando barreiras à integração.

Ambas as soluções possuem desvantagens adicionais que podem ser bastante inconvenientes aos usuários, impedindo-as de serem adotadas; e nenhuma das soluções é efetiva quanto à segurança de dados na nuvem.

Mesmo as empresas que não possuem um CMO devem ter uma estratégia bem definida e as melhores práticas para avançar com a mobilidade empresarial. Aplicativos móveis podem expor a empresa a riscos se forem desenvolvidos sem ter uma estratégia que cubra toda a companhia.

A função de diretor chefe da mobilidade é a melhor maneira de desenvolver a necessária infraestrutura, orientações de desenvolvimento de aplicativos e estratégias amplas de segurança, visando suportar uma mobilidade empresarial segura e efetiva.

* David Akka é CEO Magic Software UK.

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