Negócio entre IBM e Lenovo encontra dificuldades de aprovação nos EUA

Por Redação | 27 de Junho de 2014 às 19h38
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Anunciada originalmente em janeiro, a venda da divisão de servidores da IBM para a Lenovo continua enfrentando problemas junto às autoridades americanas. O negócio, que teria um valor de cerca de US$ 2,3 bilhões, pode acabar até sendo cancelado devido às profundas investigações do governo, que teme pela própria infraestrutura.

Quem explica a situação é o The Wall Street Journal. Como uma das mais tradicionais empresas de tecnologia dos Estados Unidos, a IBM fornece os equipamentos nos quais funcionam boa parte dos sistemas do país, desde agências governamentais até empresas das áreas de energia e telefonia. Entre os órgãos que utilizam produtos da empresa estão o Pentágono e a Casa Branca, por exemplo, além de operadoras de comunicação como Verizon e AT&T.

O problema é a espionagem. A Lenovo é uma empresa chinesa, inimiga antiga dos EUA no campo da vigilância digital. Sendo assim, as autoridades americanas estão fazendo uma extensa investigação nos produtos da IBM, de forma a garantir que não existam falhas de segurança que possam ser exploradas pelos asiáticos. Mais do que isso, há um temor constante sobre a passagem do controle sobre a própria infraestrutura para um país com tamanha rusga.

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É um problema que a Lenovo já enfrentou no passado, em 2005, quando adquiriu a divisão de computadores pessoais da IBM. Na época, o negócio também passou por escrutínio do tipo, mas acabou aprovado pelos órgãos de regulamentação, mesmo com alguns setores do governo trocando as máquinas pelas de companhias como a Dell, por exemplo. A expectativa é que essa confiança do negócio passado valesse de alguma coisa agora, mas parece que esse não é o caso.

O problema, desta vez, se aplica de forma mais específica a servidores com arquitetura x86. A IBM argumenta que tais componentes já são fabricados na China e trazidos para os Estados Unidos. Sendo assim, não existe nenhum tipo de mudança real a ser realizada após a compra pela Lenovo, que pode inclusive baratear o custo de aquisição de tais produtos. A empresa chinesa repete incessantemente que seus equipamentos são seguros e confiáveis, além de citar a falta completa de qualquer ligação com o governo chinês.

A demora na aprovação já levou as empresas a solicitarem uma extensão no acordo junto às autoridades americanas. Existe sim um temor de que o negócio caia por terra, mas as duas companhias entendem a situação e dizem estar confiantes de que tudo vai acabar bem. A previsão de conclusão, agora, é até o final de 2014.

Concessões

Para garantir um melhor andamento de todo o processo, a IBM já afirmou que, apesar da venda, continuará a prestar, ela mesma, assistência a toda a infraestrutura instalada em território americano. A ideia é não apenas afastar suspeitas de que os servidores poderiam ser alterados presencialmente, mas também garantir uma transição mais segura enquanto a Lenovo transfere as estruturas de negócios para si.

Já o governo americano rebate com uma afirmação de que contratos de assistência técnica acabam e teme que, no futuro, agentes de espionagem possam se infiltrar entre os funcionários da Lenovo e obtenham acesso, remoto ou físico, à infraestrutura dos Estados Unidos. O governo, claro, é contra a mudança de fornecedor, já que isso incorreria em milhões de dólares em gastos, e ficaria bem feliz em manter as coisas como elas estão hoje.

Uma consequência óbvia da negociação é, claro, a perda do governo dos Estados Unidos como um cliente da IBM. Essa é uma mudança para a qual a Lenovo, inclusive, já está preparada. Apesar da perda de um parceiro do tipo não ser muito interessante, números extra-oficiais indicam que não se trataria de uma redução tão grande assim no faturamento do negócio de servidores, que hoje é de US$ 4,7 bilhões.

Os computadores e equipamentos da Lenovo, bem como outras companhias chinesas, já tem utilização banida dentro dos setores secretos do governo americano. A medida acompanha uma tensão crescente entre China e Estados Unidos, que se acusam mutuamente de espionagem digital, um movimento que, inclusive, já azedou um acordo de cooperação que vinha sendo incentivado pessoalmente pelo presidente Barack Obama.

A venda de parte da IBM para a Lenovo, se aprovada, será a maior aquisição de uma companhia americana já feita por uma empresa chinesa. E essa afirmação, por si só, já é suficiente para levantar muitas sobrancelhas dentro do governo dos Estados Unidos.

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