'Nosso desafio é fazer as pessoas experimentarem', diz brasileiro do Baidu

Por Rafael Romer | 06 de Agosto de 2013 às 14h05

Há pouco mais de um ano, em julho de 2012, o Baidu, segundo maior site de buscas do mundo (atrás apenas do Google) e o maior serviço de internet da China, chegava ao mercado brasileiro com apenas um funcionário. O país foi o quarto a ser aportado pela empresa, logo após o Japão, Egito e Tailândia. Um ano depois, a empresa já expandiu sua equipe no país e possui agora três produtos no mercado nacional: o Hao123, que é um diretório de links; o PC Faster, aplicativo para gerenciamento de desempenho de sistemas operacionais; e o Spark Browser, navegador que integra algumas das principais redes sociais.

Criado em 2000 por Robin Li, considerado o segundo homem mais rico da China, a marca chegou ao Brasil pelas mãos do alagoano Wesley Barbosa, atual Diretor de Business Development da marca, que aos 25 anos foi o primeiro funcionário estrangeiro da empresa – recrutado em 2011, quando ainda morava na China. Antes de entrar no Baidu, Wesley teve passagens por empresas como a Mentez, responsável pelo game social Colheita Feliz, e pela chinesa Happy Elements, também do mesmo setor de atuação.

Barbosa participou na última sexta-feira (05) do evento de inovação INFOtrends, no qual falou sobre sua trajetória de uma favela em Maceió até Pequim, onde passou três anos e meio de sua vida antes de retornar ao Brasil, já no Baidu. Após a apresentação, ele conversou com o Canaltech e falou sobre os próximos passos da empresa no país, além das dificuldades de se operar uma empresa chinesa no Brasil:

Canatech Corporate: Quando o Baidu entrou em contato com você, qual era a motivação da empresa em entrar no mercado nacional?

Wesley Barbosa: Não tem um motivo específico, fora o motivo que todo mundo já sabe, que é a economia. Os BRICS, por exemplo, com exceção do S (letra que representa a África do Sul na sigla), são países muito sedutores em relação a economia e investimento. O ARPU (Average Revenue Per User, ou receita média por usuário) na época estava em US$ 1, então é muita grana que existe aqui e as pessoas, mesmo tendo classes sociais menores, gastam com isso. As empresas sabem o que existe aqui e o Baidu me chamou com essa pretensão, de querer que eu fosse a ponte. Eu não me considero uma pessoa muito senior, apesar da imagem de ser o primeiro funcionário estrangeiro da empresa. Na verdade eu fui uma ponte, não fui a cabeça do Baidu. Eu fiz parte do planejamento e das ações táticas, mas me considero mais um ponte do que o responsável pelas operações.

CC: Então, qual a sua função para o Baidu aqui no Brasil?

WB: Eu sou business development, minha função é cavar parcerias estratégicas e dar forças para alianças da empresa. É negócio puro. A empresa precisa fechar negócios para ter mais força e eu sou o cara que está entre os recursos e as ideias. Hoje já tenho uma equipe também.

CC: E hoje você está focado somente no Brasil?

WB: Hoje eu estou no Brasil, mas um dia chegaremos lá.

CC: É uma ideia do Baidu expandir para a América Latina?

WB: É uma ideia de todo mundo, quem não quer a América Latina? Até eu queria.

CC: Hoje o Baidu está com três produtos no Brasil, há planos para trazer mais?

WB: Sempre tem ideias e planos, mas até agora nada que chegou na minha rede neural.

CC: E como está a expectativa de crescimento do Baidu no mercado brasileiro?

WB: O mercado, como eu falei, é muito promissor. Se a empresa tiver uma boa estratégia, e o Baidu tem, a satisfação vai ser boa. É só saber colocar [os produtos] onde das pessoas buscam e saber exatamente o que oferecer para elas. Estamos felizes hoje.

CC: Você acredita que empresas chinesas ainda sofrem algum preconceito aqui no Brasil?

WB: Tem preconceito, sempre tem. Eu sou nordestino, as pessoas têm preconceito comigo, a empresa é chinesa, as pessoas têm preconceito. Sempre vai existir porque a mídia controla as pessoas, e a gente tá acostumado a assistir um programa de TV que fala que tudo na China é cópia, que quebra rápido, tem memes falando isso. É uma cultura acreditar que a China tem produtos ruins. Acho que o preconceito é uma cultura. Isso vai mudar a partir do momento que você provar [os produtos], o nosso desafio é fazer as pessoas provarem.

CC: Antes da nossa entrevista você comentou sobre alguns produtos chineses que são "copiados", por que você acha que isso acontece?

WB: Porque é mais rápido e eles são práticos e rápidos. O chineses são práticos e rápidos, a língua é prática e rápida. Para os chineses, se já existe, para que você vai gastar tempo em brainstorm? Se já existe, vamos customizar e pôr no mercado. A gente faz isso o tempo todo com roupa, com comida. É tudo questão cultural.

CC: E como isso se encaixa no mercado ocidental?

WB: Eu acho que é uma vantagem de tempo. E tempo é mais valioso que dinheiro.

CC: E o que mais as empresas chinesas trazem para o mercado ocidental?

WB: O custo baixo. Hoje nenhum produto do Baidu no Brasil é pago. Às vezes as pessoas falam que a qualidade não é tão boa, mas se a Apple vai lançar o iPhone para classes sociais menos favorecidas, é óbvio que não vai ser a mesma qualidade do iPhone tradicional. Só que a gente [chineses] está começando de baixo para cima, eles fizeram de cima para baixo, já tem uma imagem muito boa e estão descendo para outras camadas sociais. Essa é uma vantagem, acessibilidade em relação a tudo.

Instagram do Canaltech

Acompanhe nossos bastidores e fique por dentro das novidades que estão por vir no CT.